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7 mil milhões de dólares aposta iraniana, forçando os EUA a reforçar as regras dos mercados de previsão
Escrito por: Andjela Radmilac
Traduzido por: Saoirse, Foresight News
Polymarket e Kalshi estão buscando financiamento para alcançar avaliações de topo no setor de tecnologia financeira de consumo, enquanto as autoridades regulatórias dos EUA aceleram a elaboração de novas regras para esses produtos. Segundo relatos, ambas as empresas estão em negociações iniciais de financiamento, com avaliações que podem atingir cerca de 20 bilhões de dólares.
Essa onda de financiamento coincide com uma tempestade política.
Contratos relacionados ao Irã transformaram o mercado de previsão de uma ferramenta de nicho em um foco de controvérsia envolvendo informações privilegiadas e especulação sobre guerras. A Reuters investigou mercados de negociação na Polymarket relacionados ao momento do ataque ao Irã e à possível destituição de Khamenei, descobrindo que cerca de 529 milhões de dólares foram investidos em contratos ligados ao tempo do ataque, e aproximadamente 150 milhões de dólares em contratos relacionados a Khamenei; ao mesmo tempo, há informações de que seis contas lucraram cerca de 1,2 milhão de dólares com negociações precisas.
Atualmente, legisladores americanos estão elaborando projetos de lei, e a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC) afirmou que avançará com novas regras regulatórias.
Wall Street acredita que a previsão de probabilidades se tornará parte do sistema de informações; porém, Washington tenta impedir isso, preocupada que esse sistema possa beneficiar aqueles que não deveriam lucrar nos piores momentos.
Por que Wall Street aposta nas plataformas de previsão
As plataformas de previsão podem transformar atenção em negociações, gerar taxas de corretagem e fornecer dados de probabilidade em tempo real, empacotados em produtos de informação.
São esses produtos de dados que afastaram o mercado de previsão da categoria de “jogo de azar”, classificando-o como uma ferramenta de informação semelhante a dados de mercado, pesquisas de opinião e terminais financeiros — devido à sua forma de apresentação e cotações altamente similares.
Mídia mainstream já começou a colaborar com essas plataformas:
CNBC assinou um acordo de vários anos com Kalshi, a partir de 2026, para integrar seus dados de probabilidade em programas de TV e digitais.
Dow Jones firmou uma parceria exclusiva com Polymarket, levando dados de previsão para plataformas como The Wall Street Journal e Barron’s, considerando os contratos como infraestrutura de notícias ao lado de relatórios financeiros, taxas de juros e cobertura de eleições.
Essas parcerias também ampliaram o impacto de escândalos: uma vez que os dados de probabilidade entram na mídia mainstream, influenciam a percepção pública sobre a possibilidade e urgência de eventos. Essa é uma das razões pelas quais reguladores acreditam que as plataformas devem cumprir padrões mais elevados de justiça, monitoramento e liquidação.
Isso explica por que, mesmo com controvérsias políticas envolvendo contratos relacionados ao Irã, as avaliações dessas empresas continuam a subir.
O Caso Irã torna o mercado de previsão um dilema para Washington
A maior vantagem do mercado de previsão é a capacidade de obter informações antecipadamente. Contratos relacionados ao Irã deixam claro que essas plataformas tocam em informações sensíveis que o governo tenta controlar.
Em 2 de março, contratos ligados ao tempo do ataque atingiram 529 milhões de dólares, e contratos sobre a morte ou destituição de Khamenei somaram cerca de 150 milhões de dólares. Horas antes do ataque a altos funcionários iranianos, seis contas fizeram aportes repentinos, lucrando 1,2 milhão de dólares com esses contratos.
Com o aumento dos conflitos, várias reportagens indicaram que muitas contas recém-criadas apostaram precisamente em eventos relacionados ao Irã. Essas notícias colocaram a Polymarket diretamente sob o foco de regulamentação e fiscalização governamental.
O principal problema dessas plataformas atualmente é: confiança e justiça.
Para que o mercado de previsão funcione, é preciso que os usuários confiem na estabilidade das regras, na consistência das decisões e na ausência de informações privilegiadas. Quando o objeto da negociação envolve ações militares, a questão da confiança se torna uma questão política — pois a motivação para negociações antecipadas pode ser a divulgação de informações sensíveis ou confidenciais.
Essa é uma das razões para a rápida escalada das políticas regulatórias.
Os deputados Mike Levin e Chris Murphy estão elaborando projetos de lei para restringir o mercado de previsão. O Congresso definirá quais eventos podem ser negociados legalmente.
Além disso, o presidente da CFTC, Michael Selig, afirmou que o órgão enviou uma notificação prévia ao Escritório de Gestão e Orçamento da Casa Branca sobre a elaboração de regras, que em breve estabelecerão um quadro regulatório para o mercado de previsão, afetando aspectos como design de contratos, monitoramento e aplicação.
A escolha de Washington é clara:
Reconhecer o mercado de previsão como contratos de eventos legítimos, reforçar a regulamentação, estabelecer limites claros e permitir uma expansão ordenada do setor sob regras;
Proibir categorias de contratos relacionados a guerra, assassinato ou destituição de líderes, pois esses tipos de negociação são altamente suscetíveis a manipulação de informações privilegiadas e motivações ilícitas.
Os dados a seguir revelam por que esse conflito é difícil de resolver:
Disputas envolvendo Kalshi também demonstram que apenas a regulamentação não resolve completamente a questão da confiança.
Em 5 de março, Kalshi foi alvo de uma ação coletiva, com usuários alegando que a plataforma se recusou a pagar cerca de 54 milhões de dólares em prêmios — apostas de que o líder máximo do Irã seria destituído até 1 de março. Os demandantes afirmam que, após o ataque ao líder iraniano, a Kalshi ativou de forma temporária uma cláusula de “exceção relacionada à morte”, para negar o pagamento.
A Kalshi, por sua vez, afirmou que suas regras sobre negociações relacionadas à morte de líderes já estavam claras, e que reembolsou taxas e compensou perdas dos usuários, que não tiveram prejuízo.
Esse é o dilema enfrentado atualmente por investidores e formuladores de políticas.
Investidores desejam que o setor cresça, se popularize e que dados de previsão de probabilidade sejam integrados de forma fundamentada ao sistema de informações mainstream.
Usuários, por outro lado, querem que, em eventos controversos e emocionalmente carregados, as regras das plataformas sejam estáveis e confiáveis.
Reguladores querem evitar que esses mercados transformem ações sensíveis de países em produtos negociáveis, prevenindo que informações confidenciais sejam exploradas para obter lucros. Pois, uma vez que os preços dessas negociações influenciem o ambiente de informação pública, os riscos relacionados podem evoluir para problemas de governança.