O final de 2025 trouxe uma verdadeira explosão no mercado de metais preciosos, com um rally coletivo que envolve todas as principais commodities do setor. Não é uma coincidência, mas a convergência de múltiplas forças que estão redesenhando todo o cenário dos investimentos defensivos.
O paládio lidera a recuperação: cotações do paládio atingem máximos trienais
Surpreendendo a todos, o paládio registrou na terça-feira um aumento de 5,7%, atingindo 1859,38 dólares e continuando na quarta-feira de manhã com um incremento adicional de 1,74%, estabelecendo-se em 1897,73 dólares por onça. As cotações do paládio demonstram uma força fenomenal em base temporal: de início de semana +10%, em dezembro +107% desde o começo do ano, números que refletem uma demanda industrial cada vez mais robusta, especialmente dos setores automotivo e eletrônico, que dependem pesadamente deste metal.
A dinâmica das cotações do paládio não é isolada. O platina seguiu um percurso igualmente espetacular: uma alta de 7,5% na terça-feira, levando o preço a 2283 dólares, com o máximo histórico atingido a 2334 dólares na manhã de quarta-feira. No mês, o platina registra +39%, enquanto desde o início do ano o ganho total supera 155%.
Prata e ouro: dois metais que contam a mesma história de medo
Enquanto o paládio surpreende pela força industrial, prata e ouro narram uma história diferente: a busca por certezas em um mundo cada vez mais incerto. A prata spot ultrapassou o limiar psicológico de 70 dólares, atingindo o máximo histórico de 71,55 dólares na terça-feira e prosseguindo na quarta-feira com 71,83 dólares por onça, marcando uma alta mensal de 27% e um ganho anual de 150%, realmente impressionantes.
Paralelamente, o preço do ouro atingiu 4509,90 dólares por onça na manhã de quarta-feira, superando o recorde anterior de 4500 dólares. Desde o início do ano, o metal amarelo valorizou-se 72%, permanecendo como o benchmark absoluto de aversão ao risco. O ouro spot, assim como a prata spot, continua a beneficiar-se da condição de escassez de oferta crônica que caracteriza o mercado.
Segundo analistas da Zaner Metals, o próximo alvo para a prata pode ser 75 dólares, embora as realizações de lucros de fim de ano representem um risco concreto de correção no curto prazo.
O dólar enfraquecido: o vento a favor dos metais preciosos
O que realmente move os preços spot de ouro, prata e metais preciosos em geral é a fraqueza estrutural do dólar. Na terça-feira, o índice do dólar caiu 0,36%, registrando a segunda queda consecutiva e atingindo o mínimo intradiário de 97,85, o nível mais baixo desde 3 de outubro. A projeção para o mês sugere uma queda de 1,4%, a maior desde agosto, enquanto anualmente estima-se uma redução de 9,6%, a maior desde 2017.
Esse deterioramento não é casual. Apesar do PIB dos EUA do terceiro trimestre ter registrado um crescimento anualizado de 4,3%, superando as expectativas, o mercado permanece focado em um elemento diferente: as probabilidades de cortes nas taxas por parte do Federal Reserve. Segundo projeções do London Stock Exchange Group, 87% de chance está atribuída a um cenário sem reduções nas taxas na reunião de final de janeiro, mas os mercados futuros indicam que o próximo corte pode ocorrer em junho de 2026, com duas reduções de 25 pontos base previstas para o ano.
O índice de confiança dos consumidores dos EUA em dezembro piorou o quadro: 89,1 contra as expectativas de 91,0, caindo 3,8 pontos. Erik Bregar, da Silver Gold Bull, prevê que no primeiro trimestre do próximo ano o dólar se enfraquecerá ainda mais, pois sinais de fraqueza no mercado de trabalho obrigarão o Federal Reserve a fazer concessões mais generosas nas políticas monetárias.
A geopolítica adiciona combustível ao fogo
Além dos fatores econômicos, os eventos geopolíticos continuam a alimentar a busca por ativos de refúgio. Os Estados Unidos anunciaram sanções de máxima entidade contra o Venezuela, com o presidente Trump declarando a intenção de reter os navios sequestrados e manter o controle do petróleo. Ao mesmo tempo, segundo o Wall Street Journal, Washington enviou vários aviões especiais e de transporte para o Caribe, expandindo as opções para possíveis ações militares.
Na Ucrânia, a situação permanece crítica: mísseis e drones russos causaram pelo menos três mortes, incluindo uma criança, provocando blackout em larga escala que obrigou a Polônia a elevar seus caças ao voo. As tropas ucranianas recuaram de Sievierodonetsk enquanto as forças russas ameaçam várias cidades estratégicas. O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Ryabkov, comunicou que estão em andamento negociações entre diplomatas russos e americanos, mas as principais questões permanecem sem solução.
O cenário futuro: margens de crescimento ainda presentes
O rally geral dos metais preciosos representa a interseção de três correntes: a demanda industrial em recuperação (que sustenta platina e paládio), a aversão ao risco geopolítico (que alimenta ouro e prata), e a perspectiva de taxas mais baixas (que enfraquece o dólar e torna os metais cotados em moeda americana mais atraentes para os compradores internacionais).
Na quarta-feira, véspera de Natal, haverá fechamentos antecipados ou totais nos principais mercados ocidentais, com liquidez reduzida que pode gerar volatilidade adicional. No entanto, olhando além das festividades, o contexto permanece favorável para os metais preciosos. A persistente aversão ao risco global, aliada à perspectiva de uma Federal Reserve inclinada a cortes futuros, sugere que as margens de valorização ainda podem não estar esgotadas. Os investidores deverão monitorar com atenção os movimentos do banco central americano e a evolução do contexto geopolítico internacional para aproveitar as próximas oportunidades de mercado.
Às 08:04 (UTC+8) de quarta-feira, o preço do ouro spot estava em 4510,34 dólares por onça, confirmando a dinâmica de alta em curso.
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Metais preciosos em chamas: cotações de paládio ultrapassam máximos trienais enquanto ouro e prata reescrevem a história dos preços spot
O final de 2025 trouxe uma verdadeira explosão no mercado de metais preciosos, com um rally coletivo que envolve todas as principais commodities do setor. Não é uma coincidência, mas a convergência de múltiplas forças que estão redesenhando todo o cenário dos investimentos defensivos.
O paládio lidera a recuperação: cotações do paládio atingem máximos trienais
Surpreendendo a todos, o paládio registrou na terça-feira um aumento de 5,7%, atingindo 1859,38 dólares e continuando na quarta-feira de manhã com um incremento adicional de 1,74%, estabelecendo-se em 1897,73 dólares por onça. As cotações do paládio demonstram uma força fenomenal em base temporal: de início de semana +10%, em dezembro +107% desde o começo do ano, números que refletem uma demanda industrial cada vez mais robusta, especialmente dos setores automotivo e eletrônico, que dependem pesadamente deste metal.
A dinâmica das cotações do paládio não é isolada. O platina seguiu um percurso igualmente espetacular: uma alta de 7,5% na terça-feira, levando o preço a 2283 dólares, com o máximo histórico atingido a 2334 dólares na manhã de quarta-feira. No mês, o platina registra +39%, enquanto desde o início do ano o ganho total supera 155%.
Prata e ouro: dois metais que contam a mesma história de medo
Enquanto o paládio surpreende pela força industrial, prata e ouro narram uma história diferente: a busca por certezas em um mundo cada vez mais incerto. A prata spot ultrapassou o limiar psicológico de 70 dólares, atingindo o máximo histórico de 71,55 dólares na terça-feira e prosseguindo na quarta-feira com 71,83 dólares por onça, marcando uma alta mensal de 27% e um ganho anual de 150%, realmente impressionantes.
Paralelamente, o preço do ouro atingiu 4509,90 dólares por onça na manhã de quarta-feira, superando o recorde anterior de 4500 dólares. Desde o início do ano, o metal amarelo valorizou-se 72%, permanecendo como o benchmark absoluto de aversão ao risco. O ouro spot, assim como a prata spot, continua a beneficiar-se da condição de escassez de oferta crônica que caracteriza o mercado.
Segundo analistas da Zaner Metals, o próximo alvo para a prata pode ser 75 dólares, embora as realizações de lucros de fim de ano representem um risco concreto de correção no curto prazo.
O dólar enfraquecido: o vento a favor dos metais preciosos
O que realmente move os preços spot de ouro, prata e metais preciosos em geral é a fraqueza estrutural do dólar. Na terça-feira, o índice do dólar caiu 0,36%, registrando a segunda queda consecutiva e atingindo o mínimo intradiário de 97,85, o nível mais baixo desde 3 de outubro. A projeção para o mês sugere uma queda de 1,4%, a maior desde agosto, enquanto anualmente estima-se uma redução de 9,6%, a maior desde 2017.
Esse deterioramento não é casual. Apesar do PIB dos EUA do terceiro trimestre ter registrado um crescimento anualizado de 4,3%, superando as expectativas, o mercado permanece focado em um elemento diferente: as probabilidades de cortes nas taxas por parte do Federal Reserve. Segundo projeções do London Stock Exchange Group, 87% de chance está atribuída a um cenário sem reduções nas taxas na reunião de final de janeiro, mas os mercados futuros indicam que o próximo corte pode ocorrer em junho de 2026, com duas reduções de 25 pontos base previstas para o ano.
O índice de confiança dos consumidores dos EUA em dezembro piorou o quadro: 89,1 contra as expectativas de 91,0, caindo 3,8 pontos. Erik Bregar, da Silver Gold Bull, prevê que no primeiro trimestre do próximo ano o dólar se enfraquecerá ainda mais, pois sinais de fraqueza no mercado de trabalho obrigarão o Federal Reserve a fazer concessões mais generosas nas políticas monetárias.
A geopolítica adiciona combustível ao fogo
Além dos fatores econômicos, os eventos geopolíticos continuam a alimentar a busca por ativos de refúgio. Os Estados Unidos anunciaram sanções de máxima entidade contra o Venezuela, com o presidente Trump declarando a intenção de reter os navios sequestrados e manter o controle do petróleo. Ao mesmo tempo, segundo o Wall Street Journal, Washington enviou vários aviões especiais e de transporte para o Caribe, expandindo as opções para possíveis ações militares.
Na Ucrânia, a situação permanece crítica: mísseis e drones russos causaram pelo menos três mortes, incluindo uma criança, provocando blackout em larga escala que obrigou a Polônia a elevar seus caças ao voo. As tropas ucranianas recuaram de Sievierodonetsk enquanto as forças russas ameaçam várias cidades estratégicas. O vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Ryabkov, comunicou que estão em andamento negociações entre diplomatas russos e americanos, mas as principais questões permanecem sem solução.
O cenário futuro: margens de crescimento ainda presentes
O rally geral dos metais preciosos representa a interseção de três correntes: a demanda industrial em recuperação (que sustenta platina e paládio), a aversão ao risco geopolítico (que alimenta ouro e prata), e a perspectiva de taxas mais baixas (que enfraquece o dólar e torna os metais cotados em moeda americana mais atraentes para os compradores internacionais).
Na quarta-feira, véspera de Natal, haverá fechamentos antecipados ou totais nos principais mercados ocidentais, com liquidez reduzida que pode gerar volatilidade adicional. No entanto, olhando além das festividades, o contexto permanece favorável para os metais preciosos. A persistente aversão ao risco global, aliada à perspectiva de uma Federal Reserve inclinada a cortes futuros, sugere que as margens de valorização ainda podem não estar esgotadas. Os investidores deverão monitorar com atenção os movimentos do banco central americano e a evolução do contexto geopolítico internacional para aproveitar as próximas oportunidades de mercado.
Às 08:04 (UTC+8) de quarta-feira, o preço do ouro spot estava em 4510,34 dólares por onça, confirmando a dinâmica de alta em curso.