O mercado do café está a experimentar um momento notável hoje, com os contratos futuros de arábica de março a subir +0,65% e os contratos ICE de robusta de março a avançar +19 (+0,48%). O arábica atingiu uma máxima de 4 semanas, sinalizando um renovado interesse dos investidores nesta mercadoria crítica.
Perspetiva Global de Oferta a Remodelar a Dinâmica dos Preços das Ações do Café
As previsões de produção recentes estão a redefinir as expectativas do mercado. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA divulgou a sua perspetiva de 18 de dezembro, projetando que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% face ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. No entanto, a divisão revela tendências divergentes: espera-se que a produção de arábica diminua 4,7% para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta aumenta 10,9% para 83,333 milhões de sacos. Esta mudança estrutural está a criar vencedores e perdedores nos mercados globais de café.
Vietname, o principal fornecedor de robusta, está a acelerar a produção. As exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, com a produção de 2025/26 projetada a subir 6% face ao ano anterior, para 1,76 MMT (29,4 milhões de sacos) — um máximo de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que condições meteorológicas favoráveis poderiam impulsionar a produção em mais 10%. Este aumento na oferta de robusta está a limitar os ganhos nesse segmento de mercado.
A situação do Brasil difere marcadamente. Enquanto a Conab, agência de previsão de colheitas do Brasil, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, o USDA projeta que a produção de 2025/26 diminuirá 3,1% face ao ano anterior, para 63 milhões de sacos. Como maior produtor mundial de arábica, a trajetória do Brasil influencia diretamente os preços globais.
Efeitos do Clima e da Moeda Catalisam Força de Curto Prazo
A precipitação abaixo da média no Brasil está a apoiar os preços do arábica hoje. A Somar Meteorologia reportou que Minas Gerais, a principal região de arábica do Brasil, recebeu 47,9 mm de chuva durante a semana que terminou a 2 de janeiro — apenas 67% das médias históricas. Condições secas numa zona de produção importante geralmente desencadeiam preocupações de oferta e sustentam as avaliações dos futuros.
Os movimentos cambiais amplificam este efeito. O real brasileiro valorizou-se até atingir uma máxima de 1 mês face ao dólar na terça-feira, tornando as exportações menos atrativas para os produtores brasileiros e reduzindo a pressão de venda. Esta força cambial está a apoiar indiretamente o momento das ações do café ao diminuir os incentivos ao volume de exportação.
Tendências de Inventário Pintam um Quadro Misto
Os inventários de arábica na ICE estabilizaram-se, mas permanecem relativamente apertados. Os stocks monitorizados caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos a 20 de novembro, mas recuperaram para uma máxima de 2,5 meses, de 461.829 sacos, até quarta-feira. De forma semelhante, os inventários de robusta na ICE atingiram um mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes, a 10 de dezembro, recuperando para 4.278 lotes até 23-24 de dezembro. Estas estabilizações de inventário sugerem que não há nem uma escassez extrema nem excesso de oferta ao nível da bolsa.
No entanto, as posições de inventário nos EUA contam uma história diferente. Os compradores americanos reduziram significativamente as compras de café brasileiro durante o período de tarifas Trump (Agosto-Outubro). As compras caíram 52% face ao ano anterior, para 983.970 sacos durante este período. Embora as tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os stocks de café nos EUA permanecem limitados, implicando uma procura contínua por compras de substituição.
Sinais Contraditórios a Longo Prazo
A perspetiva para as ofertas globais de café apresenta um quadro complexo. A Organização Internacional do Café reportou a 7 de novembro que as exportações globais para o ano de comercialização atual caíram 0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos — uma diminuição modesta que indica uma escassez. No entanto, a projeção de longo prazo do USDA indica que a produção mundial atingirá níveis recorde em 2025/26.
Mais importante, a previsão do FAS é que os stocks finais de 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. A diminuição dos stocks de final de ano pode apoiar a resiliência do preço das ações do café, mesmo com recordes de produção à vista. A tensão entre uma produção abundante e uma redução nas reservas de carryover provavelmente irá definir a volatilidade do mercado nos meses vindouros.
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As preocupações climáticas no Brasil e a dinâmica global de oferta impulsionam a cotação das ações de café e o sentimento do mercado para cima
O mercado do café está a experimentar um momento notável hoje, com os contratos futuros de arábica de março a subir +0,65% e os contratos ICE de robusta de março a avançar +19 (+0,48%). O arábica atingiu uma máxima de 4 semanas, sinalizando um renovado interesse dos investidores nesta mercadoria crítica.
Perspetiva Global de Oferta a Remodelar a Dinâmica dos Preços das Ações do Café
As previsões de produção recentes estão a redefinir as expectativas do mercado. O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA divulgou a sua perspetiva de 18 de dezembro, projetando que a produção mundial de café em 2025/26 aumentará 2,0% face ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. No entanto, a divisão revela tendências divergentes: espera-se que a produção de arábica diminua 4,7% para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta aumenta 10,9% para 83,333 milhões de sacos. Esta mudança estrutural está a criar vencedores e perdedores nos mercados globais de café.
Vietname, o principal fornecedor de robusta, está a acelerar a produção. As exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, com a produção de 2025/26 projetada a subir 6% face ao ano anterior, para 1,76 MMT (29,4 milhões de sacos) — um máximo de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que condições meteorológicas favoráveis poderiam impulsionar a produção em mais 10%. Este aumento na oferta de robusta está a limitar os ganhos nesse segmento de mercado.
A situação do Brasil difere marcadamente. Enquanto a Conab, agência de previsão de colheitas do Brasil, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, o USDA projeta que a produção de 2025/26 diminuirá 3,1% face ao ano anterior, para 63 milhões de sacos. Como maior produtor mundial de arábica, a trajetória do Brasil influencia diretamente os preços globais.
Efeitos do Clima e da Moeda Catalisam Força de Curto Prazo
A precipitação abaixo da média no Brasil está a apoiar os preços do arábica hoje. A Somar Meteorologia reportou que Minas Gerais, a principal região de arábica do Brasil, recebeu 47,9 mm de chuva durante a semana que terminou a 2 de janeiro — apenas 67% das médias históricas. Condições secas numa zona de produção importante geralmente desencadeiam preocupações de oferta e sustentam as avaliações dos futuros.
Os movimentos cambiais amplificam este efeito. O real brasileiro valorizou-se até atingir uma máxima de 1 mês face ao dólar na terça-feira, tornando as exportações menos atrativas para os produtores brasileiros e reduzindo a pressão de venda. Esta força cambial está a apoiar indiretamente o momento das ações do café ao diminuir os incentivos ao volume de exportação.
Tendências de Inventário Pintam um Quadro Misto
Os inventários de arábica na ICE estabilizaram-se, mas permanecem relativamente apertados. Os stocks monitorizados caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos a 20 de novembro, mas recuperaram para uma máxima de 2,5 meses, de 461.829 sacos, até quarta-feira. De forma semelhante, os inventários de robusta na ICE atingiram um mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes, a 10 de dezembro, recuperando para 4.278 lotes até 23-24 de dezembro. Estas estabilizações de inventário sugerem que não há nem uma escassez extrema nem excesso de oferta ao nível da bolsa.
No entanto, as posições de inventário nos EUA contam uma história diferente. Os compradores americanos reduziram significativamente as compras de café brasileiro durante o período de tarifas Trump (Agosto-Outubro). As compras caíram 52% face ao ano anterior, para 983.970 sacos durante este período. Embora as tarifas tenham sido posteriormente reduzidas, os stocks de café nos EUA permanecem limitados, implicando uma procura contínua por compras de substituição.
Sinais Contraditórios a Longo Prazo
A perspetiva para as ofertas globais de café apresenta um quadro complexo. A Organização Internacional do Café reportou a 7 de novembro que as exportações globais para o ano de comercialização atual caíram 0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos — uma diminuição modesta que indica uma escassez. No entanto, a projeção de longo prazo do USDA indica que a produção mundial atingirá níveis recorde em 2025/26.
Mais importante, a previsão do FAS é que os stocks finais de 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25. A diminuição dos stocks de final de ano pode apoiar a resiliência do preço das ações do café, mesmo com recordes de produção à vista. A tensão entre uma produção abundante e uma redução nas reservas de carryover provavelmente irá definir a volatilidade do mercado nos meses vindouros.