Suficiência na abordagem de vida: da teoria à prática

Nos últimos dezenas de anos, muitos tailandeses têm aplicado o conceito de economia suficiente na sua vida diária, desde a gestão doméstica até à atividade profissional, tanto na agricultura como em diversos setores empresariais. O sucesso deste conceito em ajudar as pessoas a superar crises económicas reforçou a compreensão da importância de viver de forma equilibrada.

Suficiência na atividade profissional: estudo de caso de várias indústrias

Alcançar sucesso nos negócios não se resume apenas a buscar lucros máximos, mas a estabelecer uma base sólida com pensamento cuidadoso. Os empresários que adotam o conceito de economia suficiente tendem a utilizar recursos de forma eficiente, evitando investimentos excessivos desnecessários. É importante que os empresários deem prioridade a níveis de produção compatíveis com a sua capacidade de gestão.

No que diz respeito ao lucro, negócios com menor ganância, mas estáveis a longo prazo, costumam dar melhores resultados. Este conceito também incentiva os empresários a criar sistemas de proteção contra riscos, seja por mudanças no mercado, gestão de custos ou problemas laborais. Além disso, a venda de matérias-primas locais e a resposta às necessidades do mercado local ajudam a reduzir custos de transporte e a fortalecer as relações com os clientes.

Auto-suficiência através da agricultura: estrutura e métodos de prática

Para as comunidades agrícolas na Tailândia, o conceito de suficiência manifesta-se claramente na forma de cultivo de arroz em sistemas de fazendas mistas. Agricultores que cultivam várias espécies de plantas, criam diferentes tipos de animais e ajustam os sistemas de colheita de acordo com as estações criaram uma vida independente do mercado de bens de consumo importados.

Muitas regiões da Tailândia desenvolveram novos sistemas agrícolas, dividindo o espaço em diferentes zonas para uma gestão adequada e redução de riscos. Este método é conhecido como “nova teoria”, podendo dividir-se em três níveis: desde o básico (para famílias que desejam autossuficiência) até ao nível avançado (quando vários agricultores se unem para criar mercados e poder de negociação) e, por último, (para o desenvolvimento económico comunitário através de cooperativas e troca de conhecimentos).

Estrutura de princípios para objetivos de vida: componentes principais

Primeiro: Três pilares (Three Principles) Viver de forma equilibrada na linha do meio pode ser dividido em três componentes essenciais:

Moderação - Limitar-se de acordo com as próprias capacidades, seja na obtenção de renda (por meios honestos) ou nos gastos (gastando apenas o que se ganha, sem empréstimos excessivos). Esta moderação ajuda a criar equilíbrio na vida.

Razão - Decisões devem ser tomadas após compreensão e análise, seja ao iniciar um negócio, avaliando o próprio potencial, planejando de acordo com a viabilidade, ou evitando decisões impulsivas.

Sistema de proteção eficaz - Preparar-se para lidar com quaisquer mudanças, como clima imprevisível, mercados voláteis ou problemas de saúde, permitindo adaptação rápida e uso de novas informações ou métodos.

Segundo: Duas condições (Two Conditions)

Estas duas condições formam a base para escolhas e decisões:

Conhecimento - É necessário aprender de várias fontes, seja por educação formal, experiência própria ou conhecimentos de especialistas. Este amplo conhecimento permite decisões melhores e resolução eficiente de problemas.

Virtudes - Conduzir a vida com honestidade, integridade, diligência e justiça social gera confiança e equilíbrio nas ações.

Origem deste conceito: percurso de desenvolvimento da economia suficiente

Em 1974, o Rei Bhumibol Adulyadej, na sua sabedoria, instruiu estudantes na Universidade de Kasetsart a focar na construção de uma base de “suficiência: ter o suficiente, comer o suficiente, usar o suficiente”, que deu origem a este conceito.

Naquele momento, a Tailândia estava a fazer investimentos maciços em infraestrutura, principalmente através de empréstimos estrangeiros, com o objetivo de transformar a economia para a industrialização. Apesar do rápido crescimento econômico, os efeitos colaterais negativos acumulavam-se — destruição do meio ambiente, desmatamento e aumento da desigualdade de renda.

Em 1996, um ano antes da crise financeira asiática, o rei reforçou que “ser um tigre não é o objetivo; o mais importante é uma economia de suficiente”. Assim, o governo e o povo começaram a valorizar mais este conceito.

Quando a crise financeira de 1997 atingiu a Tailândia, muitos países foram afetados, mas a economia simples e autossuficiente do país, baseada na produção de alimentos e bens essenciais, sofreu menos danos. Outros países mais desenvolvidos começaram a reconhecer a economia suficiente como uma ferramenta de resiliência global.

Em 2006, as Nações Unidas reconheceram o Rei Bhumibol e a filosofia da economia suficiente como “Rei Desenvolvedor”, concedendo-lhe o “Prémio de Realização de Desenvolvimento Humano ao Longo da Vida”, reconhecendo a importância de um conceito alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Aplicação desta filosofia na vida atual: começando por si próprio

A implementação da economia suficiente a nível individual e familiar deve começar por estabelecer uma base sólida antes de se expandir para a sociedade. Os pontos principais incluem:

  • Educação e desenvolvimento de habilidades - Aprender sobre a atividade profissional desejada para garantir uma fonte de rendimento estável.

  • Prática com paciência - Toda atividade exige perseverança e cooperação.

  • Atuar com honestidade - Obter rendimentos de forma correta, sem prejudicar ninguém.

  • Equilíbrio na vida - Equilibrar trabalho e vida pessoal para evitar stress ou doenças.

  • Planeamento financeiro - Poupar e planear o futuro de forma cuidadosa.

  • Gastos adequados - Utilizar recursos de acordo com a situação, evitando desperdícios e gastos desnecessários.

  • Julgamento antes de decidir - Antes de agir, recolher informações, planear e avaliar cuidadosamente os possíveis resultados.

Resumo: Suficiência é uma solução, não uma pobreza

Nos últimos mais de 30 anos, a suficiência tornou-se parte da cultura de vida dos tailandeses. O conceito principal é que as pessoas devem produzir para si mesmas, economizar gastos e gerar renda a partir do que produzem. Se forem consumidores, devem consumir de forma moderada.

Compreender profundamente este conceito é fundamental no mundo atual, pois a capacidade de controlar os fatores de produção próprios ajuda a reduzir riscos. Enquanto o mercado global incentiva a ganância, a suficiência é uma joia bruta de segurança e estabilidade.

Com a maioria da população envolvida na agricultura, se o país fortalecer a mentalidade de suficiência, poderá crescer de forma sustentável, proporcionando uma vida mais estável para todos.

Por fim, o conceito de suficiência não se limita à agricultura, podendo ser aplicado em todas as áreas económicas, incluindo finanças, indústria, imobiliário e comércio internacional. Basta seguir os princípios do caminho do meio, lembrando que a prioridade deve ser segurança e sustentabilidade, não a maximização de lucros à custa de outros fatores.

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