Se o seu próprio dinheiro deseja crescer, por que razão deve gerir fundos de investimento?

Caso ainda não conheça fundos de investimento, comece por aqui

Imagine que tem uma certa quantia de dinheiro, mas não tem conhecimento suficiente para escolher ações por si próprio ou não tem tempo para gerir a sua carteira de investimentos. O que faria? É aqui que os fundos de investimento entram em cena.

Um fundo de investimento simples é como uma “pote de dinheiro” que reúne fundos de muitos investidores e é gerido por profissionais financeiros certificados por entidades reguladoras (como a Comissão de Valores Mobiliários e de Seguros), que investem esses fundos em diversos ativos de acordo com uma política definida, seja ações, títulos de dívida ou commodities.

Quando os investimentos geram retorno, esse benefício é repartido entre os investidores proporcionalmente à sua participação. A vantagem deste método é que investidores individuais podem aceder a diversos tipos de investimento, mesmo com um capital limitado.

Por que deve investir em fundos de investimento: 3 vantagens que precisa saber

Diversificação de risco

Ao reunir fundos de muitos investidores, o montante total é suficiente para diversificar em vários ativos, como ações nacionais e internacionais, títulos de dívida ou commodities agrícolas. Essa diversificação reduz o impacto de problemas em um ativo específico na performance global do fundo.

Gestão por profissionais especializados

O seu dinheiro não fica parado, é gerido por gestores experientes que passam por treinamentos e exames de qualificação conforme regulamentos. Além disso, todas as operações são regularmente auditadas por órgãos reguladores do mercado de capitais, garantindo transparência e proteção ao investidor.

Adequado para quem não tem tempo

Investidores iniciantes ou pessoas sem tempo para estudar o mercado, gerir a carteira ou fazer ajustes conforme as condições, encontram nos fundos de investimento uma ferramenta adequada, pois tudo já está organizado e gerido por profissionais.

Quantos tipos de fundos existem: classificados pelo método de recompra

Fundos fechados vs fundos abertos

Fundos fechados funcionam como contratos de longo prazo. Os investidores compram unidades de participação numa única ocasião durante a captação de recursos. Após isso, não podem comprar ou vender unidades até ao final do período de captação (normalmente 5-10 anos), quando recebem o dinheiro de volta. A vantagem é que os gestores têm tempo suficiente para planejar os investimentos. A desvantagem é que, se precisar de dinheiro de emergência, não pode vender suas unidades.

Fundos abertos permitem comprar e vender unidades de participação a qualquer momento. Quando precisar de dinheiro, pode solicitar a recompra e receber em dinheiro líquido (normalmente no dia seguinte), oferecendo maior flexibilidade, embora aumente o risco de liquidez do fundo.

Tipos de fundos segundo a política de investimento: qual escolher

Fundo de mercado monetário: máxima segurança

Investem apenas em depósitos e títulos de dívida de curto prazo, oferecendo retornos típicos (cerca de 1-3% ao ano), com risco muito baixo. Ideal para quem está a acumular capital ou quer guardar dinheiro de forma segura.

Fundo de títulos de dívida: bom equilíbrio

Investem em títulos do governo, títulos de empresas públicas e debêntures, oferecendo retornos superiores ao fundo de mercado monetário (cerca de 3-5%), com risco ainda baixo a moderado.

Fundo misto: para investidores moderados

Investem em títulos de dívida (e) ações, com uma proporção de ações até 80%. Oferecem retornos mais elevados, mas com maior risco, sendo adequado para quem aceita alguma volatilidade.

( Fundo flexível: para quem gosta de movimentar

Sem limites na proporção de ativos, o gestor pode ajustar entre 0% a 100% em ações conforme as previsões do mercado. Se o mercado estiver em alta, aumenta a exposição em ações; se estiver a cair, reduz. Assim, potencialmente oferece maiores retornos, com maior risco.

) Fundo de ações: para investidores agressivos

Investem pelo menos 80% do portefólio em ações, com potencial de altos retornos, mas também maior volatilidade. Adequado para quem tem horizonte de investimento longo ###a partir de 5 anos### e consegue tolerar variações no valor do fundo.

( Fundo setorial: aposta em setores específicos

Investem apenas em ações de um setor, como bancos, telecomunicações ou transporte. Oferecem potencial de altos retornos, mas com risco aumentado, pois estão concentrados numa única área. Ideal para quem prevê crescimento nesse setor.

) Fundo de ativos alternativos: para quem gosta de movimentar bastante

Investem em commodities como ouro, petróleo, trigo, com preços altamente voláteis. Oferecem potencial de altos retornos, mas com risco máximo. Destinado a quem deseja diversificar além dos ativos tradicionais e aceita riscos elevados.

Como escolher o fundo de investimento adequado a si

Passo 1: Avalie-se primeiro

Pergunte-se: se o seu investimento cair 20%? 30%? 50%? Essa é a sua tolerância ao risco. Anote esse limite para compará-lo com a volatilidade de diferentes fundos.

Passo 2: Analise o cenário econômico atual

Quando a economia está em alta, é melhor investir em ações; quando está em baixa, prefira títulos de dívida. Essa análise ajuda a reduzir o número de fundos a considerar.

Passo 3: Estude os detalhes do fundo

Reduza a lista para 3-5 fundos, leia o prospecto para entender condições de compra e venda, liquidez, distribuição de rendimentos e taxas, para ter uma visão completa.

Passo 4: Verifique o desempenho passado

Escolha fundos com bom retorno e baixa volatilidade ###se possível@, e diversifique de forma adequada. Analise o desempenho dos últimos 3-5 anos, não apenas de um ano.

Passo 5: Acompanhe regularmente

Após investir, revise a cada 3-6 meses se o cenário econômico mudou. Se houver mudanças significativas, pode ser necessário trocar de fundo posteriormente.

Por que o retorno não aparece imediatamente e como avaliá-lo

Ao comprar unidades de participação, o lucro ou prejuízo real só se concretiza quando vender as unidades. Até lá, há duas formas de retorno:

Ganho de capital (lucro com a variação do preço)

Calculado pelo NAV ###Valor Líquido do Ativo(, que é baseado no valor dos ativos do fundo ao final do dia, menos dívidas e despesas. Se o NAV de hoje for maior que o dia da compra, há lucro )não realizado(; se for menor, há prejuízo.

Dividendos )rendimentos distribuídos(

Alguns fundos distribuem rendimentos em dinheiro periodicamente, sem necessidade de vender unidades, proporcionando retorno imediato mesmo sem venda.

Para calcular o retorno real, deve-se considerar ambos os componentes.

Conclusão: dinheiro parado ou dinheiro a crescer

Num mundo de custos de vida em constante aumento, deixar o dinheiro parado significa aceitar que ele está a perder valor. Os fundos de investimento são uma ferramenta que oferece opções, mesmo com conhecimento limitado, experiência reduzida, pouco tempo ou capital pequeno.

Não há uma fórmula mágica que sirva para todos, mas há fundos adequados a si. O resto é apenas começar, acompanhar e ajustar sempre.

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