Tenho investigado algumas ações subvalorizadas recentemente e encontrei algo que vale a pena partilhar. A maioria das pessoas obsessivamente analisa os rácios P/E ao escolher ações, mas há outro indicador que não recebe tanta atenção: o rácio preço/valor contabilístico. É basicamente comparar o que estás a pagar por uma ação versus o que a empresa realmente vale em papel.



Aqui está o que torna o P/B interessante. Quando uma ação é negociada a um P/B inferior ou igual a um, estás a comprar ativos abaixo do seu valor declarado. Parece bom demais para ser verdade? Às vezes é, mas às vezes é uma oportunidade genuína. A fórmula é bastante simples: capital de mercado dividido pelo valor contabilístico do património. O que realmente importa é entender o que significa o valor contabilístico em primeiro lugar.

O valor contabilístico é essencialmente o que os acionistas receberiam se a empresa liquidasse tudo amanhã, após pagar as dívidas. Não é algo vistoso, mas é real. Para negócios com ativos tangíveis pesados, como fabricantes de automóveis ou empresas de manufatura, este indicador realmente diz algo significativo. Para empresas de tecnologia que queimam dinheiro em I&D? Não tanto.

Tenho analisado empresas que cumprem várias condições: P/B inferior ou igual à mediana do setor, rácios P/E sólidos e perspetivas de crescimento razoáveis. A Ford chamou-me a atenção primeiro. A fabricante de automóveis tem uma classificação sólida e um crescimento projetado do EPS de cerca de 27% nos próximos anos. É esse tipo de potencial de valorização que queres ver aliado a uma avaliação barata.

A USANA Health Sciences é outra que vale a pena acompanhar. Estão no setor de produtos nutricionais com uma forte projeção de crescimento, com um crescimento de EPS de 12%. A Strategic Education, através da Strayer University, mostra um crescimento projetado de 15%. Depois há a Patria Investments, que opera nos mercados privados da América Latina, e a Concentrix, que gere serviços empresariais habilitados por tecnologia.

A filtragem que usei foi bastante direta. Procurei ações a negociar a um preço inferior ou igual à mediana do setor tanto no P/B como no P/S. Preço atual acima de 5 dólares, volume de negociação decente para entrares e saíres facilmente, e classificações de analistas que sugerem desempenho superior. Essa última parte importa mais do que as pessoas percebem.

Uma advertência, no entanto: um P/B barato pode ser uma armadilha. Às vezes, as ações são baratas porque a empresa está a obter retornos terríveis sobre os seus ativos ou porque os ativos estão inflacionados no balanço. É preciso aprofundar, cruzar com o P/E, verificar a situação da dívida, analisar a qualidade dos lucros reais. Um rácio baixo por si só não é sinal de compra.

A verdadeira oportunidade surge quando encontras ações que estão genuinamente subvalorizadas em relação às suas perspetivas de crescimento e não apenas baratas porque algo está errado. É aí que está a verdadeira vantagem no investimento em valor.
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