Na volatilidade do mercado de criptomoedas, dar uma estimativa de valor confiável a um protocolo de finanças descentralizadas como este, para o longo prazo, é fácil de dizer, difícil de fazer. O índice tradicional de preço sobre lucro (P/L) não serve, pois o "lucro" gerado pelo protocolo e o preço do token não têm uma relação linear. Este artigo pretende combinar a análise de fluxo de caixa descontado (DCF) com a lógica do efeito de rede, para construir uma estrutura de avaliação que suporte ciclos de alta e baixa para tokens de protocolos de stablecoins.
**1. Como o token pode se beneficiar do crescimento do protocolo**
Primeiro, é preciso entender: o que exatamente os detentores de tokens podem obter do crescimento do protocolo? Existem três principais caminhos:
**Participação nos lucros é o mais direto.** O protocolo lucra com juros de empréstimos, taxas de transação de stablecoins, entre outros. Uma parte do dinheiro ganho é usada para recomprar e queimar tokens, criando um efeito deflacionário que sustenta diretamente o valor do token. Essa é a fonte de fluxo de caixa mais visível.
**O poder de governança também não deve ser subestimado.** Ter tokens equivale a ter direito de voto, podendo decidir sobre adição de garantias, ajuste de taxas de empréstimo, entre outras decisões importantes. Essa "controle" é escassa em protocolos financeiros e, por si só, já possui valor.
**Utilidade e staking são a terceira via.** Staking de tokens pode oferecer oportunidades de compartilhar mais receitas do protocolo ou desbloquear funcionalidades avançadas. Embora esses ganhos não sejam tão concretos quanto a participação nos lucros, eles atraem investidores de longo prazo.
Nossa avaliação se concentra principalmente na primeira via — fluxo de caixa descontado — enquanto as outras duas servem como fatores adicionais.
**2. Como construir um modelo DCF**
A lógica do DCF é simples: descontar os fluxos de caixa livres futuros do protocolo para o presente. Para protocolos de stablecoins, algumas hipóteses-chave incluem:
**Crescimento do tamanho do protocolo.** O valor total bloqueado (TVL) começa de uma base atual e assume-se um crescimento anual. É preciso consultar o histórico de crescimento e o potencial de mercado — um cenário agressivo pode assumir 30-50% de crescimento anual, enquanto um mais conservador fica em 20-30%.
**Estabilidade na taxa de taxas.** As receitas provenientes de spreads de empréstimo e taxas de transação podem diminuir com maior competição. Deve-se considerar uma tendência de queda, não assumindo que as taxas permanecerão sempre iguais.
**A taxa de retirada é razoável?** O dinheiro ganho pelo protocolo não será totalmente usado para recompras e dividendos; parte será reservada para operações, desenvolvimento e reservas. Uma estimativa de 30-50% do fluxo de caixa pode ser destinada a sustentar o valor do token.
**Como escolher a taxa de desconto.** Essa é a parte mais subjetiva do DCF. Ativos cripto são altamente voláteis, e o prêmio de risco deve ser maior do que no mercado financeiro tradicional. Geralmente, usa-se um WACC (Custo Médio Ponderado de Capital) entre 12-20%, considerando riscos de mercado e riscos específicos do protocolo.
A análise de cenários é fundamental — rodar simulações de mercado em alta, base e baixa, fornecendo uma faixa de preço, não um valor único. Assim, a avaliação fica mais confiável.
**3. Impacto da oferta de tokens**
Não se deve esquecer de um ponto frequentemente negligenciado: a inflação ou deflação do token influencia diretamente a avaliação. Se o protocolo gera US$1 milhão por ano e usa metade para recompras e queima, a distribuição desse dinheiro entre os tokens é crucial. Quanto menor a oferta total de tokens, maior o valor atribuído a cada um, dado o mesmo fluxo de caixa. Portanto, o design econômico do token afeta diretamente o múltiplo de avaliação.
**4. Efeito de rede e vantagem competitiva**
O DCF só analisa fluxo de caixa, não considerando o cenário competitivo. Com o mercado de stablecoins cada vez mais saturado, por que este protocolo seria melhor que os outros? É pela experiência do usuário, suporte cross-chain, integração de ecossistema ou simplesmente por vantagem de ser pioneiro? Essas vantagens intangíveis determinam se, daqui a 5 anos, o protocolo ainda estará forte.
Na avaliação, deve-se incluir um fator de efeito de rede — se o protocolo possui uma vantagem competitiva clara, pode-se aplicar um prêmio de 10-20%; caso contrário, um desconto.
**5. Precificação de mercado vs. valor intrínseco**
Os múltiplos de avaliação de tokens similares no mercado (P/E, P/B, etc.) podem servir de referência. Se o valor calculado pelo DCF estiver muito acima do preço atual, pode ser que o mercado esteja subestimando o protocolo ou que suas hipóteses estejam excessivamente otimistas. Comparar com outros projetos do mesmo setor ajuda a calibrar os parâmetros.
No final, a avaliação de um protocolo de finanças descentralizadas não tem uma resposta definitiva — é um processo de ajustes contínuos. O mercado muda, as hipóteses mudam, e a avaliação deve acompanhar. Mas ter uma estrutura de raciocínio clara é muito mais confiável do que simplesmente adivinhar com base na intuição.
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SighingCashier
· 21h atrás
Para ser honesto, o protocolo de stablecoin DCF ainda precisa passar por várias simulações de cenários para ficar mais consolidado.
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GateUser-a606bf0c
· 01-14 19:05
O algoritmo DCF é bom, só que o problema é que todos os parâmetros são decididos ao acaso
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Deconstructionist
· 01-11 23:51
A teoria do DCF parece boa, mas na prática não serve para nada
A questão central é que simplesmente não conseguimos prever esses parâmetros de hipótese, crescimento do TVL, taxas, taxa de desconto, nenhum deles é confiável
Ao invés de calcular o valor intrínseco, é melhor avaliar a solidez da vantagem competitiva e a confiabilidade da equipe
A questão de as taxas serem comprimidas até o limite não é uma hipótese, é uma consequência inevitável, a UNI também está passando por uma competição acirrada agora
O mercado de stablecoins realmente está saturado, não é tão atraente quanto parece
Concordo com a análise de cenário, mas às vezes os três cenários ainda são muito otimistas
Projetos com uma má concepção de tokenomics, mesmo com um DCF bem feito, não valem a pena
Esse framework pode ser útil para o protocolo na fase final, mas na fase inicial é só aposta mesmo
Acredito que o fator de vantagem competitiva deveria ser mais agressivo, 10-20% simplesmente não é suficiente para quantificar a diferença
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FrontRunFighter
· 01-11 23:40
A estrutura dcf parece promissora, mas o verdadeiro problema é... aqueles operadores de protocolos basicamente não distribuem os lucros aos detentores de tokens, na maior parte das vezes são desviados para o fundo de desenvolvimento. Por mais bem apresentados que sejam, isso não muda esse padrão obscuro.
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PanicSeller
· 01-11 23:33
Mais uma vez, aquela história de DCF, soa sofisticado, mas no final das contas é só apostar na confiança das pessoas
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SmartContractRebel
· 01-11 23:31
Mais uma vez o método DCF... soa bem na teoria, mas na prática tudo são suposições
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RetiredMiner
· 01-11 23:26
Mais uma vez, aquela história de DCF, parece confiável, mas na verdade são apenas suposições.
Na volatilidade do mercado de criptomoedas, dar uma estimativa de valor confiável a um protocolo de finanças descentralizadas como este, para o longo prazo, é fácil de dizer, difícil de fazer. O índice tradicional de preço sobre lucro (P/L) não serve, pois o "lucro" gerado pelo protocolo e o preço do token não têm uma relação linear. Este artigo pretende combinar a análise de fluxo de caixa descontado (DCF) com a lógica do efeito de rede, para construir uma estrutura de avaliação que suporte ciclos de alta e baixa para tokens de protocolos de stablecoins.
**1. Como o token pode se beneficiar do crescimento do protocolo**
Primeiro, é preciso entender: o que exatamente os detentores de tokens podem obter do crescimento do protocolo? Existem três principais caminhos:
**Participação nos lucros é o mais direto.** O protocolo lucra com juros de empréstimos, taxas de transação de stablecoins, entre outros. Uma parte do dinheiro ganho é usada para recomprar e queimar tokens, criando um efeito deflacionário que sustenta diretamente o valor do token. Essa é a fonte de fluxo de caixa mais visível.
**O poder de governança também não deve ser subestimado.** Ter tokens equivale a ter direito de voto, podendo decidir sobre adição de garantias, ajuste de taxas de empréstimo, entre outras decisões importantes. Essa "controle" é escassa em protocolos financeiros e, por si só, já possui valor.
**Utilidade e staking são a terceira via.** Staking de tokens pode oferecer oportunidades de compartilhar mais receitas do protocolo ou desbloquear funcionalidades avançadas. Embora esses ganhos não sejam tão concretos quanto a participação nos lucros, eles atraem investidores de longo prazo.
Nossa avaliação se concentra principalmente na primeira via — fluxo de caixa descontado — enquanto as outras duas servem como fatores adicionais.
**2. Como construir um modelo DCF**
A lógica do DCF é simples: descontar os fluxos de caixa livres futuros do protocolo para o presente. Para protocolos de stablecoins, algumas hipóteses-chave incluem:
**Crescimento do tamanho do protocolo.** O valor total bloqueado (TVL) começa de uma base atual e assume-se um crescimento anual. É preciso consultar o histórico de crescimento e o potencial de mercado — um cenário agressivo pode assumir 30-50% de crescimento anual, enquanto um mais conservador fica em 20-30%.
**Estabilidade na taxa de taxas.** As receitas provenientes de spreads de empréstimo e taxas de transação podem diminuir com maior competição. Deve-se considerar uma tendência de queda, não assumindo que as taxas permanecerão sempre iguais.
**A taxa de retirada é razoável?** O dinheiro ganho pelo protocolo não será totalmente usado para recompras e dividendos; parte será reservada para operações, desenvolvimento e reservas. Uma estimativa de 30-50% do fluxo de caixa pode ser destinada a sustentar o valor do token.
**Como escolher a taxa de desconto.** Essa é a parte mais subjetiva do DCF. Ativos cripto são altamente voláteis, e o prêmio de risco deve ser maior do que no mercado financeiro tradicional. Geralmente, usa-se um WACC (Custo Médio Ponderado de Capital) entre 12-20%, considerando riscos de mercado e riscos específicos do protocolo.
A análise de cenários é fundamental — rodar simulações de mercado em alta, base e baixa, fornecendo uma faixa de preço, não um valor único. Assim, a avaliação fica mais confiável.
**3. Impacto da oferta de tokens**
Não se deve esquecer de um ponto frequentemente negligenciado: a inflação ou deflação do token influencia diretamente a avaliação. Se o protocolo gera US$1 milhão por ano e usa metade para recompras e queima, a distribuição desse dinheiro entre os tokens é crucial. Quanto menor a oferta total de tokens, maior o valor atribuído a cada um, dado o mesmo fluxo de caixa. Portanto, o design econômico do token afeta diretamente o múltiplo de avaliação.
**4. Efeito de rede e vantagem competitiva**
O DCF só analisa fluxo de caixa, não considerando o cenário competitivo. Com o mercado de stablecoins cada vez mais saturado, por que este protocolo seria melhor que os outros? É pela experiência do usuário, suporte cross-chain, integração de ecossistema ou simplesmente por vantagem de ser pioneiro? Essas vantagens intangíveis determinam se, daqui a 5 anos, o protocolo ainda estará forte.
Na avaliação, deve-se incluir um fator de efeito de rede — se o protocolo possui uma vantagem competitiva clara, pode-se aplicar um prêmio de 10-20%; caso contrário, um desconto.
**5. Precificação de mercado vs. valor intrínseco**
Os múltiplos de avaliação de tokens similares no mercado (P/E, P/B, etc.) podem servir de referência. Se o valor calculado pelo DCF estiver muito acima do preço atual, pode ser que o mercado esteja subestimando o protocolo ou que suas hipóteses estejam excessivamente otimistas. Comparar com outros projetos do mesmo setor ajuda a calibrar os parâmetros.
No final, a avaliação de um protocolo de finanças descentralizadas não tem uma resposta definitiva — é um processo de ajustes contínuos. O mercado muda, as hipóteses mudam, e a avaliação deve acompanhar. Mas ter uma estrutura de raciocínio clara é muito mais confiável do que simplesmente adivinhar com base na intuição.