A Fidelity Investments enviou uma carta à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) ao Crypto Task Force em 20 de março de 2026, solicitando que a agência refine as regras para corretoras e intermediários que lidam com ativos cripto e estabeleça padrões mais claros para a negociação de valores mobiliários tokenizados em sistemas de negociação alternativos (ATS).
A carta, em resposta ao pedido de informações da Comissária Hester Peirce em dezembro de 2025 sobre como as bolsas de valores nacionais e plataformas ATS devem lidar com a negociação de ativos cripto, apresentou quatro recomendações principais, incluindo o desenvolvimento contínuo da regulamentação para corretoras, regras mais claras para valores mobiliários tokenizados, orientações para liquidação na cadeia e estruturas para coexistência entre intermediários tradicionais e plataformas descentralizadas. A Fidelity destacou a necessidade de preservar a proteção dos investidores, transparência e integridade do mercado ao integrar ativos digitais nas estruturas de mercado existentes.
A Fidelity apontou orientações recentes da SEC que esclarecem que corretoras podem custodiar tanto valores mobiliários de ativos cripto quanto ativos digitais não-valor mobiliário, considerando isso um passo “bem-vindo”, mas observando que ainda é necessária maior clareza sobre práticas de negociação e custódia. A empresa afirmou: “[Nós] aguardamos orientações adicionais sobre várias outras áreas críticas para que corretoras possam oferecer, custodiar e negociar ativos cripto e facilitar pares de negociação de cripto-valores mobiliários.”
A carta baseia-se em uma série de movimentos incrementais da SEC. Nos últimos meses, a agência esclareceu como as corretoras podem manter a custódia de ativos cripto e emitiu orientações sobre valores mobiliários tokenizados, sinalizando uma mudança gradual para acomodar infraestruturas financeiras baseadas em blockchain.
Um foco central da carta da Fidelity é a necessidade de regras mais claras que regulem valores mobiliários tokenizados em plataformas ATS. A empresa argumenta que a SEC deve “fornecer padrões claros que permitam às ATS facilitar a negociação no mercado secundário de valores mobiliários tokenizados criados por terceiros.”
A Fidelity observou que as corretoras devem poder confiar na classificação de um ativo tokenizado — seja como um valor mobiliário tradicional ou um instrumento mais complexo, como um swap baseado em valores mobiliários — sem assumir riscos legais excessivos: “Essa clareza é fundamental porque o status regulatório de um instrumento tokenizado depende de suas realidades econômicas, fatos-chave que podem não ser totalmente conhecidos por uma corretora.”
A empresa também pediu confirmação de que versões tokenizadas de valores mobiliários tradicionais geralmente devem ter o mesmo status regulatório que seus ativos subjacentes, o que poderia ajudar a reduzir a fragmentação entre os mercados na cadeia e os tradicionais.
A Fidelity destacou desafios operacionais na adoção de sistemas de ledger distribuído dentro das regras atuais, especialmente em relação à definição de registros e liquidação. A empresa argumenta que é necessária maior clareza para evitar encargos regulatórios não intencionais ao apoiar transações baseadas em blockchain: “A confirmação desse ponto é fundamental para permitir que as corretoras apoiem atividades de liquidação na cadeia sem incerteza regulatória e para facilitar o desenvolvimento ordenado desses mercados.”
A Fidelity recomendou que a SEC permita que as corretoras usem blockchain para registros e esclareceu que facilitar a liquidação na cadeia não deve classificá-las como agências de compensação, uma designação que implica requisitos regulatórios adicionais e encargos operacionais.
A Fidelity pediu à SEC que considere como os mercados intermediados tradicionais e as plataformas de negociação descentralizadas, ou “desintermediadas”, podem coexistir. Embora plataformas baseadas em blockchain possam oferecer benefícios como liquidação mais rápida, custos menores e maior transparência, a empresa observou que elas podem carecer das salvaguardas impostas aos intermediários regulados.
A empresa incentivou os reguladores a avaliarem estruturas de coexistência que preservem a proteção dos investidores, ao mesmo tempo em que permitam uma participação mais ampla no mercado.
A Comissária Hester Peirce, que lidera o Crypto Task Force da SEC, tem incentivado repetidamente as empresas que exploram tokenização a se envolverem diretamente com os reguladores, destacando uma postura mais aberta em comparação com abordagens anteriores de forte fiscalização. O pedido de informações de dezembro de 2025 que motivou a resposta da Fidelity buscou a opinião do setor sobre como as bolsas de valores nacionais e plataformas ATS devem lidar com a negociação de ativos cripto.
A Fidelity expressou amplo apoio aos esforços da SEC de adaptar estruturas legadas às tecnologias emergentes, afirmando: “Aplaudimos os esforços proativos do Grupo de Trabalho com as partes interessadas e seu compromisso em fomentar uma inovação responsável, ao mesmo tempo em que salvaguarda a integridade do mercado e a proteção dos investidores.”
A Fidelity busca moldar regulações mais claras que permitam uma negociação e custódia de cripto compatíveis dentro dos sistemas financeiros tradicionais. A empresa enviou suas recomendações em resposta ao pedido de informações do Crypto Task Force da SEC sobre como as bolsas de valores nacionais e plataformas ATS devem lidar com a negociação de ativos cripto.
A incerteza sobre a classificação de tokens e as responsabilidades das corretoras continua sendo uma barreira importante à adoção. A Fidelity enfatizou que as corretoras devem poder confiar na classificação de um ativo tokenizado sem assumir riscos legais excessivos, e pediu confirmação de que versões tokenizadas de valores mobiliários tradicionais devem ter o mesmo status regulatório que seus ativos subjacentes.
Regras mais claras podem acelerar a participação institucional e expandir a infraestrutura de negociação regulada. A Fidelity observou que plataformas baseadas em blockchain oferecem benefícios como liquidação mais rápida e custos menores, mas requerem estruturas de supervisão atualizadas para escalar de forma segura. Clareza sobre liquidação na cadeia e registros permitiria às corretoras apoiar essas atividades sem incerteza regulatória.