O Ministério das Finanças dos EUA pretende avançar com novas regras contra o branqueamento de capitais para stablecoins: os emitentes terão de ter poderes de congelamento, impulsionando a implementação do projeto de lei GENIUS

O Departamento do Tesouro dos EUA está a preparar novas regras de supervisão destinadas aos emissores de stablecoins, exigindo que tenham capacidade para “interceptar, congelar e recusar” transacções ilícitas, além de terem de cumprir a Lei de Sigilo Bancário. Esta proposta, apresentada em conjunto pela FinCEN e pela OFAC, é um passo crucial para os EUA implementarem o “GENIUS Act”, com o objectivo de proteger a segurança nacional, sem, ao mesmo tempo, impedir o desenvolvimento do ecossistema de stablecoins para pagamentos.
(Antecedentes: a FDIC dos EUA define regras de supervisão para stablecoins: reservas 1:1, resgates em 2 dias, contagem decrescente para a entrada em vigor da lei de vanguarda)
(Complemento de contexto: o volume de transacções de stablecoins em Fevereiro atingiu 7,2 biliões de dólares, ultrapassando pela primeira vez o sistema ACH dos EUA! A vantagem 24/7 e sem fronteiras atinge em cheio os bancos tradicionais)

O Governo dos EUA está a apertar, de forma abrangente, a rede de protecção regulatória para o sector das stablecoins. De acordo com o conteúdo do anteprojecto obtido pelo CoinDesk, o Departamento do Tesouro dos EUA vai apresentar uma nova regulamentação destinada aos emissores de stablecoins, com o intuito de tratar estas empresas cripto como instituições financeiras tradicionais, exigindo-lhes a criação de uma linha de defesa robusta para resistir ao uso de fundos ilícitos.

Conceder poderes de “congelar e recusar” para implementar o GENIUS Act

Esta proposta, elaborada em conjunto pela Unidade de Controlo do Crime Financeiro (FinCEN) do Tesouro e pelo Gabinete de Controlo de Activos Estrangeiros (OFAC), define em pormenor as medidas profundas de controlo que as empresas de stablecoins devem implementar. Os emissores serão obrigados a ter capacidade para realizar transacções de “interceptar, congelar e recusar”, e a criar mecanismos internos de protecção para cumprir a Lei de Sigilo Bancário dos EUA (Bank Secrecy Act).

Este é o passo mais importante que os EUA dão para implementar o primeiro grande pacote de legislação da indústria cripto aprovado no ano passado — a “Lei de Orientação Nacional para a Inovação com Stablecoins e de Estabelecimento” (GENIUS Act). A lei está prevista para entrar plenamente em vigor em 2027. O ministro do Tesouro, Scott Bessent, salientou, num comunicado, que a medida mais recente “protegerá o sistema financeiro dos EUA de ameaças à segurança nacional, ao mesmo tempo que não impedirá as empresas americanas de avançarem na capacidade de operar dentro do ecossistema de stablecoins para pagamentos”.

Sinal de boa vontade regulatória: respeito pela avaliação autónoma de riscos

Importa notar que, nesta proposta, as autoridades reguladoras também enviaram uma mensagem de boa vontade ao sector. O resumo do anteprojecto indica que a nova regulamentação se centra na “eficácia” e reconhece que “as instituições financeiras são as mais adequadas para identificar e avaliar os seus riscos de branqueamento de capitais, financiamento do terrorismo e financiamento ilegal”.

O Tesouro defende que, desde que as empresas executem um plano de prevenção do branqueamento de capitais adequado, normalmente conseguem evitar sanções por parte da autoridade de execução, salvo se a empresa apresentar “falhas graves ou sistemáticas” na manutenção desse plano. No âmbito da prevenção do branqueamento de capitais, a FinCEN espera que os emissores impeçam transacções específicas assinaladas; e, no que toca a sanções, a OFAC exige que os emissores implementem medidas de protecção nos mercados primário ou secundário, a fim de impedir transacções que possam violar as sanções dos EUA.

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