Nos últimos anos, os Contratos por Diferença (CFD) têm atraído uma grande quantidade de investidores de varejo devido às suas barreiras de entrada baixas e à flexibilidade de negociação. Mas muitas pessoas descobrem, após entrarem no mercado, que estas ferramentas podem ser muito mais perigosas do que imaginavam. Hoje vamos analisar os quatro riscos realmente fatais dos CFDs e as estratégias para enfrentá-los.
Primeira armadilha: Liquidação por alavancagem — a forma mais direta de explosão
Ao falar de CFDs, não podemos deixar de mencionar a alavancagem. A alavancagem é uma espada de dois gumes: usada corretamente, pode gerar grandes lucros; usada de forma errada, pode destruir sua conta.
Como isso acontece na prática? Suponha que você tenha 10.000 dólares de capital e decida negociar ouro. Com uma alavancagem de 100x, você controla uma posição de ouro avaliada em 1 milhão de dólares. Parece que o potencial de lucro é grande, mas, com cada variação de 1 dólar no preço do ouro, sua conta oscila em 1.000 dólares. Normalmente, o ouro varia cerca de 20 dólares por dia, então, se você errar na direção, sua conta pode zerar rapidamente.
Comparando as regras de futuros e CFDs, fica mais claro:
Dimensão
Contrato de Futuros
CFD
Alavancagem
Geralmente até 30x
Geralmente até 200x
Custos de negociação
Impostos + taxas
Spread (diferença entre preço de compra e venda)
Juros
Não
Sim, juros overnight
Necessidade de entrega
Sim
Não
Para sobreviver mais tempo, há duas regras de ferro: primeiro, manter a alavancagem real entre 3-5x, evite se deixar seduzir por alavancagens altas. A alavancagem serve para aumentar a eficiência do capital, não para apostar tudo de uma vez. Segundo, defina stop-loss antecipadamente, limitando a perda por operação a 2-3% do seu saldo, e para traders mais experientes, não mais que 10%. Muitos perdem por não aceitarem o erro, insistindo em não colocar stop, e acabam se aprofundando na perda.
Segunda armadilha: Problemas com a credibilidade da plataforma — dinheiro investido pode não voltar
Não pense que basta escolher qualquer plataforma para negociar, essa é uma das maiores armadilhas e riscos mais fatais.
Os riscos de plataformas se dividem em duas categorias: plataformas não reguladas e falências de plataformas.
Plataformas não reguladas são aquelas sem supervisão ou com licenças frágeis, muitas vezes de países pequenos, que operam de forma clandestina. Seus truques incluem atrair usuários com bônus e promoções, fazendo com que depositem dinheiro em contas privadas, não em contas de custódia regulamentadas. Quando acumulam fundos suficientes, simplesmente desaparecem. Como são empresas sem personalidade jurídica, sem país e sem supervisão, é praticamente impossível buscar reparação.
Já a falência de plataformas, embora menos comum, pode ser catastrófica. Em 2015, durante a forte valorização do franco suíço, uma plataforma de forex conhecida entrou em falência após um evento inesperado, com suas ações despencando 87%. Clientes de plataformas reguladas nos EUA puderam receber algum resgate, mas clientes de outros países ficaram sem nada.
Como evitar? Simples: abandone a mentalidade de buscar vantagens pequenas, escolha plataformas com boa reputação, respaldo de marcas confiáveis e regulamentação adequada, preferencialmente com longa história de operação. Quanto mais tempo a plataforma estiver no mercado, menor a chance de cometer erros básicos.
Terceira armadilha: Slippage e gaps — seu stop pode não funcionar
Este é um risco que os iniciantes muitas vezes ignoram.
Slippage ocorre em momentos de forte volatilidade. Normalmente, o spread é de alguns pontos, mas, durante a divulgação de dados econômicos importantes (como dados de emprego não agrícola) ou eventos geopolíticos inesperados, a liquidez desaparece repentinamente, e o spread pode se expandir de 0,04 para 10 ou mais.
Por exemplo: você coloca um stop de venda de GBP/USD em 1.2010, com um spread de 0,04, seu stop será acionado em 1.2006. Mas, se o spread se ampliar para 10, o preço de execução será em 1.2000, causando uma perda maior do que o esperado. Durante o Brexit, por exemplo, todos os pares de libra sofreram com esses gaps de slippage.
Gaps geralmente acontecem no fim de semana. Após o fechamento de sexta-feira, uma notícia importante pode fazer o mercado abrir com um gap na segunda-feira. Por exemplo, o ouro fechou a sexta a 1880 dólares, e, com notícias favoráveis, abriu na segunda a 1910. Se seu stop estiver abaixo de 1910, ele será acionado ao preço de abertura, gerando uma perda que depende do gap.
Slippage e gaps são, em certa medida, imprevisíveis. Para sobreviver, o mais importante é focar na gestão de capital e risco, não tentar evitá-los completamente. Use stops, controle o tamanho das posições e diversifique os riscos. Assim, mesmo com slippage ou gaps, você consegue evitar perdas catastróficas.
Quarta armadilha: Variações nos juros overnight — lucros de arbitragem podem ser alterados pela plataforma
Para quem mantém posições por mais tempo, esse risco é especialmente oculto.
Os CFDs podem pagar juros overnight (Swap), e alguns traders usam essa estratégia para arbitragem entre mercados: vendendo ou comprando CFDs enquanto fazem hedge em futuros ou mercado à vista, buscando lucros sem risco. Parece ótimo, mas o problema é que o cálculo do juro overnight não é fixo.
Além da taxa de juros da moeda, a plataforma pode ajustar dinamicamente a taxa de juros com base na proporção de posições longas e curtas dos usuários. Às vezes, ela altera diretamente a taxa de juros. Assim, sua estratégia de arbitragem, cuidadosamente planejada, pode ser prejudicada por uma mudança na plataforma — você ainda não lucrou o suficiente para cobrir o spread e as taxas, e precisa decidir se mantém a posição na esperança de que a plataforma ajuste novamente, ou sai com prejuízo.
Como lidar com esse risco? Diversifique sua carteira de investimentos. Em vez de apostar tudo em uma única estratégia de arbitragem, crie 2-3 combinações diferentes. Assim, mesmo que uma delas seja prejudicada por alterações nos juros overnight, as outras podem equilibrar o risco. Para grandes volumes, essa prática de “abrir mão de parte do lucro para ganhar estabilidade” é comum.
Resumo
Os quatro principais riscos dos CFDs — liquidação por alavancagem, credibilidade da plataforma, slippage e gaps, e variações nos juros overnight — são reais e presentes. Mas também têm soluções.
Para negociar com segurança, o foco deve estar em dois pontos principais: escolher uma plataforma confiável (regulada, com boa reputação) e controlar sua disciplina de negociação (usar alavancagem adequada, colocar stops rigorosos, diversificar posições). Se fizer isso, os CFDs deixarão de ser uma ferramenta de golpe e passarão a ser um complemento eficiente na sua estratégia de alocação de ativos.
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Por que é tão fácil perder dinheiro ao fazer contratos por diferença (CFD)? Os quatro principais riscos explicados de uma vez
Nos últimos anos, os Contratos por Diferença (CFD) têm atraído uma grande quantidade de investidores de varejo devido às suas barreiras de entrada baixas e à flexibilidade de negociação. Mas muitas pessoas descobrem, após entrarem no mercado, que estas ferramentas podem ser muito mais perigosas do que imaginavam. Hoje vamos analisar os quatro riscos realmente fatais dos CFDs e as estratégias para enfrentá-los.
Primeira armadilha: Liquidação por alavancagem — a forma mais direta de explosão
Ao falar de CFDs, não podemos deixar de mencionar a alavancagem. A alavancagem é uma espada de dois gumes: usada corretamente, pode gerar grandes lucros; usada de forma errada, pode destruir sua conta.
Como isso acontece na prática? Suponha que você tenha 10.000 dólares de capital e decida negociar ouro. Com uma alavancagem de 100x, você controla uma posição de ouro avaliada em 1 milhão de dólares. Parece que o potencial de lucro é grande, mas, com cada variação de 1 dólar no preço do ouro, sua conta oscila em 1.000 dólares. Normalmente, o ouro varia cerca de 20 dólares por dia, então, se você errar na direção, sua conta pode zerar rapidamente.
Comparando as regras de futuros e CFDs, fica mais claro:
Para sobreviver mais tempo, há duas regras de ferro: primeiro, manter a alavancagem real entre 3-5x, evite se deixar seduzir por alavancagens altas. A alavancagem serve para aumentar a eficiência do capital, não para apostar tudo de uma vez. Segundo, defina stop-loss antecipadamente, limitando a perda por operação a 2-3% do seu saldo, e para traders mais experientes, não mais que 10%. Muitos perdem por não aceitarem o erro, insistindo em não colocar stop, e acabam se aprofundando na perda.
Segunda armadilha: Problemas com a credibilidade da plataforma — dinheiro investido pode não voltar
Não pense que basta escolher qualquer plataforma para negociar, essa é uma das maiores armadilhas e riscos mais fatais.
Os riscos de plataformas se dividem em duas categorias: plataformas não reguladas e falências de plataformas.
Plataformas não reguladas são aquelas sem supervisão ou com licenças frágeis, muitas vezes de países pequenos, que operam de forma clandestina. Seus truques incluem atrair usuários com bônus e promoções, fazendo com que depositem dinheiro em contas privadas, não em contas de custódia regulamentadas. Quando acumulam fundos suficientes, simplesmente desaparecem. Como são empresas sem personalidade jurídica, sem país e sem supervisão, é praticamente impossível buscar reparação.
Já a falência de plataformas, embora menos comum, pode ser catastrófica. Em 2015, durante a forte valorização do franco suíço, uma plataforma de forex conhecida entrou em falência após um evento inesperado, com suas ações despencando 87%. Clientes de plataformas reguladas nos EUA puderam receber algum resgate, mas clientes de outros países ficaram sem nada.
Como evitar? Simples: abandone a mentalidade de buscar vantagens pequenas, escolha plataformas com boa reputação, respaldo de marcas confiáveis e regulamentação adequada, preferencialmente com longa história de operação. Quanto mais tempo a plataforma estiver no mercado, menor a chance de cometer erros básicos.
Terceira armadilha: Slippage e gaps — seu stop pode não funcionar
Este é um risco que os iniciantes muitas vezes ignoram.
Slippage ocorre em momentos de forte volatilidade. Normalmente, o spread é de alguns pontos, mas, durante a divulgação de dados econômicos importantes (como dados de emprego não agrícola) ou eventos geopolíticos inesperados, a liquidez desaparece repentinamente, e o spread pode se expandir de 0,04 para 10 ou mais.
Por exemplo: você coloca um stop de venda de GBP/USD em 1.2010, com um spread de 0,04, seu stop será acionado em 1.2006. Mas, se o spread se ampliar para 10, o preço de execução será em 1.2000, causando uma perda maior do que o esperado. Durante o Brexit, por exemplo, todos os pares de libra sofreram com esses gaps de slippage.
Gaps geralmente acontecem no fim de semana. Após o fechamento de sexta-feira, uma notícia importante pode fazer o mercado abrir com um gap na segunda-feira. Por exemplo, o ouro fechou a sexta a 1880 dólares, e, com notícias favoráveis, abriu na segunda a 1910. Se seu stop estiver abaixo de 1910, ele será acionado ao preço de abertura, gerando uma perda que depende do gap.
Slippage e gaps são, em certa medida, imprevisíveis. Para sobreviver, o mais importante é focar na gestão de capital e risco, não tentar evitá-los completamente. Use stops, controle o tamanho das posições e diversifique os riscos. Assim, mesmo com slippage ou gaps, você consegue evitar perdas catastróficas.
Quarta armadilha: Variações nos juros overnight — lucros de arbitragem podem ser alterados pela plataforma
Para quem mantém posições por mais tempo, esse risco é especialmente oculto.
Os CFDs podem pagar juros overnight (Swap), e alguns traders usam essa estratégia para arbitragem entre mercados: vendendo ou comprando CFDs enquanto fazem hedge em futuros ou mercado à vista, buscando lucros sem risco. Parece ótimo, mas o problema é que o cálculo do juro overnight não é fixo.
Além da taxa de juros da moeda, a plataforma pode ajustar dinamicamente a taxa de juros com base na proporção de posições longas e curtas dos usuários. Às vezes, ela altera diretamente a taxa de juros. Assim, sua estratégia de arbitragem, cuidadosamente planejada, pode ser prejudicada por uma mudança na plataforma — você ainda não lucrou o suficiente para cobrir o spread e as taxas, e precisa decidir se mantém a posição na esperança de que a plataforma ajuste novamente, ou sai com prejuízo.
Como lidar com esse risco? Diversifique sua carteira de investimentos. Em vez de apostar tudo em uma única estratégia de arbitragem, crie 2-3 combinações diferentes. Assim, mesmo que uma delas seja prejudicada por alterações nos juros overnight, as outras podem equilibrar o risco. Para grandes volumes, essa prática de “abrir mão de parte do lucro para ganhar estabilidade” é comum.
Resumo
Os quatro principais riscos dos CFDs — liquidação por alavancagem, credibilidade da plataforma, slippage e gaps, e variações nos juros overnight — são reais e presentes. Mas também têm soluções.
Para negociar com segurança, o foco deve estar em dois pontos principais: escolher uma plataforma confiável (regulada, com boa reputação) e controlar sua disciplina de negociação (usar alavancagem adequada, colocar stops rigorosos, diversificar posições). Se fizer isso, os CFDs deixarão de ser uma ferramenta de golpe e passarão a ser um complemento eficiente na sua estratégia de alocação de ativos.