Por que a ambição europeia de Saylor para ações preferenciais de estratégia está estagando

A expansão da Strategy sob a liderança de Michael J. Saylor nos mercados europeus deveria ser um passo importante de crescimento. No entanto, a realidade foi bastante mais modesta do que o esperado. O produto lançado no outono de 2025, o Stream (STRE) – uma ação preferencial perpétua denominadas em euros com um retorno anual de 10 por cento – teoricamente oferecia tudo o que os investidores europeus procuravam. Ainda assim, a penetração de mercado desejada não se concretizou.

A estratégia subjacente era clara: o STRE deveria atuar como o equivalente europeu à bem-sucedida ação preferencial americana Stretch (STRC), visando assim explorar a demanda em toda a Área Econômica Europeia (EEE). A Strategy conseguiu captar 715 milhões de dólares, mas teve que reavaliar a oferta com um desconto de 20%, de 100 EUR para 80 EUR por ação – um sinal evidente de menor aceitação de mercado do que o previsto.

Os obstáculos estruturais para o STRE: Por que os investidores europeus permanecem hesitantes

O verdadeiro problema não está tanto na qualidade do produto, mas nos mecanismos de mercado fundamentais. Khing Oei, fundador e CEO da empresa holandesa de tesouraria de Bitcoin Treasury, identificou vários fatores críticos que dificultaram o projeto de ações preferenciais de Saylor na Europa.

Primeiro, há a acessibilidade limitada. O STRE está listado na Euro MTF em Luxemburgo – uma plataforma de negociação pouco conectada às plataformas de varejo tradicionais. A Interactive Brokers, uma das maiores corretoras globais, nem oferece o instrumento. Muitas plataformas voltadas para investidores privados também não permitem a negociação do STRE. Isso significa que os investidores interessados precisam fazer desvios para acessá-lo.

Outro problema frequentemente subestimado é a falta de transparência de preços. Dados históricos de preços e informações de mercado confiáveis são difíceis de obter. O TradingView, plataforma padrão para análises técnicas, mostra o STRE com volume de negociação extremamente baixo (apenas 1.300 euros diários) e informações fragmentadas. Para os investidores, isso gera insegurança na avaliação de liquidez e desempenho – um obstáculo considerável à aceitação.

Alternativas e perspectivas: Onde o STRE poderia ter tido melhor desempenho

Oei sugere que a Strategy deveria ter levado o STRE para outros mercados de negociação europeus. O ecossistema financeiro holandês ou alemão, por exemplo, poderia oferecer maior liquidez de mercado, spreads mais estreitos e uma acessibilidade ao varejo muito maior. Essas condições poderiam facilitar a aceitação do produto em escala.

A questão fundamental para Saylor e a Strategy é: a empresa continuará a focar na Europa como um campo estratégico de crescimento, aprendendo com a experiência do STRE? Ou continuará priorizando o mercado americano, onde a Strategy já lançou com sucesso quatro diferentes produtos de ações preferenciais perpétuas?

Desenvolvimentos paralelos: Captação de capital bem-sucedida no setor de mercados de previsão

Enquanto a Strategy enfrenta dificuldades com suas expansões na Europa, outros setores do ecossistema cripto mostram crescimento. A recém-criada empresa de venture capital 5c© Capital, apoiada pelas equipes de CEOs da Polymarket e Kalshi, está coletando capital especificamente para startups relacionadas a mercados de previsão. A meta é levantar até 35 milhões de dólares e apoiar cerca de 20 startups em fase inicial nos próximos dois anos. O foco está em infraestrutura e serviços como ferramentas de dados, fornecimento de liquidez e sistemas de conformidade – não diretamente nas bolsas. Essa rede de venture capital já atraiu mais de 20 investidores iniciais, incluindo um gestor de portfólio da Millennium Management.

Esse desenvolvimento paralelo mostra que, enquanto produtos financeiros tradicionais como as ações preferenciais europeias de Saylor enfrentam obstáculos estruturais, novas oportunidades surgem em outros setores do finanças descentralizadas. As lições do fracasso europeu do SSTRE podem ajudar a Strategy a planejar melhor futuras expansões internacionais – ou a empresa pode continuar focada nos mercados americanos já consolidados, onde a infraestrutura para esses produtos já está bem estabelecida.

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