A questão que tem assombrado a comunidade cripto há mais de 16 anos permanece sem resposta: Satoshi Nakamoto está vivo? Em 5 de abril de 2025, o criador anónimo do Bitcoin teria celebrado o seu 50º aniversário — ou assim sugere o perfil disponível publicamente. No entanto, essa data em si pode ser apenas um símbolo elaborado. Em vez de uma entrada genuína de certidão de nascimento, a maioria dos investigadores de blockchain acredita que Nakamoto selecionou deliberadamente essa data para homenagear a história monetária. Em 5 de abril de 1933, foi assinado o Decreto Executivo 6102, que proibia os cidadãos americanos de possuírem ouro. O ano de 1975 representa o momento em que essa proibição foi finalmente revogada, permitindo novamente a posse de ouro. Essa escolha reflete eloquentemente a filosofia libertária de Nakamoto: Bitcoin como ouro digital, existindo além do alcance dos governos.
O Bitcoin transformou-se numa força que remodela as finanças globais. Com o seu valor a ultrapassar os $126.000 no pico máximo, a rede alcançou o que parecia impossível em 2008 — adoção e reconhecimento mainstream. No entanto, enquanto o Bitcoin prospera, o seu criador permanece ausente do discurso público, a sua própria existência é uma questão de especulação.
A Questão da Identidade: Quem Criou Realmente o Bitcoin?
A especulação sobre a verdadeira identidade de Nakamoto gerou inúmeras teorias, investigações e até documentários. A produção da HBO “Money Electric: The Bitcoin Mystery” recentemente revivou o interesse ao sugerir que o desenvolvedor Peter Todd poderia ser o criador, embora Todd tenha rejeitado isso como “agarrar-se a um palheiro.”
Candidatos anteriores incluíram Hal Finney, um criptógrafo que recebeu a primeira transação de Bitcoin e possuía a perícia técnica para desenhar o sistema. Ele negou a alegação antes da sua morte em 2014. Nick Szabo teorizou o “bit gold”, um conceito precursor, e apresenta semelhanças estilísticas com a escrita de Nakamoto. Adam Back criou o Hashcash, o mecanismo de prova de trabalho citado no whitepaper do Bitcoin, colocando-o na lista de suspeitos. Craig Wright, um cientista da computação australiano, afirmou publicamente ser Satoshi, mas foi decisivamente desacreditado em 2024, quando um tribunal do Reino Unido declarou que as provas apresentadas eram fabricadas.
A possibilidade mantém-se de que Nakamoto represente um esforço coletivo, em vez de um único indivíduo. O que parece certo: quem quer que sejam, mantiveram uma segurança operacional absoluta. Nem um único Bitcoin das suas estimadas 750.000 a 1.100.000 BTC — avaliado em aproximadamente $67,8 mil milhões a $99,3 mil milhões, com base na cotação atual — foi alguma vez transferido, movido ou tocado.
Rastreando a Tecnologia: Do Whitepaper ao Bloco Gênese
Em 31 de outubro de 2008, Nakamoto publicou um documento de 9 páginas intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” na lista de emails de criptografia. Este whitepaper apresentou uma solução para o problema do duplo gasto que tinha bloqueado todas as tentativas anteriores de moeda digital. A inovação residia na combinação de provas criptográficas com um mecanismo de consenso distribuído — o que agora chamamos de tecnologia blockchain.
Cerca de três meses depois, em 3 de janeiro de 2009, Nakamoto minerou o bloco gênese, o primeiro bloco do Bitcoin. Embutido nele: “The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks” — uma manchete do jornal britânico que faz referência à crise financeira que eclodiu exatamente nesse momento. A marca de tempo serviu a dois propósitos: provar o momento de criação do bloco gênese e transmitir a motivação de Nakamoto para a existência do Bitcoin.
A arquitetura técnica que Nakamoto estabeleceu permanece em grande parte inalterada. Eles mineraram Bitcoin ao longo de 2009, deliberadamente reduzindo a sua intensidade de mineração para permitir a descentralização da rede. Até meados de 2010, transferiram o controlo para outros desenvolvedores, especialmente Gavin Andresen. A sua última comunicação registada chegou em abril de 2011, num breve email para Andresen: “Gostaria que não continuasses a falar de mim como uma figura misteriosa e sombria, a imprensa só transforma isso numa narrativa de moeda pirata.” Depois, silêncio.
O Efeito Desaparecimento: Por que razão o Criador Desapareceu
Passaram-se catorze anos desde a última comunicação conhecida de Nakamoto. Nem uma única transação teve origem em endereços que detêm o seu Bitcoin minerado. Nenhuma conta de redes sociais foi ativada. Nenhuma confissão de óbito surgiu. A questão persiste: Satoshi Nakamoto está vivo?
As evidências não oferecem uma resposta definitiva. Nakamoto poderia estar falecido, tendo falecido sem revelar as suas chaves privadas. Poderiam estar a viver numa obscuridade deliberada, optando por nunca aceder à sua vasta riqueza. Ou poderiam estar a monitorizar anonimamente a rede Bitcoin, assistindo ao florescimento da sua criação a partir das sombras.
O que podemos estabelecer através de análise linguística: Nakamoto provavelmente não era japonês, apesar do nome e da alegação de perfil P2P. O uso de ortografia do inglês britânico — “colour”, “optimise” — e os padrões de frequência de atividade (atividade mínima entre as 5h e as 11h GMT) sugerem um falante nativo de inglês da América do Norte ou do Reino Unido. O seu estilo de codificação reflete alguém com formação em programação durante as décadas de 1980-1990, possivelmente com mais de 50 anos atualmente. Referências à tentativa de corner de prata dos irmãos Hunt em 1980, que Nakamoto mencionou “como se se lembrasse dela”, sugerem ainda alguém com memória direta de finanças pré-digitais.
A Riqueza que Ninguém Gasta: A Fortuna Intocada
Aproximadamente $67,8 mil milhões a $99,3 mil milhões em Bitcoin permanecem em endereços marcados como “Satoshi” — moedas que nunca foram tocadas, apesar da valorização meteórica do Bitcoin. Essa dormência comunica algo profundo.
Se Nakamoto tentasse liquidar mesmo uma fração dessas posses através de canais tradicionais, a sua identidade provavelmente seria exposta. Os requisitos de KYC nas trocas, a forense de blockchain e a análise de padrões de transação poderiam atuar como pistas que levam à descoberta. Manter a fortuna trancada, Nakamoto preserva tanto o seu anonimato quanto a filosofia de descentralização do Bitcoin.
O “padrão Patoshi”, identificado pelo investigador Sergio Demian Lerner, permite estimar as posses totais de Nakamoto ao examinar os padrões de mineração do primeiro ano do Bitcoin. A consistência dessas carteiras inativas — nunca tocadas, nunca movidas — aumenta o mistério sobre se Satoshi Nakamoto ainda está vivo ou existe apenas como uma lenda.
Porque a Anonimidade Importa: A Génese do Dinheiro Sem Estado
O desaparecimento de Nakamoto não foi uma saída aleatória. Representa uma decisão calculada para proteger a essência fundamental do Bitcoin: descentralização sem uma figura de proa.
Se Nakamoto tivesse permanecido público, teria tornado-se num ponto único de falha. Os governos poderiam pressionar ou processar. Os concorrentes poderiam tentar subornar ou coagir. Os participantes do mercado obsessariam com as suas opiniões, tratando comentários casuais como profecias divinas. A sua riqueza faria deles um alvo de extorsão, sequestro ou assassinato.
Mais criticamente, a filosofia do Bitcoin depende da confiança na matemática, e não em personalidades. A ausência de Satoshi reforça esse princípio: o sistema não exige que os utilizadores acreditem num criador, num CEO ou numa autoridade central. O Bitcoin valida-se a si próprio através de código e prova criptográfica.
Ao afastar-se, Nakamoto permitiu que o Bitcoin se tornasse verdadeiramente orientado pela comunidade. Nenhuma voz única reivindica autoridade sobre as atualizações do protocolo. Nenhum culto de personalidade distorce as decisões técnicas. Essa estrutura organizacional — ou melhor, a completa ausência dela — permitiu ao Bitcoin sobreviver a ataques regulatórios, desafios técnicos e conflitos internos sem se fragmentar de forma fatal.
Ícone Cultural: Da Mistério à Mitologia
Apesar da ausência de Nakamoto na vida pública, a sua influência permeia a cultura cripto e estende-se ao conhecimento mainstream. Em 2021, foi inaugurada uma estátua de bronze em Budapeste com um rosto de material reflexivo, para que os visitantes se vejam refletidos — incorporando a ideia de que “todos somos Satoshi”. Outro monumento encontra-se em Lugano, Suíça, que aceita Bitcoin para serviços municipais.
As citações de Nakamoto tornaram-se escrituras para os defensores do Bitcoin: “O problema raiz com a moeda convencional é toda a confiança que é necessária para que funcione.” Tais afirmações definem a missão central do Bitcoin de forma mais eficaz do que qualquer declaração de missão.
Merchandise com o nome de Nakamoto foi comercializado para criar o misticismo. A Vans lançou uma coleção limitada de Satoshi Nakamoto em 2022. Marcas de vestuário apresentam o nome e iconografia associada. O criador transcendeu a tecnologia para se tornar um símbolo da revolução digital e da liberdade do controlo centralizado.
Em março de 2025, o Presidente Trump assinou uma ordem executiva estabelecendo uma Reserva Estratégica de Bitcoin, legitimando o Bitcoin a nível nacional de formas que os primeiros cypherpunks considerariam impossíveis. Essa aceitação mainstream valida a visão de Nakamoto, mantendo a sua distância — a criação prospera independentemente do seu estatuto público.
A Pergunta Sem Resposta: Está Vivo ou Não?
Então, onde nos deixa isto relativamente à questão central: Satoshi Nakamoto está vivo?
A resposta permanece verdadeiramente incognoscível. A sua ausência na blockchain há mais de 14 anos não fornece nenhuma evidência de qualquer lado. A morte não deixa registo público se alguém não possui bens, não mantém contas e não faz testamento. Da mesma forma, alguém que escolha viver numa obscuridade completa pareceria idêntico a alguém que morreu.
O que podemos afirmar com confiança: a identidade, o estatuto e a localização de Nakamoto permanecem seguros — protegidos por anos de disciplina operacional e pelas escolhas arquitetónicas incorporadas no próprio Bitcoin. O criador que entendeu que sistemas sem confiança requerem nenhuma autoridade central provou que compreende algo igualmente importante: o poder de uma retirada completa do discurso público.
À medida que o 17º aniversário do Bitcoin se aproxima e a rede processa transações no valor de centenas de bilhões diariamente, a figura misteriosa que colocou esta maquinaria em movimento continua a ser um dos maiores enigmas da história. Se Satoshi Nakamoto viveu para ver o Bitcoin atingir os $126.000 ou partiu há anos, a sua realização técnica garante que alcançou uma forma de imortalidade — não através da fama ou reconhecimento, mas através de um sistema desenhado para funcionar perfeitamente na sua ausência.
O maior mistério na criptomoeda não é quem é Satoshi Nakamoto. É que o Bitcoin não precisou de Satoshi para se tornar essencial.
Perguntas Frequentes
Quando foi publicado o documento fundamental do Bitcoin?
Nakamoto publicou “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” em 31 de outubro de 2008, distribuindo-o através da lista de emails de criptografia.
Qual é o património estimado de Nakamoto?
Com posses estimadas entre 750.000 e 1.100.000 BTC, as avaliações atuais colocam a sua riqueza potencial entre $67,8 mil milhões e $99,3 mil milhões, embora nunca tenham liquidado qualquer posse.
Será que Nakamoto está falecido?
Possivelmente. Sem registo público ou atividade na blockchain, a morte seria não verificável. O mesmo se aplica a quem escolhe viver na obscuridade — deixam de deixar rastros de qualquer forma.
Quantos Bitcoin possui o criador?
A análise da blockchain identifica aproximadamente 750.000 a 1.100.000 BTC minerados durante o primeiro ano do Bitcoin como posses estimadas de Nakamoto. Essas moedas permaneceram inativas desde então.
Por que razão o criador permanece anónimo?
O desaparecimento de Nakamoto protege o Bitcoin de controlo centralizado, evita ações regulatórias, resguarda-os de ameaças físicas relacionadas com a sua riqueza, e garante que a rede funciona com base na matemática, não numa personalidade.
O que representa a data de 5 de abril?
A data remete ao Decreto Executivo 6102 (5 de abril de 1933), que proibiu a posse de ouro nos EUA, e a 1975, quando essa proibição foi levantada — simbolizando o Bitcoin como ouro digital além da jurisdição governamental.
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O Enigma de Satoshi Nakamoto: Desvendando o Criador do Bitcoin enquanto o Mundo se Pergunta—Ele Ainda Está Vivo?
A questão que tem assombrado a comunidade cripto há mais de 16 anos permanece sem resposta: Satoshi Nakamoto está vivo? Em 5 de abril de 2025, o criador anónimo do Bitcoin teria celebrado o seu 50º aniversário — ou assim sugere o perfil disponível publicamente. No entanto, essa data em si pode ser apenas um símbolo elaborado. Em vez de uma entrada genuína de certidão de nascimento, a maioria dos investigadores de blockchain acredita que Nakamoto selecionou deliberadamente essa data para homenagear a história monetária. Em 5 de abril de 1933, foi assinado o Decreto Executivo 6102, que proibia os cidadãos americanos de possuírem ouro. O ano de 1975 representa o momento em que essa proibição foi finalmente revogada, permitindo novamente a posse de ouro. Essa escolha reflete eloquentemente a filosofia libertária de Nakamoto: Bitcoin como ouro digital, existindo além do alcance dos governos.
O Bitcoin transformou-se numa força que remodela as finanças globais. Com o seu valor a ultrapassar os $126.000 no pico máximo, a rede alcançou o que parecia impossível em 2008 — adoção e reconhecimento mainstream. No entanto, enquanto o Bitcoin prospera, o seu criador permanece ausente do discurso público, a sua própria existência é uma questão de especulação.
A Questão da Identidade: Quem Criou Realmente o Bitcoin?
A especulação sobre a verdadeira identidade de Nakamoto gerou inúmeras teorias, investigações e até documentários. A produção da HBO “Money Electric: The Bitcoin Mystery” recentemente revivou o interesse ao sugerir que o desenvolvedor Peter Todd poderia ser o criador, embora Todd tenha rejeitado isso como “agarrar-se a um palheiro.”
Candidatos anteriores incluíram Hal Finney, um criptógrafo que recebeu a primeira transação de Bitcoin e possuía a perícia técnica para desenhar o sistema. Ele negou a alegação antes da sua morte em 2014. Nick Szabo teorizou o “bit gold”, um conceito precursor, e apresenta semelhanças estilísticas com a escrita de Nakamoto. Adam Back criou o Hashcash, o mecanismo de prova de trabalho citado no whitepaper do Bitcoin, colocando-o na lista de suspeitos. Craig Wright, um cientista da computação australiano, afirmou publicamente ser Satoshi, mas foi decisivamente desacreditado em 2024, quando um tribunal do Reino Unido declarou que as provas apresentadas eram fabricadas.
A possibilidade mantém-se de que Nakamoto represente um esforço coletivo, em vez de um único indivíduo. O que parece certo: quem quer que sejam, mantiveram uma segurança operacional absoluta. Nem um único Bitcoin das suas estimadas 750.000 a 1.100.000 BTC — avaliado em aproximadamente $67,8 mil milhões a $99,3 mil milhões, com base na cotação atual — foi alguma vez transferido, movido ou tocado.
Rastreando a Tecnologia: Do Whitepaper ao Bloco Gênese
Em 31 de outubro de 2008, Nakamoto publicou um documento de 9 páginas intitulado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” na lista de emails de criptografia. Este whitepaper apresentou uma solução para o problema do duplo gasto que tinha bloqueado todas as tentativas anteriores de moeda digital. A inovação residia na combinação de provas criptográficas com um mecanismo de consenso distribuído — o que agora chamamos de tecnologia blockchain.
Cerca de três meses depois, em 3 de janeiro de 2009, Nakamoto minerou o bloco gênese, o primeiro bloco do Bitcoin. Embutido nele: “The Times 03/Jan/2009 Chancellor on brink of second bailout for banks” — uma manchete do jornal britânico que faz referência à crise financeira que eclodiu exatamente nesse momento. A marca de tempo serviu a dois propósitos: provar o momento de criação do bloco gênese e transmitir a motivação de Nakamoto para a existência do Bitcoin.
A arquitetura técnica que Nakamoto estabeleceu permanece em grande parte inalterada. Eles mineraram Bitcoin ao longo de 2009, deliberadamente reduzindo a sua intensidade de mineração para permitir a descentralização da rede. Até meados de 2010, transferiram o controlo para outros desenvolvedores, especialmente Gavin Andresen. A sua última comunicação registada chegou em abril de 2011, num breve email para Andresen: “Gostaria que não continuasses a falar de mim como uma figura misteriosa e sombria, a imprensa só transforma isso numa narrativa de moeda pirata.” Depois, silêncio.
O Efeito Desaparecimento: Por que razão o Criador Desapareceu
Passaram-se catorze anos desde a última comunicação conhecida de Nakamoto. Nem uma única transação teve origem em endereços que detêm o seu Bitcoin minerado. Nenhuma conta de redes sociais foi ativada. Nenhuma confissão de óbito surgiu. A questão persiste: Satoshi Nakamoto está vivo?
As evidências não oferecem uma resposta definitiva. Nakamoto poderia estar falecido, tendo falecido sem revelar as suas chaves privadas. Poderiam estar a viver numa obscuridade deliberada, optando por nunca aceder à sua vasta riqueza. Ou poderiam estar a monitorizar anonimamente a rede Bitcoin, assistindo ao florescimento da sua criação a partir das sombras.
O que podemos estabelecer através de análise linguística: Nakamoto provavelmente não era japonês, apesar do nome e da alegação de perfil P2P. O uso de ortografia do inglês britânico — “colour”, “optimise” — e os padrões de frequência de atividade (atividade mínima entre as 5h e as 11h GMT) sugerem um falante nativo de inglês da América do Norte ou do Reino Unido. O seu estilo de codificação reflete alguém com formação em programação durante as décadas de 1980-1990, possivelmente com mais de 50 anos atualmente. Referências à tentativa de corner de prata dos irmãos Hunt em 1980, que Nakamoto mencionou “como se se lembrasse dela”, sugerem ainda alguém com memória direta de finanças pré-digitais.
A Riqueza que Ninguém Gasta: A Fortuna Intocada
Aproximadamente $67,8 mil milhões a $99,3 mil milhões em Bitcoin permanecem em endereços marcados como “Satoshi” — moedas que nunca foram tocadas, apesar da valorização meteórica do Bitcoin. Essa dormência comunica algo profundo.
Se Nakamoto tentasse liquidar mesmo uma fração dessas posses através de canais tradicionais, a sua identidade provavelmente seria exposta. Os requisitos de KYC nas trocas, a forense de blockchain e a análise de padrões de transação poderiam atuar como pistas que levam à descoberta. Manter a fortuna trancada, Nakamoto preserva tanto o seu anonimato quanto a filosofia de descentralização do Bitcoin.
O “padrão Patoshi”, identificado pelo investigador Sergio Demian Lerner, permite estimar as posses totais de Nakamoto ao examinar os padrões de mineração do primeiro ano do Bitcoin. A consistência dessas carteiras inativas — nunca tocadas, nunca movidas — aumenta o mistério sobre se Satoshi Nakamoto ainda está vivo ou existe apenas como uma lenda.
Porque a Anonimidade Importa: A Génese do Dinheiro Sem Estado
O desaparecimento de Nakamoto não foi uma saída aleatória. Representa uma decisão calculada para proteger a essência fundamental do Bitcoin: descentralização sem uma figura de proa.
Se Nakamoto tivesse permanecido público, teria tornado-se num ponto único de falha. Os governos poderiam pressionar ou processar. Os concorrentes poderiam tentar subornar ou coagir. Os participantes do mercado obsessariam com as suas opiniões, tratando comentários casuais como profecias divinas. A sua riqueza faria deles um alvo de extorsão, sequestro ou assassinato.
Mais criticamente, a filosofia do Bitcoin depende da confiança na matemática, e não em personalidades. A ausência de Satoshi reforça esse princípio: o sistema não exige que os utilizadores acreditem num criador, num CEO ou numa autoridade central. O Bitcoin valida-se a si próprio através de código e prova criptográfica.
Ao afastar-se, Nakamoto permitiu que o Bitcoin se tornasse verdadeiramente orientado pela comunidade. Nenhuma voz única reivindica autoridade sobre as atualizações do protocolo. Nenhum culto de personalidade distorce as decisões técnicas. Essa estrutura organizacional — ou melhor, a completa ausência dela — permitiu ao Bitcoin sobreviver a ataques regulatórios, desafios técnicos e conflitos internos sem se fragmentar de forma fatal.
Ícone Cultural: Da Mistério à Mitologia
Apesar da ausência de Nakamoto na vida pública, a sua influência permeia a cultura cripto e estende-se ao conhecimento mainstream. Em 2021, foi inaugurada uma estátua de bronze em Budapeste com um rosto de material reflexivo, para que os visitantes se vejam refletidos — incorporando a ideia de que “todos somos Satoshi”. Outro monumento encontra-se em Lugano, Suíça, que aceita Bitcoin para serviços municipais.
As citações de Nakamoto tornaram-se escrituras para os defensores do Bitcoin: “O problema raiz com a moeda convencional é toda a confiança que é necessária para que funcione.” Tais afirmações definem a missão central do Bitcoin de forma mais eficaz do que qualquer declaração de missão.
Merchandise com o nome de Nakamoto foi comercializado para criar o misticismo. A Vans lançou uma coleção limitada de Satoshi Nakamoto em 2022. Marcas de vestuário apresentam o nome e iconografia associada. O criador transcendeu a tecnologia para se tornar um símbolo da revolução digital e da liberdade do controlo centralizado.
Em março de 2025, o Presidente Trump assinou uma ordem executiva estabelecendo uma Reserva Estratégica de Bitcoin, legitimando o Bitcoin a nível nacional de formas que os primeiros cypherpunks considerariam impossíveis. Essa aceitação mainstream valida a visão de Nakamoto, mantendo a sua distância — a criação prospera independentemente do seu estatuto público.
A Pergunta Sem Resposta: Está Vivo ou Não?
Então, onde nos deixa isto relativamente à questão central: Satoshi Nakamoto está vivo?
A resposta permanece verdadeiramente incognoscível. A sua ausência na blockchain há mais de 14 anos não fornece nenhuma evidência de qualquer lado. A morte não deixa registo público se alguém não possui bens, não mantém contas e não faz testamento. Da mesma forma, alguém que escolha viver numa obscuridade completa pareceria idêntico a alguém que morreu.
O que podemos afirmar com confiança: a identidade, o estatuto e a localização de Nakamoto permanecem seguros — protegidos por anos de disciplina operacional e pelas escolhas arquitetónicas incorporadas no próprio Bitcoin. O criador que entendeu que sistemas sem confiança requerem nenhuma autoridade central provou que compreende algo igualmente importante: o poder de uma retirada completa do discurso público.
À medida que o 17º aniversário do Bitcoin se aproxima e a rede processa transações no valor de centenas de bilhões diariamente, a figura misteriosa que colocou esta maquinaria em movimento continua a ser um dos maiores enigmas da história. Se Satoshi Nakamoto viveu para ver o Bitcoin atingir os $126.000 ou partiu há anos, a sua realização técnica garante que alcançou uma forma de imortalidade — não através da fama ou reconhecimento, mas através de um sistema desenhado para funcionar perfeitamente na sua ausência.
O maior mistério na criptomoeda não é quem é Satoshi Nakamoto. É que o Bitcoin não precisou de Satoshi para se tornar essencial.
Perguntas Frequentes
Quando foi publicado o documento fundamental do Bitcoin?
Nakamoto publicou “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System” em 31 de outubro de 2008, distribuindo-o através da lista de emails de criptografia.
Qual é o património estimado de Nakamoto?
Com posses estimadas entre 750.000 e 1.100.000 BTC, as avaliações atuais colocam a sua riqueza potencial entre $67,8 mil milhões e $99,3 mil milhões, embora nunca tenham liquidado qualquer posse.
Será que Nakamoto está falecido?
Possivelmente. Sem registo público ou atividade na blockchain, a morte seria não verificável. O mesmo se aplica a quem escolhe viver na obscuridade — deixam de deixar rastros de qualquer forma.
Quantos Bitcoin possui o criador?
A análise da blockchain identifica aproximadamente 750.000 a 1.100.000 BTC minerados durante o primeiro ano do Bitcoin como posses estimadas de Nakamoto. Essas moedas permaneceram inativas desde então.
Por que razão o criador permanece anónimo?
O desaparecimento de Nakamoto protege o Bitcoin de controlo centralizado, evita ações regulatórias, resguarda-os de ameaças físicas relacionadas com a sua riqueza, e garante que a rede funciona com base na matemática, não numa personalidade.
O que representa a data de 5 de abril?
A data remete ao Decreto Executivo 6102 (5 de abril de 1933), que proibiu a posse de ouro nos EUA, e a 1975, quando essa proibição foi levantada — simbolizando o Bitcoin como ouro digital além da jurisdição governamental.