Bancos Centrais Divergentes: O que a trajetória das taxas em 2026 pode significar para o EUR/USD

O mercado cambial prepara-se para um ano de divergência de políticas. Enquanto a Federal Reserve já efetuou três cortes de juros em 2025 e sinaliza que mais poderão seguir-se, o Banco Central Europeu mantém-se na posição de espera, com a sua taxa de depósito fixa em 2,00% desde julho. Essa diferença de juros — e como evolui — será o fator determinante para o EUR/USD em 2026. Mas não se trata apenas de números; trata-se do que os impulsiona.

O Motor de Crescimento da Europa: a Faltar Combustível, Não a Parar

O ímpeto económico da Zona Euro perdeu força, e o problema é mais profundo do que uma fraqueza cíclica. O setor automóvel alemão, a lidar com a transição para veículos elétricos e fricções na cadeia de abastecimento, registou uma queda de produção de 5%. As lacunas nos investimentos em inovação deixaram as capacidades tecnológicas europeias atrás dos EUA e da China em setores críticos. Além disso, as barreiras comerciais estão a regressar à conversa — o quadro de tarifas recíprocas do próximo governo dos EUA representa um risco real. Relatórios sugerem que os bens da UE podem enfrentar tarifas de 10% a 20%, uma resistência estrutural às economias orientadas para exportação. Dados preliminares mostram que as exportações da UE para os EUA caíram 3%, com automóveis e produtos químicos a suportar a maior parte do impacto.

As últimas projeções da Comissão Europeia apresentam uma história cautelosa: crescimento de 1,3% em 2025, um valor mais moderado de 1,2% para 2026, e uma recuperação para 1,4% em 2027. A revisão para baixo de 2026 indica que os responsáveis políticos esperam um percurso mais turbulento. O desempenho regional permanece desigual — Espanha e França registaram crescimentos trimestrais de 0,6% e 0,5%, respetivamente, no terceiro trimestre, enquanto a Alemanha e a Itália ficaram estagnadas em 0% (estagnadas). A manchete é de uma economia lenta, mas há um subtexto importante: a economia não está a quebrar, apenas a arrastar-se.

Inflação: a Escondida Travão do BCE nas Cortes de Juros

As pressões de preços deixaram de diminuir de forma consistente em direção à meta de 2% do BCE. Em novembro, a inflação na Zona Euro situava-se em 2,2% ano a ano, ligeiramente acima do objetivo de médio prazo do banco. A composição é o que mais importa: enquanto os preços da energia caíram 0,5%, a inflação dos serviços subiu para 3,5%, acima dos 3,4% de outubro. A rigidez dos preços no setor de serviços é exatamente o que os bancos centrais temem — indica que o processo de desinflação pode estar a perder força.

Este contexto explica por que o BCE manteve as três taxas de referência inalteradas em dezembro. A facilidade de depósito, a taxa de refinanciamento principal e a facilidade de empréstimo marginal permaneceram em 2,00%, 2,15% e 2,40%, respetivamente. Os comentários da presidente do BCE, Christine Lagarde, após a reunião — descrevendo a política como estando numa “boa posição” — não indicaram urgência para ações de curto prazo. O consenso do mercado está alinhado: a maioria dos economistas consultados pela Reuters espera que as taxas permaneçam inalteradas ao longo de 2026 e 2027, embora a confiança enfraqueça claramente à medida que o horizonte de previsão se estende. Uma subida no final de 2026 ou início de 2027 é vista como mais provável do que cortes, caso algum movimento ocorra.

A Pergunta de 2026 para a Fed: Até Onde Chegarão os Cortes?

A Federal Reserve surpreendeu os mercados ao cortar juros três vezes em 2025, superando a sua própria previsão de duas ações em dezembro de 2024. Após manter-se estável em março (preocupada com a inflação impulsionada por tarifas), a Fed encontrou espaço para cortar em setembro, outubro e dezembro, levando a taxa de fundos federais para entre 3,5% e 3,75%. O impulso: dados de inflação mais suaves e indicadores de mercado de trabalho mais fracos abriram a janela de política.

Dinâmicas políticas acrescentam um elemento imprevisível. O mandato de Jerome Powell termina em maio de 2026, e a sua reeleição é considerada improvável. Trump criticou publicamente Powell por ser cauteloso nos cortes e sinalizou que o próximo presidente do Fed adotaria um afrouxamento mais rápido. Espera-se que a nova administração revele a sua escolha de liderança do Fed no início de janeiro.

Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of America, Wells Fargo, Nomura e Barclays alinharam-se numa previsão semelhante: dois cortes de juros em 2026, levando a política para entre 3,00% e 3,25%. A Goldman aponta para março e junho; a Nomura para junho e setembro. A razão não é de expectativas de crescimento otimistas — é o oposto. Os economistas esperam que a economia permaneça presa numa delicada estabilidade, sem acelerar nem contrair-se abruptamente.

EUR/USD em 2026: Duas Narrativas em Conflito

A direção do euro depende de uma questão binária: a recuperação da Europa manter-se-á suficientemente resiliente para justificar a paciência do BCE, ou a fraqueza forçará o banco central a cortar juros?

Cenário A: Crescimento mantém-se acima de 1,3% e a inflação sobe

Se a Zona Euro evitar uma desaceleração acentuada e as pressões de preços persistirem, o BCE manterá a sua postura de manter-se firme. Com a Fed a cortar e o BCE a permanecer inalterado, a diferença de rendimento diminui a favor do dólar, mas o euro não sofre uma queda acentuada. Isto apoia o EUR/USD a ultrapassar 1,20 — potencialmente testando 1,21–1,22.

Cenário B: Crescimento abaixo de 1,3% e choques comerciais a afetar

Se o crescimento da Zona Euro decepcionar e a fricção comercial acelerar, o BCE poderá sentir-se obrigado a aliviar a política juntamente com o enfraquecimento da atividade. A diferença de taxas aumenta a favor da Fed, e o EUR/USD recua para perto de 1,13. Num cenário de forte baixa, 1,10 torna-se plausível.

O que Revelam as Previsões

A divergência entre os principais bancos reflete a incerteza incorporada às premissas subjacentes:

Visão pessimista da Citi: Espera que o EUR/USD atinja 1,10 até ao terceiro trimestre de 2026. A tese: o crescimento dos EUA re-acelera enquanto as expectativas de cortes da Fed decepcionam, e a Europa estagna. Isto representa uma queda de cerca de 6% em relação aos níveis atuais de 1,1650.

Visão construtiva da UBS: Aponta para um EUR/USD de 1,20 até meados de 2026. A UBS argumenta que, se o BCE mantiver firme enquanto a Fed continuar a cortar, a vantagem da curva de rendimento desloca-se para o euro, apoiando a apreciação.

A faixa — de 1,10 a 1,20 — delimita os resultados possíveis. Qual delas prevalecerá depende de qual história se desenrola: um cenário de “Fed corta + Europa arrasta-se” favorece um EUR/USD mais alto, enquanto um “Europa desacelera + escalada comercial + BCE afrouxa” mantém o potencial de subida limitado, levando-o para 1,13 ou abaixo.

A Conclusão para 2026

A perspetiva para os traders de EUR/USD é simples: a divergência de políticas dominará. A disposição aparente da Fed para cortar mais agressivamente (seja por fraqueza do crescimento ou pressão política) em contraste com a postura paciente do BCE cria uma pressão natural sobre o euro. Mas a capacidade da Europa de evitar recessão — e de manter a inflação suficientemente rígida para justificar a cautela do BCE — permanece como o fator decisivo. Acompanhe os dados de crescimento da Zona Euro, os indicadores de inflação dos serviços e quaisquer sinais das declarações de Lagarde. Se algum deles deteriorar-se abruptamente, o piso do EUR/USD poderá testar níveis mais baixos rapidamente. Se a resiliência da Europa persistir, o euro tem espaço para surpreender em alta.

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