Na Rússia, o Roskomnadzor (RKN) planeia reforçar de forma significativa a filtragem do tráfego de internet em 2026, recorrendo a ferramentas de inteligência artificial (IA) e aprendizagem automática. De acordo com o plano de digitalização da agência, serão atribuídos cerca de 2 270 milhões de rublos para o desenvolvimento e implementação desta tecnologia. O objetivo deste sistema é automatizar e acelerar a deteção de conteúdos proibidos e de serviços VPN, tarefas que até agora eram realizadas manualmente através do TSPU nas redes dos operadores de telecomunicações.
Especialistas da RBC-Crypto salientam que o reforço da filtragem poderá afetar não só o acesso a recursos indesejados, mas também o ecossistema das criptomoedas, nomeadamente a capacidade dos utilizadores russos acederem a plataformas estrangeiras de criptomoedas e a serviços de análise. Embora, até ao final de 2025, a lista de recursos bloqueados não incluísse sites essenciais para a comunidade cripto, os especialistas alertam que restrições futuras poderão ter impacto sobre bolsas, APIs de negociação e serviços de mining pools, especialmente aqueles que dependem do tráfego VPN.
A aprendizagem automática permite que os algoritmos detetem conteúdos proibidos não apenas através do URL, mas também por análise de texto, imagens e características da rede, tornando a filtragem mais "inteligente" em comparação com os métodos clássicos de DPI (deep packet inspection). Isto poderá conduzir a bloqueios mais frequentes e precisos de recursos utilizados para contornar restrições, incluindo sites espelho e serviços de proxy, dos quais os utilizadores de cripto frequentemente dependem para aceder a plataformas estrangeiras.
De um modo geral, para a comunidade de criptomoedas na Rússia, estas alterações significam a necessidade de se preparar para eventuais interrupções no acesso a plataformas internacionais e um papel crescente das infraestruturas locais e dos serviços licenciados. Paralelamente, os reguladores estão a debater outras medidas para a regulação das criptomoedas e a integração de ativos digitais nos sistemas financeiros formais, tornando a questão do acesso a serviços cripto cada vez mais relevante para investidores e utilizadores em todo o país.


