TIR: A Métrica Que Nenhum Investidor em Obrigações Deveria Ignorar

Quando falas de rentabilidade real em renda fixa, a maioria pensa só no cupão. Erro. A verdadeira rentabilidade depende de algo mais profundo: a fórmula TIR ou Taxa Interna de Retorno. Este indicador é o que realmente te mostra quanto vais ganhar (ou perder) se mantiveres esse título até ao vencimento.

Por que é tão importante? Porque dois títulos com o mesmo cupão podem oferecer-te rentabilidades completamente distintas dependendo do preço a que os compres. Veremos porquê.

Entendendo Como Funciona um Título Ordinário

Antes de falar de cálculos, precisas saber o que acontece com um título de renda fixa tradicional. Imagina que compras um título pelo seu valor nominal. Durante a sua vigência receberás pagamentos periódicos de juros (cupões), sejam anuais, semestrais ou trimestrais. Quando vence o título, o emissor devolve-te o nominal mais o último cupão.

Mas aqui está a chave: esse título não mantém o mesmo preço durante a sua vida. Flutua constantemente de acordo com a evolução das taxas de juro, a qualidade de crédito do emissor e outros fatores.

Suponhamos um título de cinco anos. À medida que passa o tempo, o seu valor oscila. Se o compras quando o seu preço está abaixo do valor nominal (compra abaixo do par), colhes um ganho adicional quando vence. Se o compras acima (compra acima do par), assumes uma perda garantida na reversão ao nominal.

A Rentabilidade Real: Mais Além do Cupão

Aqui é onde entra a TIR ou Taxa Interna de Retorno. Esta taxa de juro percentual captura não só os cupões que recebes, mas também o ganho ou perda que obténs pela diferença de preço.

Tomemos um exemplo concreto: tens dois títulos para escolher.

Título A: paga um cupão de 8%, mas o compras a 105 €. Título B: paga um cupão de 5%, mas o compras a 99 €.

Se apenas olhasses para o cupão, escolherias A. Mas a realidade é diferente. O título A sofre uma penalização porque o compras acima do nominal. Quando vence, só receberás 100 €, gerando uma perda de 5 € na reversão. O título B, por outro lado, gera um ganho de 1 € ao vencer.

Quando calculas a TIR de ambos, descobres que B é mais rentável. A fórmula TIR captura exatamente isto.

Como Se Calcula: A Fórmula TIR

A fórmula que precisas conhecer é:

Preço Atual = C/(1+TIR) + C/(1+TIR)² + C/(1+TIR)ⁿ + N/(1+TIR)ⁿ

Onde:

  • C = cupão
  • N = valor nominal
  • n = períodos até vencimento
  • TIR = a taxa que procuras determinar

Parece complicado, mas vejamos com números reais.

Cenário 1: Título a 94,5 €, cupão de 6% ao ano, vence em 4 anos.

Aplicando a fórmula, obténs uma TIR de 7,62%. Observa que é superior ao cupão de 6% porque compraste abaixo do par. Essa margem extra até ao nominal soma-se aos teus retornos.

Cenário 2: O mesmo título mas cotando a 107,5 €.

Agora a TIR cai para 3,93%. O sobrepreço pago penaliza-te, diluindo essa rentabilidade anual de 6%.

Para não te perderes em operações matemáticas complexas, existem calculadoras online que fazem o trabalho. Só precisas inserir o preço, o cupão e o tempo, e obténs a TIR automaticamente.

Diferenciando: TIR, TIN, TAE e Juros Técnicos

É fundamental não confundir estas métricas:

TIR (Taxa Interna de Retorno): Captura a rentabilidade completa descontando todos os fluxos de caixa e o preço de compra atual. É a métrica mais precisa para títulos.

TIN (Tipo de Juros Nominal): É o tipo puro que acordas com a tua contraparte, sem considerar despesas adicionais. A forma mais básica de expressar um juro.

TAE (Taxa Anual Equivalente): Inclui despesas que não aparecem no TIN. Num crédito hipotecário, por exemplo, podes ver um TIN de 2% mas uma TAE de 3,26%, porque esta última soma comissões e seguros. É o que recomenda o Banco de Espanha para comparar ofertas.

Juros Técnicos: Usados principalmente em seguros de poupança. Incluem custos adicionais como o seguro de vida integrado no produto.

Factores que Movem a Tua TIR

Três elementos principais influenciam o resultado:

Cupão: Quanto maior o cupão, maior a TIR. É direto. Quanto menor o cupão, menor a rentabilidade potencial.

Preço de Compra: Se compras abaixo do par, a tua TIR sobe. Se compras acima do par, a tua TIR desce. A reversão ao nominal joga sempre a teu favor ou contra, dependendo do preço inicial.

Características Especiais: Certos títulos têm variáveis adicionais. Um convertível verá a sua TIR afetada pela evolução da ação subjacente. Um título indexado à inflação oscilará com mudanças económicas.

O Aviso Final: A Qualidade de Crédito Importa

A TIR mostra-te a rentabilidade potencial, mas nunca ignores a solvência do emissor. Um título grego chegou a cotizar com uma TIR superior a 19% durante a crise do Grexit. Parecia uma oportunidade extraordinária. Na realidade, esse rendimento astronómico refletia risco de incumprimento massivo.

Só o resgate europeu evitou que a Grécia incumprisse os seus pagamentos. Moral da história: uma TIR alta sem fundamentos de crédito sólidos é uma armadilha.

A fórmula TIR é a tua aliada para detectar os investimentos em títulos realmente atrativos, mas sempre combina-a com análise de risco de crédito. Assim, escolherás títulos com rentabilidade genuína, não miragens numéricas.

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