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Arbitragem de criptomoedas é frequentemente apresentada como uma pílula mágica para ganhar dinheiro — dizem que não é preciso análise, o risco é mínimo e o lucro chega instantaneamente. Mas quando se passa à prática, percebe-se que nem todos conseguem "girar" entre as exchanges com a mesma facilidade que dizem. Vamos entender o que realmente acontece aqui.
Por essência, trata-se simplesmente de comprar criptomoeda a um preço e vendê-la imediatamente por outro mais alto. Por exemplo, comprei ETH por 1500 numa plataforma, vendi por 1600 noutra — e aí está o lucro. Parece simples, mas há nuances. O mais importante é a velocidade. No mercado de criptomoedas, os preços mudam literalmente em segundos, por isso não se pode hesitar. Geralmente, isso é automatizado através de bots, caso contrário, não se consegue acompanhar.
Por que surgem esses desníveis de preço? Cada exchange é um mercado separado com seu próprio balanço de oferta e procura. Quando esse balanço é perturbado, aparece uma lacuna no preço. Os arbitradores preenchem essa lacuna, ganhando comissão por equilibrar os preços. Do ponto de vista do mercado — isso é útil, pois estabiliza os preços.
Existem várias opções. Pode-se negociar numa única exchange através de diferentes pares — é rápido, não é preciso transferir criptomoeda. Ou comprar numa plataforma, transferir para outra e vender lá — mais complicado, com maiores comissões, mas as lacunas podem ser maiores. A nível internacional, é uma história à parte, com diferentes países, moedas fiduciárias e métodos de pagamento locais.
A história é interessante. No início do mercado de criptomoedas, quando havia poucas exchanges e pouco dinheiro, os desníveis de preço chegavam a dezenas de porcento. Em plataformas africanas, o bitcoin custava 87% mais caro do que na média, porque a região era financeiramente isolada e as pessoas escapavam da inflação das moedas locais. Em exchanges japonesas, havia uma sua própria margem — plataformas internacionais não tinham acesso. A margem coreana do Kimchi também era bastante significativa. Na altura, traders comuns conseguiam ganhar bem. Até a Alameda Research começou exatamente com arbitragem entre o Japão e o resto do mundo, antes de crescer na FTX.
Mas a partir de 2017, quando entraram grandes market makers e capital institucional, a situação mudou. Agora, a maior parte das operações é feita por bots, que reagem instantaneamente e negociam em escala global. É muito mais difícil competir com eles para o trader comum. Apesar disso, ainda há oportunidades, especialmente em DEXs e entre CEXs e DEXs.
Como funciona na prática? Os arbitradores constroem chamadas "ligas" — algoritmos que indicam onde comprar um ativo e onde vendê-lo. Uma ligação simples: comprei ETH no P2P, transferi para outra exchange, vendi lá. Mas muitas ligações são muito mais complexas — até 10 ou mais pares intermediários e plataformas. Os lucros costumam ser pequenos em percentagem, raramente mais de 5-10%, por isso é preciso volume elevado. Mas, se a ligação funcionar, pode-se reinvestir o lucro na próxima rodada e aumentar o depósito.
O problema é que, assim que a ligação se torna conhecida ou é descoberta por um grande jogador, a lacuna desaparece rapidamente. O balanço de oferta e procura é equilibrado, e o lucro cai. Por isso, os arbitradores estão sempre à procura de novas oportunidades.
Para encontrar essas oportunidades, usam várias ferramentas. O Cryptorank mostra desníveis de preço por cada moeda entre as exchanges — é a opção gratuita mais conveniente. O Coinmarketcap fornece uma lista completa de mercados e pares. O Dexscreener ajuda a monitorizar pools de liquidez e diferenças de câmbio. Mas isso é uma monitorização manual, que exige tempo. Por isso, muitos usam scanners — Coingapp, Arbitragescanner, ArbiTool e outros. Eles procuram ligações automaticamente e podem até negociar via API. Contudo, o software pode ser pago, e é preciso fazer DYOR — alguns exigem conexão de contas de exchanges ou depósitos. No jogo, estão dinheiro real.
Existem também outras fontes de informação — canais no Telegram com sinais, clubes fechados de alfa, influenciadores no Twitter. Mas muitas vezes é informação atrasada ou uma tentativa de vender o próprio produto. Para ligações realmente atuais, é preciso pagar, e ninguém garante quanto tempo elas vão durar. Por isso, é melhor aprender a analisar o mercado por si próprio.
Legalmente, a arbitragem de moedas é uma atividade legítima, desde que se cumpram os requisitos das plataformas: KYC, limites de negociação, verificação de pagamentos. A principal acusação que pode surgir é lavagem de dinheiro, mas é fácil de rebater, provando a origem dos fundos. Não se deve usar mixers — as exchanges os marcam como arriscados e podem congelar os fundos. Se usar automação via API, verifique a política da exchange a esse respeito.
Que exchanges escolher? Depende da escala e do tipo de negociação. Os maiores desníveis geralmente estão entre plataformas principais e exchanges menos conhecidas, por isso pode ser necessário ter várias contas. Pode começar por estudar a secção de arbitragem no Cryptorank — lá é possível ver entre quais exchanges há potencial de negociação. O software de automação suporta apenas certas plataformas, então a lista será conhecida após o download. Regra geral: quanto mais contas, maior o potencial de ligações, mas é preciso equilibrar quantidade e complexidade de registo.
No final, a arbitragem de moedas no mercado de criptomoedas é uma forma real de ganhar dinheiro, mas não tão simples e sem risco quanto parece à primeira vista. No início, era uma área acessível até para novatos. Agora, é ocupada por profissionais e bots, que fecham as lacunas mais rapidamente. Mas as oportunidades permanecem, se tiver boas habilidades de análise, dezenas de contas e estiver disposto a monitorizar constantemente o mercado. Não deixe de fazer DYOR e boa sorte na procura de ligações!