Como devem os investidores em criptomoedas responder à notificação de declaração voluntária de rendimentos provenientes do estrangeiro?

Recentemente, uma publicação nas redes sociais sobre a declaração de rendimentos no estrangeiro rapidamente gerou um intenso debate, atingindo mais de 100 mil visualizações.

Muitos residentes nacionais mencionaram nos comentários que já receberam alertas das autoridades fiscais via SMS, aplicativos de imposto de renda ou telefonemas, solicitando que realizem a autoavaliação e declaração de rendimentos no estrangeiro o mais rápido possível. Diante dessa onda de interação, fica claro que, recentemente, o foco das autoridades fiscais sobre os investimentos no estrangeiro por residentes domésticos tem aumentado significativamente. Sinais semelhantes não são casuais: em 11 de novembro, os departamentos fiscais de Beijing, Guangdong e outros seis locais divulgaram simultaneamente seis casos de não declaração tempestiva de rendimentos no estrangeiro. Claramente, essa ação coordenada de fiscalização não é aleatória; a verificação sistemática de rendimentos no estrangeiro por parte das autoridades fiscais terá um impacto considerável nas atividades de investimento em web3 de alta popularidade.

Este artigo irá analisar a ação coletiva recente dos departamentos fiscais de seis províncias e cidades, oferecendo uma visão geral dessa operação de fiscalização em lote, além de fornecer recomendações práticas de conformidade, autoavaliação e declaração, do ponto de vista dos profissionais de criptomoedas.

1. Por que agora? CRS e a cooperação com o “Quarta Fase do Sistema de Impostos Dourados”

Em 11 de novembro deste ano, os departamentos fiscais de Beijing, Guangdong, Shenzhen, Fujian, Xiamen e Sichuan publicaram quase simultaneamente o aviso “Orientações para indivíduos com rendimentos não declarados no estrangeiro realizarem autoavaliação e retificarem a declaração”, expondo também uma série de casos típicos, como Wang de Beijing, que pagou 510 mil yuans de imposto atrasado, Zhou de Shenzhen, que pagou 3,362 milhões de yuans, e Fu de Xiamen, cujo valor de pagamento ultrapassou 6,987 milhões de yuans. A capacidade de realizar ações coletivas por parte das autoridades fiscais deve-se fundamentalmente ao suporte do “Sistema de Análise de Big Data Tributária”. Essa atualização na fiscalização é uma consequência natural do amadurecimento tecnológico, envolvendo principalmente o CRS (Padrão de Troca Automática de Informações de Contas Financeiras com Implicações Tributárias) e o projeto “Quarta Fase do Sistema de Impostos Dourados”.

1.1 Normalização do fluxo de informações CRS

O CRS, lançado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é um padrão de troca automática de informações de contas financeiras com implicações fiscais, já adotado por mais de 100 países. Até 2023, a China já realizou trocas automáticas de informações com mais de 100 países e regiões globalmente, abrangendo dados bastante amplos: não apenas saldos de contas, mas também depósitos bancários, contas de valores mobiliários (como ações nos EUA e Hong Kong), seguros com valor em dinheiro, rendimentos de trusts offshore, entre outros.

Segundo rumores, a recente ação coordenada das autoridades fiscais deve-se ao fato de que as informações de contas no estrangeiro referentes ao período 2022-2023 foram recentemente trocadas e transmitidas de volta. Com esses dados em mãos, as autoridades fiscais podem compará-los com os registros de declaração domésticos, identificando facilmente os indivíduos que não declararam corretamente.

1.2 “Quarta Fase do Sistema de Impostos Dourados” para uma análise precisa

O CRS é uma ferramenta essencial para obter informações fiscais de contas no estrangeiro. Com a entrada em operação da “Quarta Fase do Sistema de Impostos Dourados”, a capacidade de fiscalização das autoridades fiscais deu um salto. Agora, elas podem usar big data, inteligência artificial e outras tecnologias para comparar de forma eficiente dados de múltiplas fontes, incluindo impostos, bancos e consumo. Sua principal função é identificar automaticamente dados fiscais anômalos, elevando a fiscalização de métodos tradicionais para uma análise digital precisa.

A capacidade de comparação inteligente do “Quarta Fase do Sistema de Impostos Dourados” permite detectar rapidamente riscos fiscais evidentes. Por exemplo, um residente que declara uma renda anual de 50 mil yuans, mas possui imóveis no estrangeiro avaliados em milhões de yuans, ou que compra grandes seguros no exterior usando contas domésticas. Essas discrepâncias entre ativos ou gastos domésticos e no exterior acionam alertas fiscais, permitindo às autoridades localizar riscos potenciais com alta precisão, apoiando processos de auditoria de conformidade.

2. Rendimentos de ativos criptográficos no exterior também serão tributados?

Muitos investidores de Web3 têm dúvidas: “Já que o país proíbe transações com criptomoedas, por que ainda há tributação?”

Essa visão parece razoável superficialmente, mas não se sustenta sob o atual sistema legal tributário. A fiscalização e a autorização administrativa não são a mesma coisa: mesmo que uma atividade de transação de ativos seja restrita, se o resultado da atividade gerar “renda”, as autoridades fiscais ainda têm o direito de tributar. Primeiramente, de acordo com a Lei do Imposto de Renda de Pessoa Física, qualquer pessoa que tenha residência na China ou que tenha residido por mais de 183 dias em um ano fiscal é considerada “residente”. A China aplica o princípio de tributação global para residentes. Isso significa que, independentemente de a renda vir de salários em Beijing, dividendos de ações nos EUA, ou lucros de DeFi na blockchain, se constituir “renda”, estará sob jurisdição fiscal chinesa.

Em segundo lugar, na prática, desde 2008, a Administração Tributária Nacional já esclareceu na “Resposta sobre a tributação de renda obtida por indivíduos na compra e venda de criptomoedas na internet” que rendimentos obtidos por compra e venda de criptomoedas por indivíduos devem ser tributados como “renda de transferência de propriedade”. Embora essa norma tenha sido inicialmente direcionada a moedas de jogo, na prática atual, os lucros de transações com Bitcoin e outros ativos criptográficos seguem essa orientação.

Portanto, mesmo que os ativos criptográficos estejam armazenados em exchanges no exterior ou em carteiras frias, qualquer rendimento gerado — especialmente ao realizar conversões OTC e repassar os fundos ao interior — é, do ponto de vista jurídico, considerado “renda no estrangeiro” e deve ser declarado.

3. Quais são as consequências de não declarar?

Notamos que nos comentários da publicação, alguns investidores de Web3 acreditam: “Se descobrirem, basta pagar o imposto atrasado.” Mas, sob a perspectiva legal, a classificação jurídica e as penalidades econômicas de uma declaração passiva e de uma autoavaliação proativa são bastante diferentes.

3.1 Multa por atraso elevada

De acordo com o Artigo 32 da Lei de Administração Tributária, quem não pagar o imposto no prazo estabelecido estará sujeito a uma multa de mora de 0,05% ao dia sobre o valor devido, além de ser obrigado a pagar o imposto devido. Calculando anualmente, essa multa equivale a uma taxa de aproximadamente 18,25% ao ano, muito superior aos juros de um empréstimo comercial comum. Além disso, esse valor é uma cobrança obrigatória por lei, sem possibilidade de isenção ou redução; quanto mais tempo passar, maior será o peso financeiro.

3.2 Multa máxima de 5 vezes e classificação de “evasor fiscal”

Segundo o Artigo 63 da Lei de Administração Tributária, quem se recusar a declarar após notificação, ou fizer declarações falsas, e não pagar ou pagar parcialmente o imposto devido, comete evasão fiscal. Uma vez reconhecida como evasor, a autoridade fiscal pode não apenas cobrar o imposto e a multa de mora, mas também aplicar uma multa de 50% a 500% do valor devido. Ou seja, se um contribuinte deve 1 milhão de yuans e se recusa a declarar, além de pagar o imposto e a multa de mora, pode ser multado em até 5 milhões de yuans, com perdas econômicas multiplicadas.

3.3 Rebaixamento de crédito e riscos criminais

De acordo com o “Regulamento de Divulgação de Informações de Grandes Contribuintes com Má Conduta Fiscal”, se uma pessoa não declarar rendimentos de ativos criptográficos, após notificação das autoridades fiscais, e a dívida ultrapassar 1 milhão de yuans ou representar mais de 10% do total de impostos de um ano, ela será considerada uma “grande infratora fiscal com má conduta”. Além disso, o Artigo 15 do mesmo regulamento estabelece que os infratores incluídos na avaliação de crédito fiscal serão classificados como contribuinte de nível D. Ser classificado como nível D implica, entre outras consequências, restrições de saída do país, limitações ao consumo de alto padrão e dificuldades na obtenção de empréstimos.

Adicionalmente, de acordo com o Artigo 201 do Código Penal, indivíduos que obtêm altos lucros com compra e venda de criptomoedas na internet, não declaram e deixam de pagar impostos, com valor de evasão superior a 100 mil yuans (considerado grande valor), e que, após notificação de pagamento, continuam a não pagar o imposto, podem ser considerados criminosos por evasão fiscal. Uma condenação por evasão fiscal implica não apenas o pagamento do imposto e multa de mora, mas também severas restrições de crédito e direitos sociais, podendo levar à prisão.

4. Como agir ao receber uma notificação?

Embora as consequências de não declarar sejam graves, ao receber um aviso ou notificação das autoridades fiscais sobre rendimentos no estrangeiro, não há motivo para pânico ou para procrastinar. A abordagem mais segura é verificar os fatos, organizar os documentos e confirmar o método de declaração, comunicando-se com as autoridades fiscais com base em evidências verificáveis.

Passo 1: Verificação e autoavaliação

Acesse o aplicativo “Imposto de Renda Pessoa Física”, verifique mensagens internas, alertas e se há anos que precisam de declaração adicional; preste atenção também a SMS ou chamadas que indiquem o ano, tipo de rendimento ou procedimento. Faça uma revisão dos últimos 3 a 5 anos fiscais, verificando contas financeiras no exterior, transferências transfronteiriças, rendimentos de investimentos no exterior (dividendos, juros, transferências de bens), além de transações, trocas e fluxos de fundos relacionados a criptomoedas. Organize também documentos que possam comprovar a origem e o destino dos fundos, formando uma cadeia de fatos.

Passo 2: Diferenciar “capital” de “renda”

Essa distinção é fundamental. A autoridade fiscal tributa a “mais-valia”, não o capital inicial. A fórmula de cálculo é: Renda tributável = Receita de transferência – Valor original do bem (custo) – Despesas razoáveis.

Passo 3: Custos de comprovação

Se não for possível fornecer registros claros e verificáveis de compra e venda, a autoridade fiscal, sob risco de controle, pode determinar a tributação com base em estimativas, chegando até a considerar toda a retirada como renda, aumentando significativamente a carga tributária. Por exemplo: se uma transferência de fundos de 1 milhão de yuans corresponde a um ativo comprado por 900 mil yuans, com despesas razoáveis de 0, o lucro tributável seria de 100 mil yuans. Mas, se o contribuinte não puder apresentar registros completos de compra e venda, a autoridade pode aceitar apenas parte do custo ou determinar um valor maior, elevando a carga tributária final.

5. Como organizar contas de criptomoedas caóticas?

Para a maioria dos investidores de Web3, o principal desafio na conformidade fiscal é garantir que as transações sejam rastreáveis e que os custos possam ser verificados. Os problemas estruturais comuns incluem:

  • Alto volume de transações: muitas operações dificultam a conferência manual, aumentando o risco de erros ou omissões.
  • Diversificação entre plataformas e cadeias: ativos distribuídos em várias exchanges e carteiras, com transferências internas frequentes, dificultando a reconstrução do fluxo de fundos.
  • Complexidade na avaliação e apuração de lucros e perdas: operações de troca de moedas, contratos futuros, staking, airdrops, liquidez, empréstimos, etc., exigem avaliação pelo valor de mercado na data da transação, o que aumenta a complexidade.
  • Dificuldade na padronização de fluxos DeFi: operações de staking, yield farming, empréstimos, etc., com diferentes classificações, podem levar a erros de classificação, omissão de renda ou dupla contagem.

Se os detalhes, categorias e custos não forem bem documentados, a autoavaliação e declaração se tornarão mais incertas e onerosas em termos de conformidade.

Conclusão

As ações coordenadas dos departamentos fiscais de seis regiões representam um sinal de que a fiscalização de rendimentos no estrangeiro por residentes está se tornando “normalizada e digitalizada”. Com o aprimoramento contínuo do intercâmbio de informações via CRS e das capacidades de fiscalização digital, as diferenças entre contas no exterior e declarações domésticas serão mais facilmente identificadas, ampliando o custo de não conformidade e o risco de penalidades. Para investidores de Web3, estabelecer uma contabilidade verificável e métodos de declaração claros desde já é mais seguro e eficiente do que remediar posteriormente.

Por isso, recomenda-se concluir rapidamente a consolidação de dados de transações, organizar os custos e classificar os rendimentos, criando relatórios detalhados e resumos rastreáveis, de modo a estar preparado para autoavaliações, declarações complementares ou comunicações com as autoridades fiscais, com evidências sólidas.

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