Ouro em 2025-2026: atingirá os 5000 dólares ou uma correção está a caminho?

Desempenho impressionante e números que falam por si

O preço do ouro nunca tinha visto uma subida tão empolgante nos últimos anos. Começou o ano a 2.798 dólares e acelerou de forma rápida, quebrando todas as previsões anteriores. O pico ocorreu em meados de outubro, com 4.381 dólares por onça, ou seja, um aumento superior a 50% desde o início do ano. Até os analistas que previam altas fortes — como o JPMorgan — encontraram-se mais conservadores nas suas previsões iniciais.

Este aumento não veio do nada. Por trás de cada salto no preço existem fatores reais: fraqueza do dólar americano, expectativas de redução das taxas de juros, compras maciças por bancos centrais globais, e acima de tudo, incerteza política e tensões geopolíticas que fizeram os investidores verem o ouro como um refúgio indispensável.

Jornada do preço durante 2025: de estabilidade ao estouro

O primeiro trimestre começou com cautela. O preço atingiu 2.251 dólares em janeiro antes de saltar para 2.894 dólares em fevereiro. Os bancos centrais asiáticos estavam comprando ativamente, e a procura chinesa estava elevada.

O segundo trimestre impulsionou ainda mais o preço. Chegou a 3.304 dólares em março e estabilizou-se entre 3.200-3.350 dólares nos meses seguintes.

O terceiro trimestre viu uma aceleração notável. Setembro marcou 3.770 dólares — um marco que indicava que o mercado se dirigia para algo maior. Os especialistas começaram a falar na quebra da barreira dos 4.000 dólares.

O quarto trimestre: final de outubro atingiu o pico de 4.381 dólares. Depois caiu um pouco, estabilizando-se em torno de 4.063 dólares em novembro. O ouro viveu o seu ano mais forte na última década.

O que dizem os especialistas para o próximo ano?

As opiniões são otimistas, mas com condições:

JPMorgan mais otimista: previsão de 5.000 dólares até 2026, e 4.900 dólares no último trimestre do ano.

Goldman Sachs equilibrado: vê 4.000 dólares como mínimo provável até meados de 2026, com um cenário otimista chegando a 4.900 dólares.

Morgan Stanley realista: prevê 4.500 dólares por onça até meados de 2026, apoiado por fundos de investimento e bancos centrais.

Standard Chartered espera 4.300 dólares até o final de 2025 e 4.500 dólares nos próximos 12 meses.

HSBC e ANZ: a primeira prevê 5.000 dólares, e a segunda estima 4.400 dólares até o final de 2025 e 4.600 dólares até meados de 2026.

Bank of America é mais cauteloso: vê 4.000 dólares como objetivo até o terceiro trimestre de 2026.

Os verdadeiros impulsionadores do aumento

A inflação ainda não acabou: a taxa de inflação em setembro foi de 3% ao ano — acima da meta do Federal Reserve de 2%. O ouro continua sendo a arma mais eficaz de proteção.

O dólar está a recuar: sempre que o dólar enfraquece, o ouro sobe. As carteiras denominadas em dólares perdem valor, levando os investidores às commodities preciosas.

Bancos centrais continuam comprando: especialmente países emergentes que buscam reduzir a dependência do dólar. Cada compra apoia os preços.

Incerteza política: eleições, tensões geopolíticas, conflitos regionais — tudo leva os investidores a buscar refúgios seguros.

Fundos de investimento: fluxos maciços para ETFs de ouro se traduziram em uma procura real pelo metal.

E se o aumento esperado não acontecer?

Existem riscos. Se o Federal Reserve decidir voltar a aumentar as taxas (em vez de cortá-las), a procura pode desabar. Se algumas grandes crises geopolíticas se resolverem, a procura por refúgios seguros pode diminuir. Uma saída em massa de fundos de ouro pode pressionar fortemente os preços.

Os fatores que movem o preço do ouro

Inflação: é o principal motor. Preços em alta = poder de compra em baixa = aumento da procura por ouro.

Políticas dos bancos centrais: decisões de taxas de juros determinam se há atração pelo ouro ou por depósitos em dinheiro.

Força do dólar: relação inversa — dólar forte enfraquece o ouro e vice-versa.

Geopolítica: guerras, tensões, eleições inesperadas = aumento da procura por refúgios seguros.

Procura real: joalharia na Índia e China, usos industriais, fundos de investimento.

Oferta das minas: relativamente limitada, mas qualquer interrupção na produção pode impulsionar os preços.

Investir em ouro: caminho rápido ou estabilidade?

( Especulação de curto prazo

Contratos futuros de ouro e CFDs permitem lucros com a volatilidade diária. Com alavancagem de 1:100, um depósito de 1.000 dólares controla 100.000 dólares em ouro. Mas a alavancagem é uma espada de dois gumes — aumenta lucros e perdas.

Exemplo: se prever que o ouro vai subir de 3.700 para 3.710 dólares, abre uma posição de compra e lucra 1.000 dólares com um capital de 1.000 dólares. Mas se cair 10 dólares em vez de subir, perde 1.000 dólares — ou seja, todo o seu capital.

Vantagens: lucros rápidos, alta flexibilidade, sem necessidade de possuir ouro físico.

Riscos: exige acompanhamento diário, custos elevados de negociação, perdas potenciais.

) Investimento de longo prazo

Compra de lingotes ou moedas de ouro, ou investimento em fundos lastreados em ouro — outro caminho.

Vantagens: maior segurança, proteção contra inflação, sem preocupações com o timing.

Riscos: pode não gerar lucros rápidos, custos de armazenamento e seguro, ouro não rende juros como ações.

Dicas antes de começar

1. Entenda o que faz: estude os fatores que influenciam, acompanhe previsões de especialistas, não entre de forma impulsiva.

2. Defina seus objetivos: quer proteção contra inflação? Lucros rápidos? Diversificação de carteira?

3. Avalie sua tolerância ao risco: o ouro é volátil, especialmente no curto prazo. Quanto está disposto a perder?

4. Monitore sua carteira: se a proporção de ouro ficar excessiva, reequilibre seus ativos.

5. Siga seu plano: não deixe as emoções guiarem suas decisões. Disciplina é a chave do sucesso.

6. Cuidado com a alavancagem: pode multiplicar seus lucros por 100, mas também pode apagar seu capital.

Resumo: o ouro realmente vai subir?

Todos os sinais apontam para sim, mas não há garantias. Os dados apoiam previsões na faixa de 4.000 - 5.000 dólares por onça em 2025-2026. O suporte fundamental é forte: inflação, demanda global, compras governamentais, incerteza política.

Mas há condições: se o Federal Reserve mudar de política de repente, ou se as crises geopolíticas terminarem, ou se os investidores saírem em massa do ouro, a imagem pode mudar.

No final, o ouro não é um investimento só para os ricos — é uma ferramenta real de preservação de riqueza em meio ao caos econômico e político. Se pensa em adicioná-lo à sua carteira, comece com uma compreensão clara dos seus objetivos, crie um plano racional e siga-o. O sucesso vem para os disciplinados, não para os apostadores.

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