Entenda o Carry Trade em um artigo: como lucrar com a diferença de taxas de juros?

Nos últimos anos, Carry Trade (利差交易) tornou-se um tema central nos mercados de capitais. Desde 2022, os bancos centrais de vários países adotaram políticas monetárias diferentes, levando os investidores a procurar ativamente oportunidades de arbitragem decorrentes das diferenças de taxa de juro. No entanto, muitas pessoas ainda têm mal-entendidos sobre a essência, os riscos e a operação do carry trade. Este artigo irá analisar profundamente esta estratégia de investimento.

O que é Carry Trade? Qual é a lógica central?

A essência do carry trade é emprestar moedas de baixo juro e investir em ativos de alto juro, lucrando com a diferença de taxa de juro.

Um exemplo mais direto é: emprestar ienes a uma taxa de 2% ao banco, ao mesmo tempo converter os fundos para dólares e depositar a uma taxa de 5%, sendo que a diferença de 3% é o lucro da operação. Parece simples, mas na prática é muito mais complexo.

Desde 2022, esta estratégia tem sido especialmente popular, pois o ritmo de aumento de taxas de juros varia significativamente entre os países. Os EUA aumentaram as taxas de forma agressiva, enquanto muitos países asiáticos fizeram aumentos mais moderados, e os investidores perceberam a oportunidade. Em 2022, a taxa de câmbio do dólar em relação ao novo shekel era aproximadamente 1:29, e até 2024 já subiu para 1:32,6. Em certos casos, os investidores não só lucraram com a diferença de juros, mas também com a valorização cambial, que trouxe ganhos adicionais.

No entanto, nem todos os ciclos de aumento de juros levam à valorização cambial. Tomemos o exemplo da Argentina, onde o governo elevou a taxa de juros para quase 100% para estabilizar a moeda, mas no dia do anúncio a peso argentino depreciou-se 30%. Isso demonstra que, embora o carry trade possa ser lucrativo, também esconde riscos enormes.

Os três principais riscos do carry trade

Ao realizar carry trade, os investidores frequentemente ignoram os seguintes riscos:

1. Risco de volatilidade cambial

Este é o risco mais direto e fácil de entender. Após emprestar em uma moeda de baixo juro, a taxa de câmbio pode oscilar drasticamente. Mesmo que o retorno da diferença de juros seja bom, se a moeda se mover na direção oposta, toda a operação pode resultar em prejuízo.

2. Risco de variação das taxas de juro

A diferença de juros que o investidor garantiu pode diminuir. No passado, seguradoras em Taiwan prometiam apólices com rendimentos anuais de 6% a 8%, enquanto as taxas de depósito fixo chegavam a 10% a 13%. Com a redução das taxas na Taiwan, essas taxas caíram para 1% a 2%, causando enormes prejuízos às seguradoras. O mesmo aconteceu com investimentos em hipotecas — inicialmente, os rendimentos de aluguel superavam os juros do empréstimo, parecendo estáveis, mas se as taxas de juros aumentarem ou os aluguéis caírem, a diferença de juros vira prejuízo.

3. Risco de liquidez

Nem todos os produtos financeiros podem ser convertidos rapidamente em dinheiro. Alguns ativos podem enfrentar altas taxas de comissão ou dificuldades na venda em momentos de necessidade. Produtos de seguro, por exemplo, só podem ser resgatados pelo segurado, enquanto a seguradora não tem o direito de sair rapidamente do investimento.

Como fazer hedge dos riscos do carry trade?

A estratégia comum de hedge é usar instrumentos financeiros que se movem na direção oposta ao ativo de investimento, para limitar parte do risco.

Por exemplo, um fabricante exportador que firma um pedido de 1 milhão de dólares, mas só recebe o pagamento após um ano. Pode usar um swap de câmbio a termo(SWAP) para fixar a taxa de câmbio atual, evitando o risco de flutuação cambial após um ano. Contudo, essa prática gera custos adicionais, e a maioria dos investidores avalia se vale a pena, geralmente usando hedge apenas em situações de risco especial (como feriados prolongados ou mercados fechados).

Carry trade com ienes: a maior história de arbitragem global

A maior operação de carry trade no mundo é emprestar ienes para investir em outros ativos. Por que o iene se tornou a moeda preferida?

O Japão possui vantagens únicas: estabilidade política, estabilidade monetária, taxas de juros extremamente baixas, e o Banco do Japão mantém uma política de afrouxamento monetário de longo prazo, incentivando empréstimos. Embora a Europa também tenha adotado taxas zero, o número de investidores que emprestam euros para arbitragem é muito menor do que os que usam ienes, devido às restrições mais rígidas dos bancos japoneses para empréstimos ao exterior.

As duas principais estratégias de arbitragem com ienes

Estratégia 1: Emprestar ienes para investir em ativos de países com altas taxas de juro

Instituições internacionais garantem com dólares ou ativos locais, emprestando grandes quantidades de ienes a taxas baixíssimas (cerca de 1%), e investem em moedas, títulos ou imóveis de países com juros elevados, como EUA ou Europa. Como o custo do empréstimo em ienes é muito baixo, mesmo com perdas cambiais posteriores, o investimento geralmente ainda é lucrativo.

Estratégia 2: Emprestar ienes para investir em ações japonesas

Após a pandemia, os bancos centrais globais adotaram uma política de estímulo agressivo. Warren Buffett achava que as ações americanas estavam supervalorizadas, e passou a focar no mercado de ações japonês. Ele emitiu títulos em ienes via Berkshire Hathaway, para financiar compras de ações de empresas japonesas. Depois, pressionou as empresas listadas a aumentarem os dividendos e a liquidez de suas ações. Em apenas dois anos, o retorno do investimento ultrapassou 50%. A vantagem dessa estratégia é evitar completamente o risco cambial — emprestar ienes para investir em ações japonesas, lucrando com dividendos, e não com a valorização cambial.

Carry trade vs Arbitragem: qual é a diferença?

Muitas pessoas confundem as duas, mas na prática há diferenças significativas:

  • Arbitragem(Arbitrage): geralmente refere-se a arbitragem sem risco, aproveitando diferenças de preço de um mesmo produto em mercados diferentes, comprando barato e vendendo caro.
  • Carry Trade(Carry Trade): envolve investir diretamente em produtos com diferenças de juros, assumindo riscos de variação de preço desde o início.

Esta é a distinção mais fundamental entre as duas.

Como desenvolver uma estratégia de carry trade eficaz?

O sucesso do carry trade depende de controlar o momento da operação. O investidor deve determinar previamente o período de manutenção, para escolher os ativos mais adequados.

Depois, deve analisar a trajetória histórica dos preços do ativo, optando por produtos com sinais técnicos claros. Por exemplo, a taxa de câmbio dólar/taiwanês costuma apresentar características cíclicas.

Por fim, o investidor deve preparar uma análise detalhada da relação entre as taxas de juros e as variações cambiais de diversos países, para identificar as melhores oportunidades de carry trade e reduzir o risco de perdas causadas por reversões súbitas do mercado.

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