Em dezembro de 2025, o entusiasmo em torno da discussão sobre a «tokenização das ações americanas» nos mercados financeiros dos EUA disparou.
Isto deve-se principalmente a duas razões: primeiro, a Nasdaq solicitou a extensão do horário de negociação, levando o mercado a especular que «a era de negociação de ações tokenizadas 24/7 está chegando»; segundo, a Securities and Exchange Commission (SEC) enviou uma «Carta de Não Ação» à principal entidade de liquidação central dos EUA (DTC), tornando-se ainda mais o centro das atenções no mundo financeiro global.
No entanto, por trás do burburinho, a relação real dessas duas ações com a «tokenização das ações americanas» é bastante diferente. Precisamos ir além das aparências para esclarecer o verdadeiro contexto do desenvolvimento do setor.
Extensão do horário de negociação na Nasdaq: otimização do «tempo de mercado» de valores tradicionais, sem ligação direta com tokenização
Em 15 de dezembro, a Nasdaq submeteu à SEC o Formulário 19 b-4, planejando ampliar o horário de negociação de ações americanas e produtos de bolsa.
Simplificando, a intenção é alterar o modelo de negociação para «5 dias por semana, quase 23 horas por dia». O cronograma específico é: das 4h00 às 20h00, horário da costa leste dos EUA, como principal período de negociação; das 21h00 até às 4h00 do dia seguinte, como sessão noturna; e entre 20h00 e 21h00, pausa para processamento de ordens pendentes.
Assim que essa notícia foi divulgada, rapidamente despertou associações no setor Web 3, com muitos opinando que isso estaria «preparando o terreno para a tokenização de ações, permitindo que as ações sejam negociadas 24/7 como moedas digitais».
No entanto, ao analisar os detalhes do pedido, essa interpretação parece mais uma «expectativa otimista» — essa mudança não tem relação direta com «tokenização» e, na essência, trata-se apenas de uma «atualização de eficiência» no sistema de negociação de valores tradicionais.
Os principais motivos são dois:
Do ponto de vista do conteúdo, o documento de solicitação não menciona conceitos como «tokenização» ou «blockchain». Todas as regras são centradas em ações tradicionais, ETFs, etc., com um objetivo prático — ampliar a janela de negociação para atender às necessidades de investidores institucionais em diferentes fusos horários, e não adaptar-se às características de negociação de ativos digitais;
Do ponto de vista funcional, o novo período de negociação noturna não constitui uma «versão completa» do mercado. Muitas regras complexas de ordens (como negociações algorítmicas, condições especiais de liquidação de grandes volumes) não se aplicam nesse período, e algumas funções de controle de risco também serão limitadas. Portanto, a negociação noturna é, na sua essência, uma «extensão de tempo» do sistema tradicional, e não uma preparação para uma transição para um mercado de ativos digitais «24/7 sem interrupções, com todas as funcionalidades».
SEC envia à DTC a «Carta de Não Ação»: uma «experiência regulatória» na tokenização de ações americanas, não uma «liberação total»
O que realmente está relacionado à tokenização de ações americanas é a «Carta de Não Ação» emitida pela SEC à DTC (a principal entidade de custódia e liquidação do mercado de ações dos EUA, subsidiária da DTCC) em 11 de dezembro. É importante esclarecer que esse documento não representa uma liberação total da tecnologia de tokenização, mas sim uma autorização de ajuste regulatório de caráter excepcional.
Por que a DTC precisa dessa «licença»?
Porque, de acordo com as regras atuais, organizações autônomas como a DTC precisam solicitar aprovação à SEC para alterar regras de negócios ou fazer mudanças significativas, com um processo que pode levar até 240 dias. Para avançar com o projeto piloto de tokenização, a DTC solicitou uma «isenção de certas obrigações de declaração durante o período de teste». Essa carta da SEC, na sua essência, oferece uma «janela temporária de experimentação regulatória» para a DTC, permitindo que, sob condições específicas, ela não seja alvo de ações regulatórias durante o piloto de tokenização.
Como esse piloto foi projetado?
Seu conceito central é bastante cauteloso, resumido em uma frase: apenas uma atualização de eficiência, sem alterar os fundamentos financeiros. Essa abordagem está alinhada com a estratégia de nosso país de priorizar a «exploração tecnológica sem alterar o sistema central» na aplicação de blockchain, e possui três pontos principais:
Os tokens representam apenas «registros de propriedade», não direitos de ações. O piloto não substitui o sistema de registro de ações da DTC com blockchain. Ele oferece uma «opção adicional» aos corretores — permitindo que eles criem um «token digital» para uma parte das ações que possuem. Esse token é apenas um registro de propriedade, não uma ação, não confere direito de voto ou dividendos, nem pode ser usado para comprar ou vender ações diretamente. As ações reais permanecem no sistema antigo da DTC.
A circulação das transações é monitorada integralmente. Mesmo que esses tokens possam ser transferidos ponto a ponto entre carteiras aprovadas, cada movimento será monitorado em tempo real pelo sistema off-chain da DTC (LedgerScan), garantindo rastreabilidade completa.
Tripla conformidade regulatória
Para evitar riscos comuns na tokenização, como lavagem de dinheiro e descolamento de ativos, o piloto estabeleceu restrições rigorosas:
Restrições de escopo: os tokens só podem ser transferidos entre carteiras de entidades autorizadas pela DTC, proibindo circulação para terceiros ou indivíduos que não tenham passado por processos de KYC/AML;
Restrições de permissão: a DTC mantém o direito de «forçar a transferência ou destruição de tokens» para lidar com transações anômalas ou riscos de descolamento de ativos;
Restrições do sistema: todo o sistema de tokenização é completamente isolado do sistema de liquidação central da DTC, para evitar que riscos técnicos ou operacionais afetem o sistema financeiro tradicional, preservando a estabilidade financeira.
O futuro da tokenização de ações americanas: evolução gradual com cooperação entre mercados
E qual será o futuro da tokenização de ações americanas?
De uma forma geral, ela não será uma «revolução de um dia para o outro», mas sim uma «atualização silenciosa da infraestrutura», semelhante à lógica de «tocar a pedra e atravessar o rio» na reforma e abertura do nosso país, de forma progressiva.
No curto prazo, o piloto da DTC provavelmente começará com algumas ações de alta liquidez, expandindo gradualmente para ativos mais estáveis e padronizados, como ETFs e títulos do governo. Ainda assim, os participantes principais serão bancos, corretoras e outras instituições profissionais, enquanto os usuários de varejo ainda terão dificuldades para participar diretamente. Além disso, a SEC usará esses dados para criar regras mais detalhadas, como padrões de divulgação de informações de ativos tokenizados e responsabilidades de custódia, oferecendo orientações regulatórias mais claras para o setor.
No longo prazo, o valor final da tokenização de ações americanas pode residir na «cooperação entre mercados» — por exemplo, integrando sistemas de liquidação de ações nos EUA, Hong Kong e ativos digitais, para realizar uma «configuração global de ativos com um clique». Contudo, para alcançar esse objetivo, é necessário superar dois obstáculos principais:
Primeiro, as diferenças nas regulações globais: regulamentos como o MiCA da UE, as políticas de ativos virtuais de Hong Kong e as regras estaduais nos EUA apresentam diferenças significativas, e a formação de um quadro regulatório coordenado ainda é um desafio;
Segundo, a segurança e compatibilidade da tecnologia cross-chain: as diferenças nos padrões técnicos e mecanismos de consenso entre diferentes redes blockchain dificultam a realização de transferências de ativos cross-chain seguras e eficientes, exigindo contínuo esforço da indústria.
Resumindo, esses dois grandes tópicos em 2025 representam sinais de que a tokenização de ações americanas está passando de uma «discussão conceitual» para uma «fase de testes regulatórios», mas isso é apenas o começo de um longo caminho. Ainda há muito a percorrer até que a «tokenização de ações americanas» realmente transforme o panorama do mercado de capitais global.
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Análise dos dois principais focos da tokenização do mercado de ações dos EUA até o final de 2025: quais são avanços reais e quais são mal-entendidos?
Escrito por: Yuan Biao
Em dezembro de 2025, o entusiasmo em torno da discussão sobre a «tokenização das ações americanas» nos mercados financeiros dos EUA disparou.
Isto deve-se principalmente a duas razões: primeiro, a Nasdaq solicitou a extensão do horário de negociação, levando o mercado a especular que «a era de negociação de ações tokenizadas 24/7 está chegando»; segundo, a Securities and Exchange Commission (SEC) enviou uma «Carta de Não Ação» à principal entidade de liquidação central dos EUA (DTC), tornando-se ainda mais o centro das atenções no mundo financeiro global.
No entanto, por trás do burburinho, a relação real dessas duas ações com a «tokenização das ações americanas» é bastante diferente. Precisamos ir além das aparências para esclarecer o verdadeiro contexto do desenvolvimento do setor.
Extensão do horário de negociação na Nasdaq: otimização do «tempo de mercado» de valores tradicionais, sem ligação direta com tokenização
Em 15 de dezembro, a Nasdaq submeteu à SEC o Formulário 19 b-4, planejando ampliar o horário de negociação de ações americanas e produtos de bolsa.
Simplificando, a intenção é alterar o modelo de negociação para «5 dias por semana, quase 23 horas por dia». O cronograma específico é: das 4h00 às 20h00, horário da costa leste dos EUA, como principal período de negociação; das 21h00 até às 4h00 do dia seguinte, como sessão noturna; e entre 20h00 e 21h00, pausa para processamento de ordens pendentes.
Assim que essa notícia foi divulgada, rapidamente despertou associações no setor Web 3, com muitos opinando que isso estaria «preparando o terreno para a tokenização de ações, permitindo que as ações sejam negociadas 24/7 como moedas digitais».
No entanto, ao analisar os detalhes do pedido, essa interpretação parece mais uma «expectativa otimista» — essa mudança não tem relação direta com «tokenização» e, na essência, trata-se apenas de uma «atualização de eficiência» no sistema de negociação de valores tradicionais.
Os principais motivos são dois:
Do ponto de vista do conteúdo, o documento de solicitação não menciona conceitos como «tokenização» ou «blockchain». Todas as regras são centradas em ações tradicionais, ETFs, etc., com um objetivo prático — ampliar a janela de negociação para atender às necessidades de investidores institucionais em diferentes fusos horários, e não adaptar-se às características de negociação de ativos digitais;
Do ponto de vista funcional, o novo período de negociação noturna não constitui uma «versão completa» do mercado. Muitas regras complexas de ordens (como negociações algorítmicas, condições especiais de liquidação de grandes volumes) não se aplicam nesse período, e algumas funções de controle de risco também serão limitadas. Portanto, a negociação noturna é, na sua essência, uma «extensão de tempo» do sistema tradicional, e não uma preparação para uma transição para um mercado de ativos digitais «24/7 sem interrupções, com todas as funcionalidades».
SEC envia à DTC a «Carta de Não Ação»: uma «experiência regulatória» na tokenização de ações americanas, não uma «liberação total»
O que realmente está relacionado à tokenização de ações americanas é a «Carta de Não Ação» emitida pela SEC à DTC (a principal entidade de custódia e liquidação do mercado de ações dos EUA, subsidiária da DTCC) em 11 de dezembro. É importante esclarecer que esse documento não representa uma liberação total da tecnologia de tokenização, mas sim uma autorização de ajuste regulatório de caráter excepcional.
Por que a DTC precisa dessa «licença»?
Porque, de acordo com as regras atuais, organizações autônomas como a DTC precisam solicitar aprovação à SEC para alterar regras de negócios ou fazer mudanças significativas, com um processo que pode levar até 240 dias. Para avançar com o projeto piloto de tokenização, a DTC solicitou uma «isenção de certas obrigações de declaração durante o período de teste». Essa carta da SEC, na sua essência, oferece uma «janela temporária de experimentação regulatória» para a DTC, permitindo que, sob condições específicas, ela não seja alvo de ações regulatórias durante o piloto de tokenização.
Como esse piloto foi projetado?
Seu conceito central é bastante cauteloso, resumido em uma frase: apenas uma atualização de eficiência, sem alterar os fundamentos financeiros. Essa abordagem está alinhada com a estratégia de nosso país de priorizar a «exploração tecnológica sem alterar o sistema central» na aplicação de blockchain, e possui três pontos principais:
Os tokens representam apenas «registros de propriedade», não direitos de ações. O piloto não substitui o sistema de registro de ações da DTC com blockchain. Ele oferece uma «opção adicional» aos corretores — permitindo que eles criem um «token digital» para uma parte das ações que possuem. Esse token é apenas um registro de propriedade, não uma ação, não confere direito de voto ou dividendos, nem pode ser usado para comprar ou vender ações diretamente. As ações reais permanecem no sistema antigo da DTC.
A circulação das transações é monitorada integralmente. Mesmo que esses tokens possam ser transferidos ponto a ponto entre carteiras aprovadas, cada movimento será monitorado em tempo real pelo sistema off-chain da DTC (LedgerScan), garantindo rastreabilidade completa.
Tripla conformidade regulatória
Para evitar riscos comuns na tokenização, como lavagem de dinheiro e descolamento de ativos, o piloto estabeleceu restrições rigorosas:
Restrições de escopo: os tokens só podem ser transferidos entre carteiras de entidades autorizadas pela DTC, proibindo circulação para terceiros ou indivíduos que não tenham passado por processos de KYC/AML;
Restrições de permissão: a DTC mantém o direito de «forçar a transferência ou destruição de tokens» para lidar com transações anômalas ou riscos de descolamento de ativos;
Restrições do sistema: todo o sistema de tokenização é completamente isolado do sistema de liquidação central da DTC, para evitar que riscos técnicos ou operacionais afetem o sistema financeiro tradicional, preservando a estabilidade financeira.
O futuro da tokenização de ações americanas: evolução gradual com cooperação entre mercados
E qual será o futuro da tokenização de ações americanas?
De uma forma geral, ela não será uma «revolução de um dia para o outro», mas sim uma «atualização silenciosa da infraestrutura», semelhante à lógica de «tocar a pedra e atravessar o rio» na reforma e abertura do nosso país, de forma progressiva.
No curto prazo, o piloto da DTC provavelmente começará com algumas ações de alta liquidez, expandindo gradualmente para ativos mais estáveis e padronizados, como ETFs e títulos do governo. Ainda assim, os participantes principais serão bancos, corretoras e outras instituições profissionais, enquanto os usuários de varejo ainda terão dificuldades para participar diretamente. Além disso, a SEC usará esses dados para criar regras mais detalhadas, como padrões de divulgação de informações de ativos tokenizados e responsabilidades de custódia, oferecendo orientações regulatórias mais claras para o setor.
No longo prazo, o valor final da tokenização de ações americanas pode residir na «cooperação entre mercados» — por exemplo, integrando sistemas de liquidação de ações nos EUA, Hong Kong e ativos digitais, para realizar uma «configuração global de ativos com um clique». Contudo, para alcançar esse objetivo, é necessário superar dois obstáculos principais:
Primeiro, as diferenças nas regulações globais: regulamentos como o MiCA da UE, as políticas de ativos virtuais de Hong Kong e as regras estaduais nos EUA apresentam diferenças significativas, e a formação de um quadro regulatório coordenado ainda é um desafio;
Segundo, a segurança e compatibilidade da tecnologia cross-chain: as diferenças nos padrões técnicos e mecanismos de consenso entre diferentes redes blockchain dificultam a realização de transferências de ativos cross-chain seguras e eficientes, exigindo contínuo esforço da indústria.
Resumindo, esses dois grandes tópicos em 2025 representam sinais de que a tokenização de ações americanas está passando de uma «discussão conceitual» para uma «fase de testes regulatórios», mas isso é apenas o começo de um longo caminho. Ainda há muito a percorrer até que a «tokenização de ações americanas» realmente transforme o panorama do mercado de capitais global.