Minha avó, todo ano vai ao templo queimar incenso.


Ela disse algo para Buda, eu ouvi uma vez.
Não era para pedir paz, nem para pedir riqueza.
Ela disse que neste ano juntou quinhentos reais.
Vai queimar duzentos para você.
Os outros trezentos, para comprar um par de sapatos para o neto.
Ela fez três reverências.
Se levantou.
Enfiou os duzentos reais na caixa de doações.
Depois tirou do bolso um punhado de moedas.
Cinco, dez, um real.
Contou três vezes.
Juntou os trezentos.
Levou-me até a cidade,
comprou um par de tênis esportivos.
Com desconto.
Setenta e nove reais.
Depois de chegar em casa, ela colocou os sapatos na minha cama.
Anexou um bilhete:
Buda disse,
que sapatos são melhores que incenso.
Ela nunca foi à escola.
Mas ela sabia,
que Buda não usaria sapatos.
Eu usaria.
No ano passado, ela faleceu.
Arrumando seus pertences,
encontrou um extrato bancário debaixo do travesseiro dela.
Dentro, depositava cinquenta reais todo mês.
Por dez anos.
Na parte de trás do extrato, estava escrito:
Para que o neto possa fazer faculdade.
Ela colocou o extrato no fundo da caixa de doações.
Não falou nada para Buda.
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