A seca no Brasil e o aumento da moeda impulsionam o café arábica para o pico de 4 semanas, enquanto as perspetivas globais de oferta obscurecem o rally
Os futuros de café arábica estão a experimentar uma subida significativa hoje, com contratos de março a subir 13,30 pontos para atingir uma máxima de 4 semanas, refletindo um ganho de +3,70%. O café robusta também avançou, registando um aumento de +1,61%. A força dupla entre as variedades de café mascara uma tensão subjacente no mercado: enquanto preocupações meteorológicas imediatas e dinâmicas cambiais estão a impulsionar a subida atual, previsões de produção a longo prazo ameaçam limitar ganhos adicionais.
Pressão meteorológica e a força do Real impulsionam suporte de curto prazo para o arábica
O principal catalisador para a subida do arábica advém do Brasil, que produz aproximadamente 35% do abastecimento mundial de arábica. Minas Gerais, principal região produtora de arábica no Brasil, recebeu apenas 47,9 mm de precipitação na semana até 2 de janeiro — uma deficiência de 33% face às normas históricas, segundo a Somar Meteorologia. Condições mais secas do que o esperado numa área de cultivo importante normalmente restringem as expectativas de oferta, fornecendo suporte fundamental aos preços.
Para além disso, o real brasileiro valorizou-se para um máximo de 1 mês face ao dólar americano. Uma moeda mais forte desincentiva os produtores brasileiros de café de acelerarem as vendas de exportação, uma vez que as suas receitas em moeda local permanecem atraentes mesmo a preços mais baixos em dólares. Esta dinâmica naturalmente limita a oferta de curto prazo que chega aos mercados internacionais.
Escassez de inventário em ambas as variedades indica suporte de preço
Os níveis de inventário monitorizados pelas bolsas indicam uma história de suporte para os touros do café. Os stocks de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em meados de novembro, antes de recuperarem ligeiramente para 456.477 sacos no final de dezembro. Os inventários de robusta também atingiram um mínimo de 4.012 lotes, de 1 ano, em 10 de dezembro, e recuperaram modestamente para 4.278 lotes no final de dezembro. Embora estes níveis tenham estabilizado um pouco, permanecem historicamente restritos, limitando a margem de manobra para responder a picos de procura inesperados.
O vento contrário da oferta: previsões de produção ameaçam teto de preços
No entanto, por trás desta subida de preços esconde-se uma narrativa mais pessimista a longo prazo, impulsionada pela expansão da capacidade global de produção de café. A agência de previsão de colheitas do Brasil, a Conab, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, sinalizando uma disponibilidade abundante apesar da seca atual. Mais significativamente, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção do Brasil em 2025/26 totalizará 63 milhões de sacos, sugerindo uma base de produção que poderá eventualmente sobrecarregar as atuais restrições de inventário.
O Vietname, como maior produtor de robusta do mundo, reforça este quadro de oferta. As exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, enquanto a produção para 2025/26 está prevista subir 6%, atingindo 29,4 milhões de sacos — um máximo de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que a produção poderá estar 10% acima do ano anterior, se o clima favorável persistir, reforçando ainda mais a trajetória de crescimento da produção.
Contexto global: produção recorde encontra procura modesta
A nível mundial, o USDA projeta que a produção global de café em 2025/26 atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos, um aumento de 2,0% face ao ano anterior. Embora a produção de arábica deva diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, a robusta deverá subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. Estas tendências divergentes significam que, enquanto a escassez imediata de arábica apoia os contratos de março, o mercado mais amplo receberá uma expansão significativa da oferta de robusta nos próximos meses.
As reservas globais de café para 2025/26 estão previstas contrair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, indicando uma ligeira redução em relação aos níveis atuais. No entanto, esta projeção sucede uma produção recorde, sugerindo que, apesar das reduções de inventário, os níveis absolutos de oferta permanecerão elevados.
A troca: catalisadores de alta de curto prazo colidem com expansão de oferta a médio prazo
A atual subida do café arábica reflete a dinâmica clássica das commodities: preocupações de oferta imediatas e posicionamento cambial favorável estão a sobrepor-se às expectativas de produção a longo prazo. Como a força do real brasileiro desincentiva as exportações e a seca mantém a disponibilidade de curto prazo incerta, é provável que o suporte de preços persista. No entanto, os investidores devem estar cientes de que, assim que o clima no Brasil se estabilizar e os produtores retomarem os ritmos normais de exportação, o peso das previsões de produção global recorde poderá exercer uma pressão descendente sobre os valores. O desafio para os preços do arábica será manter este máximo de 4 semanas uma vez que o prémio meteorológico inicial e a vantagem cambial desapareçam do foco.
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A seca no Brasil e o aumento da moeda impulsionam o café arábica para o pico de 4 semanas, enquanto as perspetivas globais de oferta obscurecem o rally
Os futuros de café arábica estão a experimentar uma subida significativa hoje, com contratos de março a subir 13,30 pontos para atingir uma máxima de 4 semanas, refletindo um ganho de +3,70%. O café robusta também avançou, registando um aumento de +1,61%. A força dupla entre as variedades de café mascara uma tensão subjacente no mercado: enquanto preocupações meteorológicas imediatas e dinâmicas cambiais estão a impulsionar a subida atual, previsões de produção a longo prazo ameaçam limitar ganhos adicionais.
Pressão meteorológica e a força do Real impulsionam suporte de curto prazo para o arábica
O principal catalisador para a subida do arábica advém do Brasil, que produz aproximadamente 35% do abastecimento mundial de arábica. Minas Gerais, principal região produtora de arábica no Brasil, recebeu apenas 47,9 mm de precipitação na semana até 2 de janeiro — uma deficiência de 33% face às normas históricas, segundo a Somar Meteorologia. Condições mais secas do que o esperado numa área de cultivo importante normalmente restringem as expectativas de oferta, fornecendo suporte fundamental aos preços.
Para além disso, o real brasileiro valorizou-se para um máximo de 1 mês face ao dólar americano. Uma moeda mais forte desincentiva os produtores brasileiros de café de acelerarem as vendas de exportação, uma vez que as suas receitas em moeda local permanecem atraentes mesmo a preços mais baixos em dólares. Esta dinâmica naturalmente limita a oferta de curto prazo que chega aos mercados internacionais.
Escassez de inventário em ambas as variedades indica suporte de preço
Os níveis de inventário monitorizados pelas bolsas indicam uma história de suporte para os touros do café. Os stocks de arábica monitorizados pela ICE caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos, em meados de novembro, antes de recuperarem ligeiramente para 456.477 sacos no final de dezembro. Os inventários de robusta também atingiram um mínimo de 4.012 lotes, de 1 ano, em 10 de dezembro, e recuperaram modestamente para 4.278 lotes no final de dezembro. Embora estes níveis tenham estabilizado um pouco, permanecem historicamente restritos, limitando a margem de manobra para responder a picos de procura inesperados.
O vento contrário da oferta: previsões de produção ameaçam teto de preços
No entanto, por trás desta subida de preços esconde-se uma narrativa mais pessimista a longo prazo, impulsionada pela expansão da capacidade global de produção de café. A agência de previsão de colheitas do Brasil, a Conab, aumentou a sua estimativa de produção para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, sinalizando uma disponibilidade abundante apesar da seca atual. Mais significativamente, o Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projeta que a produção do Brasil em 2025/26 totalizará 63 milhões de sacos, sugerindo uma base de produção que poderá eventualmente sobrecarregar as atuais restrições de inventário.
O Vietname, como maior produtor de robusta do mundo, reforça este quadro de oferta. As exportações de café do país em 2025 aumentaram 17,5% face ao ano anterior, para 1,58 milhões de toneladas métricas, enquanto a produção para 2025/26 está prevista subir 6%, atingindo 29,4 milhões de sacos — um máximo de 4 anos. A Associação de Café e Cacau do Vietname indicou que a produção poderá estar 10% acima do ano anterior, se o clima favorável persistir, reforçando ainda mais a trajetória de crescimento da produção.
Contexto global: produção recorde encontra procura modesta
A nível mundial, o USDA projeta que a produção global de café em 2025/26 atingirá um recorde de 178,848 milhões de sacos, um aumento de 2,0% face ao ano anterior. Embora a produção de arábica deva diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, a robusta deverá subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. Estas tendências divergentes significam que, enquanto a escassez imediata de arábica apoia os contratos de março, o mercado mais amplo receberá uma expansão significativa da oferta de robusta nos próximos meses.
As reservas globais de café para 2025/26 estão previstas contrair 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, indicando uma ligeira redução em relação aos níveis atuais. No entanto, esta projeção sucede uma produção recorde, sugerindo que, apesar das reduções de inventário, os níveis absolutos de oferta permanecerão elevados.
A troca: catalisadores de alta de curto prazo colidem com expansão de oferta a médio prazo
A atual subida do café arábica reflete a dinâmica clássica das commodities: preocupações de oferta imediatas e posicionamento cambial favorável estão a sobrepor-se às expectativas de produção a longo prazo. Como a força do real brasileiro desincentiva as exportações e a seca mantém a disponibilidade de curto prazo incerta, é provável que o suporte de preços persista. No entanto, os investidores devem estar cientes de que, assim que o clima no Brasil se estabilizar e os produtores retomarem os ritmos normais de exportação, o peso das previsões de produção global recorde poderá exercer uma pressão descendente sobre os valores. O desafio para os preços do arábica será manter este máximo de 4 semanas uma vez que o prémio meteorológico inicial e a vantagem cambial desapareçam do foco.