A previsão do tempo brasileira de dezembro faz os futuros de Arábica e Robusta entrarem em forte declínio

Futuros de café Arábica para entrega em março (KCH26) caíram 3,41% hoje, com contratos de robusta (RMH26) a descer 1,02%, à medida que os traders reagiram rapidamente às previsões que indicam chuvas substanciais a atravessar o centro do Brasil na próxima semana. As projeções de precipitação reduziram significativamente as preocupações com períodos de seca prolongados que anteriormente sustentaram níveis elevados de preços. Simultaneamente, o dólar norte-americano atingiu um pico de quatro semanas, adicionando mais obstáculos às avaliações do café e de outras commodities.

O que está a pesar no mercado?

O setor de robusta do Vietname continua a acumular pressão de venda. As exportações de café do país aumentaram 17,5% face ao ano anterior em 2025, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas, de acordo com estatísticas oficiais, um padrão que reflete um forte impulso de produção que está a inundar os mercados globais. No Brasil — o coração do cultivo de arábica mundial — a narrativa mudou drasticamente desde as máximas de quatro semanas da última quinta-feira. Dados anteriores mostraram que Minas Gerais, a principal zona de cultivo de arábica, recebeu apenas 47,9 mm de chuva no início de janeiro, representando apenas 67% dos níveis normais sazonais. Essa narrativa de escassez de oferta, no entanto, está a ser revertida pelas previsões meteorológicas de dezembro.

Mudanças de inventário sinalizam estabilização do mercado

A bolsa ICE registou uma queda nos estoques de arábica para um mínimo de 1,75 anos de 398.645 sacos em novembro, antes de se recuperar para 461.829 sacos até meados da semana — sugerindo estabilização em vez de escassez aguda. Os inventários de robusta seguiram um padrão semelhante, atingindo mínimos de um ano em dezembro, mas recuperando para máximas de cinco semanas posteriormente. Essas recuperações indicam que o mercado não está a precificar emergências de oferta imediatas.

Os importadores norte-americanos mantiveram as compras de café brasileiro restritas, mesmo com tarifas anteriormente impostas a serem reduzidas. A desaceleração nas importações foi severa: os embarques de agosto a outubro contraíram 52% face ao ano anterior, para apenas 983.970 sacos. Os inventários domésticos nos EUA permanecem limitados, restringindo uma recuperação da procura a curto prazo.

Produção no Brasil e previsões globais reconfiguram expectativas

As autoridades agrícolas do Brasil, a Conab, aumentaram as suas estimativas de dezembro para a produção de 2025/26 em 2,4%, projetando 56,54 milhões de sacos, face aos 55,20 milhões de sacos previstos em setembro. Essa revisão para cima reflete expectativas melhoradas após preocupações com secas, pressionando ainda mais os preços para baixo.

A trajetória de produção do Vietname conta uma história semelhante de abundância. A colheita de 2025/26 deverá subir 6% anualmente, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas (29,4 milhões de sacos), marcando um pico de quatro anos. Associações do setor projetam uma possível expansão de 10% se o clima colaborar, consolidando a posição do Vietname como o principal fornecedor de robusta.

O panorama mais amplo: fornecimentos globais em níveis recorde

De acordo com o relatório de dezembro do USDA Foreign Agriculture Service, a produção mundial de café para 2025/26 está prevista atingir um recorde de 178,848 milhões de sacos — um aumento de 2% face ao ano anterior. Embora a produção de arábica deva diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, a de robusta salta 10,9%, para 83,333 milhões de sacos. O FAS projeta que a colheita no Brasil contrairá 3,1%, para 63 milhões de sacos, embora a produção do Vietname suba 6,2%, para 30,8 milhões de sacos.

A Organização Internacional do Café observou que as exportações globais durante o atual ano de comercialização caíram modestamente 0,3% face ao ano anterior, para 138,658 milhões de sacos em novembro, sinalizando fluxos comerciais relativamente estáveis. No entanto, os stocks finais para 2025/26 estão previstos diminuir 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos no período anterior, sugerindo uma eventual escassez futura.

O mercado de café hoje encarna a tensão entre o alívio imediato impulsionado pelo clima e os aumentos de produção a longo prazo que deverão fluir para os canais globais ao longo de 2025 e além.

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