O mundo cripto passou silenciosamente por uma mudança fundamental na forma como os projetos levantam capital e criam entusiasmo. Acabaram os dias em que startups dependiam exclusivamente de venture capitalists a escrever cheques — hoje, recorrem a uma nova geração de stakeholders híbridos: os Key Opinion Leaders, ou KOLs. Essas personalidades das redes sociais não são mais apenas promotores pagos; agora, são participantes com interesses financeiros semelhantes a ações nos projetos que apoiam. Mas o que exatamente significa o termo KOL no contexto cripto e por que isso importa? Compreender esse modelo emergente é essencial para quem navega no cenário de ativos digitais de hoje.
O que Significa KOL em Cripto? A Ascensão das Rodadas de Tokens Apoiada por Influenciadores
Um KOL em cripto é uma personalidade de redes sociais ou criador de conteúdo com influência significativa sobre comunidades de traders e investidores de retalho. Diferente de celebridades tradicionais, os KOLs atuam em plataformas descentralizadas — YouTube, X (antiga Twitter), Telegram — onde orientam seguidores com “alpha” (dicas internas) sobre quais protocolos merecem investimento. Alguns KOLs são figuras reconhecidas, como BitBoy Crypto; outros operam sob pseudónimos, usando avatares de desenhos animados ou nomes de traders especializados.
O significado de KOL no cripto evoluiu bastante. Em vez de aceitar pagamento por tweets promocionais pontuais (que podem custar dezenas de milhares de dólares), os KOLs estão cada vez mais se tornando investidores. Em que insiders chamam de “rodadas de KOL”, esses influenciadores investem em startups cripto em troca de avaliações altamente descontadas, acesso antecipado a tokens e cronogramas de liberação acelerados que rivalizam com investidores iniciais. Para os projetos, essa estratégia tem um duplo benefício: fornece capital e posiciona dezenas de KOLs para evangelizar o projeto às suas comunidades.
A escala é impressionante. Segundo a firma de inteligência de mercado The Tie, pesquisas sobre eventos de geração de tokens (TGEs) mostram que aproximadamente 75% dos lançamentos notáveis de tokens no início de 2025 incluíram rodadas de KOLs. Essa tendência não surgiu do dia para a noite. Ela evoluiu de um modelo antigo, onde influenciadores como Ben Armstrong cobravam taxas premium por conteúdo promocional. Mas, à medida que a economia criativa amadureceu e influenciadores acumularam riqueza, a dinâmica se invertou. Em vez de cobrar por seus serviços, os KOLs agora exigem participações semelhantes a ações, com condições extremamente favoráveis.
De Promoções Pagas a Parcerias de Equity: A Evolução do Investimento de KOLs
A relação do cripto com marketing de influência sempre foi transacional. Em ciclos anteriores, influenciadores atuavam como mercenários — quanto maior o pagamento, mais alto o volume de promoção. Esse modelo de pagar para jogar ainda existe e continua lucrativo; KOLs de destaque podem ganhar taxas substanciais por endossos individuais.
Porém, por volta de 2024, ocorreu uma convergência. Anjos investidores e KOLs começaram a se fundir em uma única categoria de investidores-promotores. Até início de 2025, a tendência acelerou dramaticamente. Vlad Svitanko, CEO da Cryptorsy, explicou a lógica: “Quanto mais eles promovem suas posições, mais o token pode subir, o que é ótimo para o projeto e para o preço.” Em outras palavras, quando KOLs detêm tokens com cronogramas de desbloqueio ligados ao dia do lançamento, têm o máximo incentivo para impulsionar a adoção antes do debut do token.
Essa mudança reflete uma lógica econômica mais profunda. Tokens — e não ações — são o que realmente têm valor em redes descentralizadas. Participações acionárias em empresas cripto são ilíquidas e legalmente complexas. Tokens podem ser negociados, vendidos e liquidados imediatamente. Os KOLs preferem tokens por exatamente esse motivo. Eles obtêm sua participação na rede subjacente e mantêm a capacidade de vender assim que os mercados abrem.
Um executivo cripto resumiu bem: “Todo mundo quer ganhar dinheiro rápido.” Isso deixou de ser uma aspiração — agora está embutido nos termos dos contratos de rodadas de KOL.
Como Funciona a Rodada de KOL: O Mecanismo por Trás das Saídas Rápidas
Um exemplo concreto ilustra a mecânica. Em início de 2025, a Humanity Protocol, uma startup de identidade digital concorrente do Worldcoin de Sam Altman, levantou US$ 1,5 milhão de uma mistura de anjos e KOLs. O projeto forneceu aos KOLs um formulário de alinhamento detalhado, especificando compromissos nas redes sociais: curtir e comentar três tweets semanais, escrever threads sobre Humanity Protocol, participar de Twitter Spaces mensais, entre outros.
Para os KOLs focados em traders, as obrigações eram ainda maiores. Eles deveriam comprar publicamente tokens do Humanity Protocol “após o lançamento para demonstrar compromisso.” YouTubers receberam instruções para criar “vídeos especulativos sobre o Humanity Protocol sendo um concorrente principal do Worldcoin e sobre o Airdrop.” O documento do Humanity Protocol incluía uma ameaça explícita: “Estamos monitorando todas as atividades e anularemos o SAFT e reembolsaremos os KOLs que não demonstrarem apoio ao projeto.”
SAFTs — acordos simples para futuros tokens — são o mecanismo contratual que vincula os KOLs aos projetos. Funcionam de forma semelhante a SAFEs ou contratos de investimento em venture capital tradicional, mas com tokens como ativo, e não ações.
Quando um repórter do CoinDesk revisou vídeos postados pelo canal Altcoin Buzz (com mais de 400.000 inscritos), o funcionário do canal promoveu a “vantagem competitiva enorme” do Humanity Protocol em relação ao Worldcoin, enquanto participava do grupo privado de Telegram de KOLs do Humanity Protocol. Ao ser contactado, o funcionário afirmou que seu canal não tinha investido, mas estava coletando informações. Ele evitou confirmar ou negar se haveria remuneração futura.
Esse arranjo é fundamental: os KOLs raramente recebem ações da empresa. Eles recebem tokens — uma reivindicação na própria rede descentralizada. Como o Humanity Protocol citou a avaliação totalmente diluída do Worldcoin em US$ 80 bilhões, mesmo uma pequena alocação de tokens pode ter um potencial de valorização enorme.
Termos de Vesting de Tokens: O Mecanismo por Trás das Saídas Rápidas
Os KOLs não apenas recebem avaliações favoráveis; eles também têm cronogramas de liquidez vantajosos. A maioria negocia períodos de vesting de 12 meses ou menos — muito mais curtos do que os investidores privados tradicionais suportam. Ainda mais, muitos desbloqueiam uma parte significativa de seus tokens no mesmo dia do lançamento público, permitindo vendas imediatas no pico do hype.
A disparidade é evidente entre os diferentes projetos. Creator.Bid, uma venture de cripto focada em IA, alocou 23% das posições de tokens de KOLs para desbloqueamento imediato na data do airdrop público. Veggies Gotchi igualou as quantidades de tokens de KOLs às alocações da comunidade, criando pressão de dumping paralela. Em contraste, Citizend impôs restrições mais rígidas — embora um conselheiro do projeto tenha reconhecido que os requisitos de divulgação ainda não são aplicáveis.
Essa estrutura cria um desalinhamento óbvio. Os KOLs maximizam seus retornos promovendo projetos antes do lançamento e vendendo assim que seus tokens são desbloqueados. Os investidores de retalho — o público que os KOLs influenciam — compram no pico após o hype inicial, e depois assistem os preços caírem à medida que os primeiros detentores liquidam.
“É uma vitória para os protocolos, uma vitória para os KOLs, mas uma grande perda para o retalho”, afirmou Stacy Muur, influenciadora com 46.000 seguidores que evitou esses arranjos. “Esses acordos geralmente não são bem divulgados, então a comunidade não sabe sobre as rodadas de KOLs e os termos de vesting.”
A Crise de Transparência: Riscos Legais e Éticos
A falta de divulgação representa uma vulnerabilidade crítica. Diferente de promotores do mercado de ações, que operam sob regulamentações da SEC, os KOLs cripto atuam em um espaço pouco regulado. Muitos projetos não tratam seus tokens como valores mobiliários sujeitos a requisitos de divulgação, alegando a natureza descentralizada das redes blockchain.
No entanto, as regulamentações da Federal Trade Commission (FTC) ainda podem se aplicar. “Quando influenciadores não divulgam acordos pagos, eles enganam seu público”, explicou Ariel Givner, advogado de cripto na Pensilvânia. “Essa falta de transparência mina a confiança e pode levar a perdas financeiras significativas para seguidores desavisados. A regra principal é que qualquer compensação relacionada à promoção deve ser divulgada de forma clara e visível.”
Givner acrescentou que as regras da FTC exigem identificação transparente das relações financeiras. Se um KOL recebe tokens, faz acordos não divulgados para vendê-los e ao mesmo tempo promove o projeto, ele está operando fora dos limites regulatórios.
A prática permanece endêmica. Um investidor prolífico relatou receber cerca de 10 ofertas diárias para participar de rodadas de KOLs. Quase todas exigiam promoção. Quase nenhuma incluía linguagem de divulgação. Essa assimetria — entre obrigações contratuais de promover e obrigações opcionais de divulgar — cria um vácuo de informações que os investidores de retalho não conseguem preencher.
Impacto no Mercado: Os Dados por Trás da Influência dos KOLs
Apesar da opacidade, a influência dos KOLs nos mercados de tokens é comprovada. Uma análise da The Tie, que examinou 310 influenciadores e suas postagens sobre os 175 principais criptoativos em um período de 90 dias, revelou “movimentos significativos e positivos nos tokens” nas horas seguintes às recomendações dos KOLs. O efeito parece mais forte em tokens de menor capitalização, com comunidades menores, onde uma única postagem de KOL pode mover preços entre 5% e 15%.
O CEO Joshua Frank observou que os KOLs “definitivamente têm impacto”, especialmente em projetos emergentes ou de menor capitalização. Essa constatação reforça por que os projetos priorizam a participação de KOLs — não é apenas sobre alcance de marketing, mas sobre movimentar mercados.
A Máquina de Eficiência: Como os Projetos Selecionam Seus KOLs
Reconhecendo o poder dos KOLs, agências de marketing cripto agora mantêm bancos de dados proprietários com centenas de KOLs, classificando-os por alcance, engajamento e capacidade histórica de movimentar preços. Por taxas, esses intermediários conectam projetos aos influenciadores mais propensos a impulsionar lançamentos bem-sucedidos.
Os próprios projetos empregam uma curadoria rigorosa. Um executivo descreveu o processo de avaliar 100 potenciais KOLs e “eliminar os ruins”. Essa triagem reflete um cálculo severo: influenciadores que promovem fracassos evidentes prejudicam sua credibilidade com o público. Apenas projetos de alto nível — com tecnologia genuína, financiamento e visibilidade — conseguem atrair KOLs de qualidade.
Ainda assim, os KOLs relatam fluxo constante de propostas. Um investidor de destaque recebe dezenas de ofertas semanais. KOLs menores começaram a formar sindicatos, agrupando capital e negociando acordos coletivos para obter condições melhores do que conseguiriam individualmente.
Vencedores e Perdedores: Quem Realmente Lucra?
O modelo de rodadas de KOLs gera vencedores e perdedores claros. Os projetos se beneficiam de capital não diluído e de marketing orgânico. Os KOLs lucram com alocações de tokens a preços baixos e saídas rápidas. As agências de marketing cobram taxas pelos serviços de intermediação.
Os perdedores são os traders de retalho que seguem recomendações de KOLs sem entender seus incentivos financeiros. Um trader que compra um token após uma recomendação entusiasmada de um KOL geralmente está adquirindo no pico do hype — logo após ou durante o lançamento — enquanto insiders de KOLs vendem simultaneamente.
Muur explicou o paradoxo: “Você claramente faz sua comunidade sua liquidez de saída.” As audiências dos KOLs não são apenas seguidores; são pools de liquidez que insiders aproveitam ao máximo.
O Que Vem a Seguir: A Democratização de um Sistema Desigual
A economia dos KOLs representa uma mudança fundamental na forma como capital e credibilidade fluem pelas redes cripto. Diferente do venture capital tradicional — que se concentra em firmas de parceria e syndicates de anjos — o financiamento por KOLs democratiza quem pode participar. Qualquer pessoa com dezenas de milhares de seguidores pode agora fazer parte do cap table de startups cripto.
Porém, essa acessibilidade oculta desigualdades mais profundas. Os arranjos de KOLs permanecem em grande parte não divulgados, criando assimetrias de informação que prejudicam os participantes de retalho. Os cronogramas de vesting que favorecem saídas rápidas sistematizam o lucro de insiders. A ausência de fiscalização regulatória permite práticas que a lei de valores mobiliários proibiria.
Como observou um insider do setor, esse modelo representa “uma coisa enorme” que contorna tanto o venture capital quanto os gastos tradicionais de marketing. “As pessoas vão dizer que nem precisam de marketing — eles obtêm capital por distribuição.” Assim, o significado de KOL no cripto vai além de simples investimento de influenciadores. Ele descreve uma transformação estrutural na forma como o valor circula em redes descentralizadas — e quem o captura.
Nota relacionada à volatilidade do mercado: No início de 2025, a plataforma de empréstimos cripto Blockfills enfrentou desafios operacionais durante turbulências de mercado. O cofundador Nicholas Hammer deixou o cargo de CEO. Fontes indicaram que alguns clientes receberam aviso prévio para retirar fundos antes que a plataforma congelasse depósitos e saques. A empresa de Chicago, que processou mais de US$ 60 bilhões em volume de negociação anual, buscou alternativas estratégicas durante a crise.
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Decodificando a Economia Cripto KOL: Como os Influenciadores-Investidores Estão Remodelando a Captação de Fundos de Tokens
O mundo cripto passou silenciosamente por uma mudança fundamental na forma como os projetos levantam capital e criam entusiasmo. Acabaram os dias em que startups dependiam exclusivamente de venture capitalists a escrever cheques — hoje, recorrem a uma nova geração de stakeholders híbridos: os Key Opinion Leaders, ou KOLs. Essas personalidades das redes sociais não são mais apenas promotores pagos; agora, são participantes com interesses financeiros semelhantes a ações nos projetos que apoiam. Mas o que exatamente significa o termo KOL no contexto cripto e por que isso importa? Compreender esse modelo emergente é essencial para quem navega no cenário de ativos digitais de hoje.
O que Significa KOL em Cripto? A Ascensão das Rodadas de Tokens Apoiada por Influenciadores
Um KOL em cripto é uma personalidade de redes sociais ou criador de conteúdo com influência significativa sobre comunidades de traders e investidores de retalho. Diferente de celebridades tradicionais, os KOLs atuam em plataformas descentralizadas — YouTube, X (antiga Twitter), Telegram — onde orientam seguidores com “alpha” (dicas internas) sobre quais protocolos merecem investimento. Alguns KOLs são figuras reconhecidas, como BitBoy Crypto; outros operam sob pseudónimos, usando avatares de desenhos animados ou nomes de traders especializados.
O significado de KOL no cripto evoluiu bastante. Em vez de aceitar pagamento por tweets promocionais pontuais (que podem custar dezenas de milhares de dólares), os KOLs estão cada vez mais se tornando investidores. Em que insiders chamam de “rodadas de KOL”, esses influenciadores investem em startups cripto em troca de avaliações altamente descontadas, acesso antecipado a tokens e cronogramas de liberação acelerados que rivalizam com investidores iniciais. Para os projetos, essa estratégia tem um duplo benefício: fornece capital e posiciona dezenas de KOLs para evangelizar o projeto às suas comunidades.
A escala é impressionante. Segundo a firma de inteligência de mercado The Tie, pesquisas sobre eventos de geração de tokens (TGEs) mostram que aproximadamente 75% dos lançamentos notáveis de tokens no início de 2025 incluíram rodadas de KOLs. Essa tendência não surgiu do dia para a noite. Ela evoluiu de um modelo antigo, onde influenciadores como Ben Armstrong cobravam taxas premium por conteúdo promocional. Mas, à medida que a economia criativa amadureceu e influenciadores acumularam riqueza, a dinâmica se invertou. Em vez de cobrar por seus serviços, os KOLs agora exigem participações semelhantes a ações, com condições extremamente favoráveis.
De Promoções Pagas a Parcerias de Equity: A Evolução do Investimento de KOLs
A relação do cripto com marketing de influência sempre foi transacional. Em ciclos anteriores, influenciadores atuavam como mercenários — quanto maior o pagamento, mais alto o volume de promoção. Esse modelo de pagar para jogar ainda existe e continua lucrativo; KOLs de destaque podem ganhar taxas substanciais por endossos individuais.
Porém, por volta de 2024, ocorreu uma convergência. Anjos investidores e KOLs começaram a se fundir em uma única categoria de investidores-promotores. Até início de 2025, a tendência acelerou dramaticamente. Vlad Svitanko, CEO da Cryptorsy, explicou a lógica: “Quanto mais eles promovem suas posições, mais o token pode subir, o que é ótimo para o projeto e para o preço.” Em outras palavras, quando KOLs detêm tokens com cronogramas de desbloqueio ligados ao dia do lançamento, têm o máximo incentivo para impulsionar a adoção antes do debut do token.
Essa mudança reflete uma lógica econômica mais profunda. Tokens — e não ações — são o que realmente têm valor em redes descentralizadas. Participações acionárias em empresas cripto são ilíquidas e legalmente complexas. Tokens podem ser negociados, vendidos e liquidados imediatamente. Os KOLs preferem tokens por exatamente esse motivo. Eles obtêm sua participação na rede subjacente e mantêm a capacidade de vender assim que os mercados abrem.
Um executivo cripto resumiu bem: “Todo mundo quer ganhar dinheiro rápido.” Isso deixou de ser uma aspiração — agora está embutido nos termos dos contratos de rodadas de KOL.
Como Funciona a Rodada de KOL: O Mecanismo por Trás das Saídas Rápidas
Um exemplo concreto ilustra a mecânica. Em início de 2025, a Humanity Protocol, uma startup de identidade digital concorrente do Worldcoin de Sam Altman, levantou US$ 1,5 milhão de uma mistura de anjos e KOLs. O projeto forneceu aos KOLs um formulário de alinhamento detalhado, especificando compromissos nas redes sociais: curtir e comentar três tweets semanais, escrever threads sobre Humanity Protocol, participar de Twitter Spaces mensais, entre outros.
Para os KOLs focados em traders, as obrigações eram ainda maiores. Eles deveriam comprar publicamente tokens do Humanity Protocol “após o lançamento para demonstrar compromisso.” YouTubers receberam instruções para criar “vídeos especulativos sobre o Humanity Protocol sendo um concorrente principal do Worldcoin e sobre o Airdrop.” O documento do Humanity Protocol incluía uma ameaça explícita: “Estamos monitorando todas as atividades e anularemos o SAFT e reembolsaremos os KOLs que não demonstrarem apoio ao projeto.”
SAFTs — acordos simples para futuros tokens — são o mecanismo contratual que vincula os KOLs aos projetos. Funcionam de forma semelhante a SAFEs ou contratos de investimento em venture capital tradicional, mas com tokens como ativo, e não ações.
Quando um repórter do CoinDesk revisou vídeos postados pelo canal Altcoin Buzz (com mais de 400.000 inscritos), o funcionário do canal promoveu a “vantagem competitiva enorme” do Humanity Protocol em relação ao Worldcoin, enquanto participava do grupo privado de Telegram de KOLs do Humanity Protocol. Ao ser contactado, o funcionário afirmou que seu canal não tinha investido, mas estava coletando informações. Ele evitou confirmar ou negar se haveria remuneração futura.
Esse arranjo é fundamental: os KOLs raramente recebem ações da empresa. Eles recebem tokens — uma reivindicação na própria rede descentralizada. Como o Humanity Protocol citou a avaliação totalmente diluída do Worldcoin em US$ 80 bilhões, mesmo uma pequena alocação de tokens pode ter um potencial de valorização enorme.
Termos de Vesting de Tokens: O Mecanismo por Trás das Saídas Rápidas
Os KOLs não apenas recebem avaliações favoráveis; eles também têm cronogramas de liquidez vantajosos. A maioria negocia períodos de vesting de 12 meses ou menos — muito mais curtos do que os investidores privados tradicionais suportam. Ainda mais, muitos desbloqueiam uma parte significativa de seus tokens no mesmo dia do lançamento público, permitindo vendas imediatas no pico do hype.
A disparidade é evidente entre os diferentes projetos. Creator.Bid, uma venture de cripto focada em IA, alocou 23% das posições de tokens de KOLs para desbloqueamento imediato na data do airdrop público. Veggies Gotchi igualou as quantidades de tokens de KOLs às alocações da comunidade, criando pressão de dumping paralela. Em contraste, Citizend impôs restrições mais rígidas — embora um conselheiro do projeto tenha reconhecido que os requisitos de divulgação ainda não são aplicáveis.
Essa estrutura cria um desalinhamento óbvio. Os KOLs maximizam seus retornos promovendo projetos antes do lançamento e vendendo assim que seus tokens são desbloqueados. Os investidores de retalho — o público que os KOLs influenciam — compram no pico após o hype inicial, e depois assistem os preços caírem à medida que os primeiros detentores liquidam.
“É uma vitória para os protocolos, uma vitória para os KOLs, mas uma grande perda para o retalho”, afirmou Stacy Muur, influenciadora com 46.000 seguidores que evitou esses arranjos. “Esses acordos geralmente não são bem divulgados, então a comunidade não sabe sobre as rodadas de KOLs e os termos de vesting.”
A Crise de Transparência: Riscos Legais e Éticos
A falta de divulgação representa uma vulnerabilidade crítica. Diferente de promotores do mercado de ações, que operam sob regulamentações da SEC, os KOLs cripto atuam em um espaço pouco regulado. Muitos projetos não tratam seus tokens como valores mobiliários sujeitos a requisitos de divulgação, alegando a natureza descentralizada das redes blockchain.
No entanto, as regulamentações da Federal Trade Commission (FTC) ainda podem se aplicar. “Quando influenciadores não divulgam acordos pagos, eles enganam seu público”, explicou Ariel Givner, advogado de cripto na Pensilvânia. “Essa falta de transparência mina a confiança e pode levar a perdas financeiras significativas para seguidores desavisados. A regra principal é que qualquer compensação relacionada à promoção deve ser divulgada de forma clara e visível.”
Givner acrescentou que as regras da FTC exigem identificação transparente das relações financeiras. Se um KOL recebe tokens, faz acordos não divulgados para vendê-los e ao mesmo tempo promove o projeto, ele está operando fora dos limites regulatórios.
A prática permanece endêmica. Um investidor prolífico relatou receber cerca de 10 ofertas diárias para participar de rodadas de KOLs. Quase todas exigiam promoção. Quase nenhuma incluía linguagem de divulgação. Essa assimetria — entre obrigações contratuais de promover e obrigações opcionais de divulgar — cria um vácuo de informações que os investidores de retalho não conseguem preencher.
Impacto no Mercado: Os Dados por Trás da Influência dos KOLs
Apesar da opacidade, a influência dos KOLs nos mercados de tokens é comprovada. Uma análise da The Tie, que examinou 310 influenciadores e suas postagens sobre os 175 principais criptoativos em um período de 90 dias, revelou “movimentos significativos e positivos nos tokens” nas horas seguintes às recomendações dos KOLs. O efeito parece mais forte em tokens de menor capitalização, com comunidades menores, onde uma única postagem de KOL pode mover preços entre 5% e 15%.
O CEO Joshua Frank observou que os KOLs “definitivamente têm impacto”, especialmente em projetos emergentes ou de menor capitalização. Essa constatação reforça por que os projetos priorizam a participação de KOLs — não é apenas sobre alcance de marketing, mas sobre movimentar mercados.
A Máquina de Eficiência: Como os Projetos Selecionam Seus KOLs
Reconhecendo o poder dos KOLs, agências de marketing cripto agora mantêm bancos de dados proprietários com centenas de KOLs, classificando-os por alcance, engajamento e capacidade histórica de movimentar preços. Por taxas, esses intermediários conectam projetos aos influenciadores mais propensos a impulsionar lançamentos bem-sucedidos.
Os próprios projetos empregam uma curadoria rigorosa. Um executivo descreveu o processo de avaliar 100 potenciais KOLs e “eliminar os ruins”. Essa triagem reflete um cálculo severo: influenciadores que promovem fracassos evidentes prejudicam sua credibilidade com o público. Apenas projetos de alto nível — com tecnologia genuína, financiamento e visibilidade — conseguem atrair KOLs de qualidade.
Ainda assim, os KOLs relatam fluxo constante de propostas. Um investidor de destaque recebe dezenas de ofertas semanais. KOLs menores começaram a formar sindicatos, agrupando capital e negociando acordos coletivos para obter condições melhores do que conseguiriam individualmente.
Vencedores e Perdedores: Quem Realmente Lucra?
O modelo de rodadas de KOLs gera vencedores e perdedores claros. Os projetos se beneficiam de capital não diluído e de marketing orgânico. Os KOLs lucram com alocações de tokens a preços baixos e saídas rápidas. As agências de marketing cobram taxas pelos serviços de intermediação.
Os perdedores são os traders de retalho que seguem recomendações de KOLs sem entender seus incentivos financeiros. Um trader que compra um token após uma recomendação entusiasmada de um KOL geralmente está adquirindo no pico do hype — logo após ou durante o lançamento — enquanto insiders de KOLs vendem simultaneamente.
Muur explicou o paradoxo: “Você claramente faz sua comunidade sua liquidez de saída.” As audiências dos KOLs não são apenas seguidores; são pools de liquidez que insiders aproveitam ao máximo.
O Que Vem a Seguir: A Democratização de um Sistema Desigual
A economia dos KOLs representa uma mudança fundamental na forma como capital e credibilidade fluem pelas redes cripto. Diferente do venture capital tradicional — que se concentra em firmas de parceria e syndicates de anjos — o financiamento por KOLs democratiza quem pode participar. Qualquer pessoa com dezenas de milhares de seguidores pode agora fazer parte do cap table de startups cripto.
Porém, essa acessibilidade oculta desigualdades mais profundas. Os arranjos de KOLs permanecem em grande parte não divulgados, criando assimetrias de informação que prejudicam os participantes de retalho. Os cronogramas de vesting que favorecem saídas rápidas sistematizam o lucro de insiders. A ausência de fiscalização regulatória permite práticas que a lei de valores mobiliários proibiria.
Como observou um insider do setor, esse modelo representa “uma coisa enorme” que contorna tanto o venture capital quanto os gastos tradicionais de marketing. “As pessoas vão dizer que nem precisam de marketing — eles obtêm capital por distribuição.” Assim, o significado de KOL no cripto vai além de simples investimento de influenciadores. Ele descreve uma transformação estrutural na forma como o valor circula em redes descentralizadas — e quem o captura.
Nota relacionada à volatilidade do mercado: No início de 2025, a plataforma de empréstimos cripto Blockfills enfrentou desafios operacionais durante turbulências de mercado. O cofundador Nicholas Hammer deixou o cargo de CEO. Fontes indicaram que alguns clientes receberam aviso prévio para retirar fundos antes que a plataforma congelasse depósitos e saques. A empresa de Chicago, que processou mais de US$ 60 bilhões em volume de negociação anual, buscou alternativas estratégicas durante a crise.