Os dados de novembro revelam uma realidade chocante. Apesar do vento contrário causado pelos novos tarifários da UE, fabricantes de automóveis chineses conquistaram uma quota de 12,8% do mercado europeu de veículos elétricos. Segundo estatísticas da Dataforce obtidas pela Bloomberg, incluindo veículos híbridos, esse número ultrapassa os 13%. Enquanto BYD e SAIC Motor lideram o mercado, novas forças emergentes como Chery Automobile e Zhejiang Leapmotor Technology também estão a ganhar rapidamente presença.
Por que esta ofensiva tão agressiva?
O pano de fundo é uma grave sobreprodução interna na China. No mercado doméstico, a competição de preços intensificou-se, obrigando os fabricantes a procurar novos mercados de venda. A Europa tornou-se o alvo ideal para isso.
Estratégia de conquista da BYD na Europa
A BYD é a mais ativa nesta estratégia. Está a expandir a sua linha de veículos plug-in híbridos e de marcas premium, concentrando investimentos na construção de fábricas na Europa. Enquanto concorrentes como Geely e Xiaomi crescem rapidamente no mercado interno, a empresa quer acelerar a sua presença na Europa.
Com sede em Shenzhen, a BYD já tem feito esforços consideráveis. Está a estabelecer bases sólidas na construção de marca, na rede de concessionários e na infraestrutura de carregamento. O objetivo é estar totalmente preparado antes que os concorrentes cheguem.
A vice-presidente executiva Stella Li, da BYD, falou numa conferência de imprensa em Zhengzhou sobre a primeira fábrica na Europa, na Hungria. A instalação estará concluída até ao final do ano, com testes a começar no primeiro trimestre de 2026 e produção em massa a partir do segundo trimestre.
Não é só na Hungria. Novas fábricas estão a ser construídas no Brasil e na Turquia, e desde agosto já começaram a ser enviadas para a Europa as unidades produzidas na fábrica existente na Tailândia. Li admitiu que a produção na Hungria inicialmente será mais cara do que na China, mas considera que é um investimento necessário para construir uma marca confiável e proteger-se das tarifas. Os custos deverão diminuir com o tempo.
Estão também a ser considerados outros locais na Europa, incluindo Espanha. Li comentou: “Primeiro vamos expandir a fábrica na Hungria, depois a do Brasil, e depois a da Turquia. Os planos seguintes ainda não estão claros.”
O CEO Wang Chuanfu recentemente enviou equipas de investigação e desenvolvimento para a Europa, América Latina e Médio Oriente, para adaptar os veículos às necessidades dos consumidores nesses mercados.
Os resultados já se refletem nos números. Dados de registo de outubro mostram que, na Alemanha, há mais de quatro vezes mais veículos registados pela BYD do que pela Tesla, e no Reino Unido quase sete vezes mais. Estes factos são confirmados por dados de agências governamentais e de comércio.
Evasão de tarifas e estratégia híbrida
Fabricantes de automóveis chineses têm absorvido a maior parte das tarifas da UE que entraram em vigor na segunda metade de 2024. Simultaneamente, estão a lançar modelos híbridos que não são afetados por tarifas e a expandir-se para mercados fora da UE, como o Reino Unido.
Crescimento explosivo de marcas emergentes
As vendas de veículos elétricos da Leapmotor na Europa cresceram mais de 4.000% em outubro face ao ano anterior, segundo dados da Jato Dynamics. Essa expansão é impulsionada pela parceria com a Stellantis (que inclui Peugeot, Fiat e Opel). No mesmo período, a marca Omoda da Chery registou um aumento de 1.100% nas vendas de EVs.
Pressão das fabricantes tradicionais na Europa
As fabricantes tradicionais na Europa estão sob pressão. Estão a fazer lobby junto das autoridades para que sejam relaxadas as regras de eliminação progressiva de veículos a gasolina e diesel. As autoridades da UE também começaram a reconsiderar o plano de proibição de vendas de veículos com motor de combustão interna até 2035, numa tentativa de proteger uma das maiores indústrias do continente.
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Fabricantes de automóveis chineses aceleram no mercado europeu, conquistando quase 13% de quota apesar da pressão regulatória
Os dados de novembro revelam uma realidade chocante. Apesar do vento contrário causado pelos novos tarifários da UE, fabricantes de automóveis chineses conquistaram uma quota de 12,8% do mercado europeu de veículos elétricos. Segundo estatísticas da Dataforce obtidas pela Bloomberg, incluindo veículos híbridos, esse número ultrapassa os 13%. Enquanto BYD e SAIC Motor lideram o mercado, novas forças emergentes como Chery Automobile e Zhejiang Leapmotor Technology também estão a ganhar rapidamente presença.
Por que esta ofensiva tão agressiva?
O pano de fundo é uma grave sobreprodução interna na China. No mercado doméstico, a competição de preços intensificou-se, obrigando os fabricantes a procurar novos mercados de venda. A Europa tornou-se o alvo ideal para isso.
Estratégia de conquista da BYD na Europa
A BYD é a mais ativa nesta estratégia. Está a expandir a sua linha de veículos plug-in híbridos e de marcas premium, concentrando investimentos na construção de fábricas na Europa. Enquanto concorrentes como Geely e Xiaomi crescem rapidamente no mercado interno, a empresa quer acelerar a sua presença na Europa.
Com sede em Shenzhen, a BYD já tem feito esforços consideráveis. Está a estabelecer bases sólidas na construção de marca, na rede de concessionários e na infraestrutura de carregamento. O objetivo é estar totalmente preparado antes que os concorrentes cheguem.
A vice-presidente executiva Stella Li, da BYD, falou numa conferência de imprensa em Zhengzhou sobre a primeira fábrica na Europa, na Hungria. A instalação estará concluída até ao final do ano, com testes a começar no primeiro trimestre de 2026 e produção em massa a partir do segundo trimestre.
Não é só na Hungria. Novas fábricas estão a ser construídas no Brasil e na Turquia, e desde agosto já começaram a ser enviadas para a Europa as unidades produzidas na fábrica existente na Tailândia. Li admitiu que a produção na Hungria inicialmente será mais cara do que na China, mas considera que é um investimento necessário para construir uma marca confiável e proteger-se das tarifas. Os custos deverão diminuir com o tempo.
Estão também a ser considerados outros locais na Europa, incluindo Espanha. Li comentou: “Primeiro vamos expandir a fábrica na Hungria, depois a do Brasil, e depois a da Turquia. Os planos seguintes ainda não estão claros.”
O CEO Wang Chuanfu recentemente enviou equipas de investigação e desenvolvimento para a Europa, América Latina e Médio Oriente, para adaptar os veículos às necessidades dos consumidores nesses mercados.
Os resultados já se refletem nos números. Dados de registo de outubro mostram que, na Alemanha, há mais de quatro vezes mais veículos registados pela BYD do que pela Tesla, e no Reino Unido quase sete vezes mais. Estes factos são confirmados por dados de agências governamentais e de comércio.
Evasão de tarifas e estratégia híbrida
Fabricantes de automóveis chineses têm absorvido a maior parte das tarifas da UE que entraram em vigor na segunda metade de 2024. Simultaneamente, estão a lançar modelos híbridos que não são afetados por tarifas e a expandir-se para mercados fora da UE, como o Reino Unido.
Crescimento explosivo de marcas emergentes
As vendas de veículos elétricos da Leapmotor na Europa cresceram mais de 4.000% em outubro face ao ano anterior, segundo dados da Jato Dynamics. Essa expansão é impulsionada pela parceria com a Stellantis (que inclui Peugeot, Fiat e Opel). No mesmo período, a marca Omoda da Chery registou um aumento de 1.100% nas vendas de EVs.
Pressão das fabricantes tradicionais na Europa
As fabricantes tradicionais na Europa estão sob pressão. Estão a fazer lobby junto das autoridades para que sejam relaxadas as regras de eliminação progressiva de veículos a gasolina e diesel. As autoridades da UE também começaram a reconsiderar o plano de proibição de vendas de veículos com motor de combustão interna até 2035, numa tentativa de proteger uma das maiores indústrias do continente.