O índice de volatilidade da CBOE, mais conhecido como VIX, voltou a soar forte no início de 2025. Após um salto brusco de 30% em 27 de janeiro, ultrapassando os 19 pontos, os investidores voltaram a lembrar por que o chamam de “o indicador do medo”. Mas por trás desses movimentos há mais do que pânico: há oportunidades.
O que está acontecendo com o VIX em 2025
O ano começou com uma enxurrada de notícias que sacudiram os mercados financeiros. Três fatores principais explicam o comportamento errático do VIX:
1. As políticas de Donald Trump
A chegada do novo mandato presidencial trouxe decretos e ameaças tarifárias à China e à UE. Cada anúncio move os mercados, gerando incerteza sobre como responderão os fluxos comerciais globais. Os investidores reavaliam constantemente suas posições diante da imprevisibilidade.
2. O choque da DeepSeek
Em janeiro, a empresa chinesa DeepSeek anunciou um modelo de linguagem de código aberto com eficiência computacional superior ao GPT-4. O setor tecnológico americano despencou. As dúvidas surgiram instantaneamente: as gigantes tech estavam supervalorizadas? Perderiam rentabilidade na liderança em IA? Essas perguntas desencadearam vendas em massa, disparando a volatilidade.
3. A incerteza macroeconômica
A inflação continua sem controle completo, e a Federal Reserve continua de olho se ajusta as taxas de juros. Cada comunicado da Fed ativa nervosismo entre investidores que temem um aperto monetário.
Como funciona realmente o VIX e por que importa
O índice VIX mede a volatilidade esperada do S&P 500 a 30 dias vista, baseado nos preços de opções de compra e venda. É um indicador prospectivo: antecipa o que o mercado acredita que acontecerá, não o que já passou.
A relação entre o VIX e o S&P 500 é inversa. Quando o mercado cai, o VIX sobe. Quando reina a calma, o VIX diminui. Por isso, muitos investidores o utilizam como seguro: se suas carteiras caem, as posições em VIX sobem, compensando perdas.
Tabela de níveis de risco segundo a CBOE:
Nível do VIX
Interpretação
0-15
Mercado tranquilo, risco baixo
15-20
Cautela moderada
20-25
Risco médio, nervosismo moderado
25-30
Alto risco, preocupação evidente
+30
Pânico, volatilidade extrema
Em 2008, durante a crise financeira, o VIX chegou a 89 pontos. Em março de 2020, com COVID-19, passou de 57 a 82 pontos em um único dia. Esses números mostram a magnitude das crises quando ocorrem.
O salto de janeiro: por que se estabilizou tão rápido
O que foi interessante no pico do VIX em 27 de janeiro foi sua rapidez. Subiu 30% em horas, mas depois se acalmou quase tão rápido. O que aconteceu?
Segundo analistas da UBS, a resposta está nos fatores técnicos. Os fundos automatizados e os sistemas de trading ativaram rebalanceamentos simultâneos quando as alarmes dispararam. Isso provocou um pico inicial violento, mas depois entrou em ação o “excesso de gamma longo”: muitos investidores com opções viram-se obrigados a reequilibrar suas coberturas, gerando um efeito dominó que finalmente estabilizou os preços.
Ou seja, a máquina de trading que amplifica movimentos também pode contê-los.
Estratégias para 2025: seguro ou especulação?
Os investidores podem abordar o VIX de duas formas:
Estratégia defensiva: o VIX como seguro
Investidores cautelosos compram derivados do VIX (opções, futuros, ETF) quando antecipam quedas do mercado. Se o S&P 500 cai, suas posições em VIX sobem, neutralizando perdas. É como um airbag financeiro. Durante a pandemia, investidores que usaram essa estratégia protegeram suas carteiras de forma eficaz.
Estratégia especulativa: apostar na volatilidade
Investidores agressivos buscam a instabilidade. Compram derivados do VIX quando esperam turbulências, apostando que a volatilidade explodirá. 2025, com Trump, tarifas e IA, oferece múltiplos sinais para esse tipo de trading de curto prazo.
Como investir em VIX
Não é possível comprar VIX diretamente como uma ação. O acesso é feito apenas por meio de derivados:
Contratos de futuros: Acordos que replicam o preço do VIX sem entrega física. São liquidados em dinheiro.
CFD sobre VIX: Contratos por diferença que permitem especular sobre movimentos sem possuir o índice.
ETF e ETN: Fundos cotados que rastreiam o comportamento do VIX, mais acessíveis para pequenos investidores.
Quando o contexto é incerto e se antecipa volatilidade, os investidores vão em longo (compram). Quando há calma e taxas baixas, vão em curto (vendem), esperando que o VIX caia.
Análise técnica do VIX para 2025
Resistência chave: Entre 20 e 22 pontos. Se o VIX romper esse nível com convicção, indicará um novo episódio de forte volatilidade.
Suporte: Por volta de 15-16 pontos. O mercado tende a encontrar estabilidade aqui, sugerindo que abaixo do risco percebido é baixo.
Médias móveis: A média de 50 dias está acima da de 200 dias, indicando potencial de alta no curto prazo. O RSI rondava 65 após os picos de janeiro, aproximando-se de sobrecompra.
MACD: Em território positivo, mas com linhas se estreitando, alertando para possíveis mudanças de tendência em breve.
Cenários possíveis para o resto do ano
Cenário otimista: Trump estabiliza tensões comerciais, inflação permanece baixa, a Fed continua cortando taxas. Resultado: VIX cai gradualmente para 12-15 pontos.
Cenário neutro: Tensões persistentes, mas sem escalada. VIX oscila entre 16-22 pontos, sem grandes surpresas.
Cenário pessimista: Tarifas totais, inflação sobe, a Fed aumenta taxas. VIX pode atingir 35-40 pontos, próximo aos níveis de 2020.
O que deve lembrar
O VIX é um espelho do medo global. Embora seja calculado sobre o S&P 500, seus movimentos sacodem mercados na Europa, Ásia e América Latina. Se Wall Street treme, tudo treme.
Não é um preditor perfeito, mas combina o indicador do medo com análise técnica e acompanhamento de eventos macroeconômicos, dando melhores resultados do que confiar na sorte.
Em 2025, com tanta incerteza, o VIX continuará relevante. Investidores que o entendem e o usam estrategicamente, seja como proteção ou especulação, estarão melhor posicionados.
Lembre-se: nunca invista mais do que está disposto a perder, especialmente com derivados.
Ver original
Esta página pode conter conteúdo de terceiros, que é fornecido apenas para fins informativos (não para representações/garantias) e não deve ser considerada como um endosso de suas opiniões pela Gate nem como aconselhamento financeiro ou profissional. Consulte a Isenção de responsabilidade para obter detalhes.
O índice VIX explode em 2025: Como proteger a sua carteira em tempos de incerteza?
O índice de volatilidade da CBOE, mais conhecido como VIX, voltou a soar forte no início de 2025. Após um salto brusco de 30% em 27 de janeiro, ultrapassando os 19 pontos, os investidores voltaram a lembrar por que o chamam de “o indicador do medo”. Mas por trás desses movimentos há mais do que pânico: há oportunidades.
O que está acontecendo com o VIX em 2025
O ano começou com uma enxurrada de notícias que sacudiram os mercados financeiros. Três fatores principais explicam o comportamento errático do VIX:
1. As políticas de Donald Trump
A chegada do novo mandato presidencial trouxe decretos e ameaças tarifárias à China e à UE. Cada anúncio move os mercados, gerando incerteza sobre como responderão os fluxos comerciais globais. Os investidores reavaliam constantemente suas posições diante da imprevisibilidade.
2. O choque da DeepSeek
Em janeiro, a empresa chinesa DeepSeek anunciou um modelo de linguagem de código aberto com eficiência computacional superior ao GPT-4. O setor tecnológico americano despencou. As dúvidas surgiram instantaneamente: as gigantes tech estavam supervalorizadas? Perderiam rentabilidade na liderança em IA? Essas perguntas desencadearam vendas em massa, disparando a volatilidade.
3. A incerteza macroeconômica
A inflação continua sem controle completo, e a Federal Reserve continua de olho se ajusta as taxas de juros. Cada comunicado da Fed ativa nervosismo entre investidores que temem um aperto monetário.
Como funciona realmente o VIX e por que importa
O índice VIX mede a volatilidade esperada do S&P 500 a 30 dias vista, baseado nos preços de opções de compra e venda. É um indicador prospectivo: antecipa o que o mercado acredita que acontecerá, não o que já passou.
A relação entre o VIX e o S&P 500 é inversa. Quando o mercado cai, o VIX sobe. Quando reina a calma, o VIX diminui. Por isso, muitos investidores o utilizam como seguro: se suas carteiras caem, as posições em VIX sobem, compensando perdas.
Tabela de níveis de risco segundo a CBOE:
Em 2008, durante a crise financeira, o VIX chegou a 89 pontos. Em março de 2020, com COVID-19, passou de 57 a 82 pontos em um único dia. Esses números mostram a magnitude das crises quando ocorrem.
O salto de janeiro: por que se estabilizou tão rápido
O que foi interessante no pico do VIX em 27 de janeiro foi sua rapidez. Subiu 30% em horas, mas depois se acalmou quase tão rápido. O que aconteceu?
Segundo analistas da UBS, a resposta está nos fatores técnicos. Os fundos automatizados e os sistemas de trading ativaram rebalanceamentos simultâneos quando as alarmes dispararam. Isso provocou um pico inicial violento, mas depois entrou em ação o “excesso de gamma longo”: muitos investidores com opções viram-se obrigados a reequilibrar suas coberturas, gerando um efeito dominó que finalmente estabilizou os preços.
Ou seja, a máquina de trading que amplifica movimentos também pode contê-los.
Estratégias para 2025: seguro ou especulação?
Os investidores podem abordar o VIX de duas formas:
Estratégia defensiva: o VIX como seguro
Investidores cautelosos compram derivados do VIX (opções, futuros, ETF) quando antecipam quedas do mercado. Se o S&P 500 cai, suas posições em VIX sobem, neutralizando perdas. É como um airbag financeiro. Durante a pandemia, investidores que usaram essa estratégia protegeram suas carteiras de forma eficaz.
Estratégia especulativa: apostar na volatilidade
Investidores agressivos buscam a instabilidade. Compram derivados do VIX quando esperam turbulências, apostando que a volatilidade explodirá. 2025, com Trump, tarifas e IA, oferece múltiplos sinais para esse tipo de trading de curto prazo.
Como investir em VIX
Não é possível comprar VIX diretamente como uma ação. O acesso é feito apenas por meio de derivados:
Contratos de futuros: Acordos que replicam o preço do VIX sem entrega física. São liquidados em dinheiro.
CFD sobre VIX: Contratos por diferença que permitem especular sobre movimentos sem possuir o índice.
ETF e ETN: Fundos cotados que rastreiam o comportamento do VIX, mais acessíveis para pequenos investidores.
Quando o contexto é incerto e se antecipa volatilidade, os investidores vão em longo (compram). Quando há calma e taxas baixas, vão em curto (vendem), esperando que o VIX caia.
Análise técnica do VIX para 2025
Resistência chave: Entre 20 e 22 pontos. Se o VIX romper esse nível com convicção, indicará um novo episódio de forte volatilidade.
Suporte: Por volta de 15-16 pontos. O mercado tende a encontrar estabilidade aqui, sugerindo que abaixo do risco percebido é baixo.
Médias móveis: A média de 50 dias está acima da de 200 dias, indicando potencial de alta no curto prazo. O RSI rondava 65 após os picos de janeiro, aproximando-se de sobrecompra.
MACD: Em território positivo, mas com linhas se estreitando, alertando para possíveis mudanças de tendência em breve.
Cenários possíveis para o resto do ano
Cenário otimista: Trump estabiliza tensões comerciais, inflação permanece baixa, a Fed continua cortando taxas. Resultado: VIX cai gradualmente para 12-15 pontos.
Cenário neutro: Tensões persistentes, mas sem escalada. VIX oscila entre 16-22 pontos, sem grandes surpresas.
Cenário pessimista: Tarifas totais, inflação sobe, a Fed aumenta taxas. VIX pode atingir 35-40 pontos, próximo aos níveis de 2020.
O que deve lembrar
O VIX é um espelho do medo global. Embora seja calculado sobre o S&P 500, seus movimentos sacodem mercados na Europa, Ásia e América Latina. Se Wall Street treme, tudo treme.
Não é um preditor perfeito, mas combina o indicador do medo com análise técnica e acompanhamento de eventos macroeconômicos, dando melhores resultados do que confiar na sorte.
Em 2025, com tanta incerteza, o VIX continuará relevante. Investidores que o entendem e o usam estrategicamente, seja como proteção ou especulação, estarão melhor posicionados.
Lembre-se: nunca invista mais do que está disposto a perder, especialmente com derivados.